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Arquivo para December, 2007

Updater em BsAs: Fim de ano (post com trilha)

Esse é meu 12º ano novo porteño. Então, me deu vontade de terminar o ano com minhas humildes e pessoais notas sobre o que vi por aqui ao longo desse tempo. Não vou falar da Capital Federal, essa cheia de turistas, que qualquer um pode conhecer numa excursão. Quero falar sobre minha experiência pessoal na província. Minha mulher é a única argentina de sua família vivendo no Brasil. Final de ano é hora de retornar às suas origens. Voltar a falar [cada vez com mais sotaque] sua língua natal e fazer seu balanço familiar. Quem morreu, quem nasceu, quem comprou uma casa nova, quem arrumou um emprego melhor, quem foi para a Espanha tentar a sorte, quem voltou de Nova York, arrependido. Eu viro observador. E ao longo de todos esses anos, aprendi alguma coisa sobre este povo que, de hermanos, acreditem, não tem nada. A diferença principal, arrisco dizer, está baseada num conceito meio fora de moda no Brasil: a família. Posso estar contaminado por minha própria condição. Talvez alguém encontre uma estatística qualquer que me contradiga. Mas tenho algumas indicações de que não estou errado: aqui os casais ainda se orgulham de ter 5 ou 6 filhos. As casas são feitas para receber a família. Mesmo a crise pela qual passaram e a eventual recuperação dos últimos anos, não permitiu que estes valores se perdessem. Pelas ruas, nos últimos anos, a frota de veículos se modernizou muito, mas as casas continuam custando mais que os carros, como deveria ser. Com grama e churrasqueira. Alias, hoje, último dia do ano, as churrasqueiras estão prontas para a ação. Churrasqueiras que também são diferentes das nossas. As daqui não são buracos para por lenha. São planas, como uma lareira, porque num churrasco argentino, quem se move é a lenha [não carvão] ao invés da carne. Parte do sabor especial do churrasco daqui é graças ao quebracho, muito mais “saboroso” do que nosso carvão. A esta hora, Tommy [nosso Updater porteño] está na frente da sua, começando a preparar um delicioso Cordeirito Patagônico, morram de inveja. E ainda tem os fogos, esses que o Wagner falou num post aí de trás, que contaminam a cidade. Em cada esquina existe um quiosco vendendo de todos tipos. Se você subir num telhado, na virada do ano, verá um espetáculo realmente mágico. Como a cidade é plana, para onde quer que olhe, verá as explosões de luzes, até o horizonte. De futebol, é verdade, eles não entendem nada. Mas enfim, não se pode querer tudo. Ao Wagner, Walter, Paulinha, Cris del Nero e Gorissen, ao Beto, James, Trix, e a todos da Família Updaters, um grande beijo e Feliz Año Nuevo.

Morre lentamente quem não viaja

Bem , enquanto fazia uma expedição arqueológica em meu guarda-roupa na expectativa de encontrar uma camiseta branca para a grande virada, me lembrei de um texto do Pablo Neruda. Um texto que fala da vida como uma viagem e que aquele que não viaja, morre aos poucos. Achei legal como último post do ano, acho que tem tudo a ver com os Updaters, tanto os postadores como os leitores, tanto os viajantes como os observadores. Que venha 2008 e que ele seja uma das melhores viagens da sua vida.

“Morre lentamente quem não viaja, quem não lê, quem não ouve música, quem não encontra graça em si mesmo. Morre lentamente quem destrói o seu amor-próprio, quem não se deixa ajudar. Morre lentamente quem se transforma em escravo do hábito, repetindo todos os dias os mesmos trajetos, quem não muda de marca, não se arrisca a vestir uma nova cor ou não conversa com quem não conhece. Morre lentamente quem faz da televisão o seu guru. Morre lentamente quem evita uma paixão, quem prefere o negro sobre o branco e os pontos sobre os “is” em detrimento de um redemoinho de emoções justamente as que resgatam o brilho dos olhos, sorrisos dos bocejos, corações aos tropeços e sentimentos. Morre lentamente quem não vira a mesa quando está infeliz, quem não arrisca o certo pelo incerto para ir atrás de um sonho, quem não se permite pelo menos uma vez na vida fugir dos conselhos sensatos. Morre lentamente, quem passa os dias queixando-se da sua má sorte ou da chuva incessante. Morre lentamente, quem abandona um projeto antes de iniciá-lo, não pergunta sobre um assunto que desconhece ou não responde quando lhe indagam sobre algo que sabe. Evitemos a morte em doses suaves, recordando sempre que estar vivo exige um esforço muito maior que o simples fato de respirar. Somente a perseverança fará com que conquistemos um estágio esplêndido de felicidade.”

Pablo Neruda

2008

Kaleidoscope: show de luzes e sons

Desde o começo de dezembro que o prédio da Estação Central de Nova York inaugurou (e reedita, na verdade) o show Kaleidoscope, que reúne estripulias em luminotécnica, aliadas a música ambiente dançante e típica (?) de fim de ano. A cada meia-hora, nas paredes, no chão e no teto do prédio, são projetadas luzes que dão ao ambiente um efeito de estarmos realmente dentro de um caleidosscópio, transformando a passagem pela estação em uma experiência sinestésica bem legal. O espetáculo termina dia primeiro de janeiro. Abaixo, um vídeo (beeeem) amador feito por um passante:

Aqui, aqui e aqui, tudo no Flickr, você pode ver umas fotos com melhor qualidade.

Quem sabe faz ao vivo

Às vésperas deste Natal, em Chicago, uma mini van bateu contra o estúdio da ABC durante a transmissão do telejornal noturno, literalmente entrando ao vivo no ar. O ato, porém, foi intencional. O motorista possui histórico de problemas mentais e disse que só queria aparecer na TV. Nunca antes nos EUA alguém virou celebridade e foi pra cadeia tão rápido.

Updater em BsAs: Dia de Zoo

zoo1.jpgSábado de sol e calor é dia de levar as crianças ao Zoológico. Buenos Aires tem 3 opções interessantes. O Zoo de Buenos Aires, o Temaiken e o de Lujan. Cada um tem características específicas para dificultar sua escolha. O primeiro é o pulmão de Buenos Aires, localizado no meio da cidade e ocupando cerca de oito quadras, apesar de muito maior, tem alguma semelhança com o Zoo do Central Park de New York, como um suado urso polar. Crianças com menos de 12 anos não pagam, mas por 3 pesos, podem visitar o aquário com um show bem bacana de leões marinhos. O Temaiken fica a cerca de meia hora do centro. É um parque mais “comercial”, ao estilo do Zoo de San Diego ou o de Miami. Muito dinheiro investido, muita programação visual e uma lojinha cujo conteúdo é mais interessante que o de algumas jaulas. Finalmente, o de Lujan, que em breve vai fechar porque é um atentado ao “ecologicamente correto”. Nele, você e seus pimpolhos podem, por exemplo, passear de elefante ou entrar na jaula com um sonolento leão[!]. Um contato prá lá de próximo com a natureza, que há muitos anos foi banido de outros parques, sob o pretexto de não [ó céus] estressar os animais. Pessoalmente, é o meu preferido. Uma coisa chama a atenção. Em nenhum deles você vai dar de cara com um animal muito comum no Zoológico de São Paulo. Um animal que vive em bando e que dificulta a entrada no Zoo paulista. Fica o recado ao nosso nobre prefeito Kassab. Não seria a hora de extinguir esse animal que decidiu fazer dali o seu habitat? O Camelô.

Fogos de Artifício: Não fotografe. Não grave.

O Ano Novo se aproxima e com ele os maiores espetáculos pirotécnicos do planeta. Assim como as palmas, que servem para chamar atenção dos deuses de que os mortais estão fazendo algo extraordinário, os fogos também tem a função de chamar a atenção, através de estrondos, assobios e riscos coloridos no céu de que algo especial está sendo celebrado. Mas se engana quem acha que o espetáculo é apenas um prazer para olhos e ouvidos. Fogos de artifício querem mesmo é encantar a sua alma. É rito de passagem, cheio de simbolismo, feito para exorcisar nossos demônios, celebrar nossos anjos e homenagear nossa esperança. É como se durante aqueles poucos minutos acontecesse uma retrospectiva emocional dentro da gente, sem necessariamente ter que passar por fatos específicos. Por isso, minha sugestão nesse post é que, nesse ano, coloque a câmera de lado e capture o momento apenas com a sua alma mesmo. Não se preocupe, a Globo vai reprisar tudo no dia seguinte. Mesmo porque, certas coisas simplesmente não funcionam da mesmo forma numa foto ou em video. A emoção é tão grande que invariavelmente a gente acaba se mexendo demais, chacolhando demais e não rola. Sem falar que não é hora de ficar se preocupando com ajustes de equipamento. Ou seja: desencane do registro e viva o momento.

Abaixo, um teaser do maior show pirotécnico do mundo, que acontecesse todos os anos na Ilha da Madeira, em Portugal. Parece produção de show de rock. Mas embora o palco seja o céu, o verdadeiro show vai acontecer dentro de você.

Dr. Grordbort’s Raygun

Desde 1898 em “A Guerra dos Mundos” de H.G. Wells, armas futuristas disparam tudo, menos balas. Idem, para o universo game. São faíscas, lasers, bolhas, tudo sempre muito colorido e brilhante como uma espada Jedi e, claro, com sons tipo póóínnshurzhhzzzz. E nessa fixação por armas do futuro que existe há tanto tempo, nada mais natural que surgissem pistolas que unissem passado e futuro no melhor estilo steampunk. Meus modelos favoritos (saiu até na Wired esse ano e eu jurava que já tinha feito um post aqui no UoD, mas não achei) são as Rayguns do Dr. Grordbort (Infallible Aether Oscillators), em escala 1:1 e que funcionam por oscilação de ondas. Claro, tudo não passa de uma criação do Designer-escultor-nerd Greg Broadmore (trabalhou na DA de King Kong, Narnia, etc) que produziu artesanalmente apenas 500 unidades de cada modelo. Cada pistola vem com número de série próprio, dentro de uma maleta de metal forrada com veludo. São feitas com riqueza de detalhes (clique na imagem para ampliar) em metal e vidro, pesam cerca de 2 quilos e meio, e custam 700 dólares. Morro de vontade de encomendar uma, mas tá na cara que vai dar dor de cabeça na alfândega. Tem até comercial, confira abaixo.

Louis Vuitton: primavera/verão 2008

Já caiu na rede o making of da nova campanha primavera/verão 2008 da Louis Vuitton. Com direção de Zoe Cassavetes e fotos da dupla Mert & Marcus, possui, além de um casting impecável de modelos (Natalia Vodianova, Naomi Campbell, Sthepanie Seymour, Claudia Schiffer, Eva Herzigova), entrevista com Marc Jacobs, designer da marca, que fala um pouco do conceito e da parceria com o artista Richard Prince, que assina as bolsas. A coleção está muito bonita. Abaixo, um teaser de Youtube. Para ver em todo o making of, clique aqui.

Updater em BsAs: Palermo Soho

palermo2.jpgA história é inspiradora. Aí por 2000, no auge da crise econômica argentina, que resultou [ou foi resultado] do default na dívida externa, Buenos Aires apresentava altas taxas de desemprego. Um povo altamente qualificado, tinha sido obrigado a apretar el cinturón e admitir que sua moeda estava supervalorizada. Infelicidade geral pelas ruas. Um golpe quase fatal na economia e no amor próprio. Naquele momento de pouca esperança, um grupo de jovens porteños decidiu dar a volta por cima e, aos poucos, criou uma revolução criativa, ocupando um bairro [na época] decadente, de casarões velhos que reformadas resultavam em lojas muito bacanas, por aluguéis baixíssemos: o Alto Palermo. Assim, abriram seus próprios negócios, aqueles que você sonha abrir um dia, mas o dia nunca chega. Boa parte dessas novas lojas eram dedicadas à moda, mas se encontrava de tudo, jóias, brinquedos, papelarias, restaurantes. Um pouco mais ao sul, outra área de Palermo havia sido tomada por produtoras de comerciais e cinema, assumindo o apelido informal de Palermo Hollywood. Então, nada mais cool do que chamar este novo e criativo bairro de Palermo Soho. Quase oito anos depois a energia inicial não é a mesma, mas Palermo Soho continua efervescente de criatividade e é um ponto turístico obrigatório da nova Buenos Aires. O coração é a Praça Cortázar, ou melhor ainda, a esquina de Honduras com Gurruchaga. A idéia é caminhar pelos quarteirões do bairro garimpando lojas legais como a Sopa de Príncipe, Capital, Calma Chicha, Papelaria Palermo e minha preferida, a Miles Discos que consegue sobreviver vendendo CDs [lembra? aquele negócio que tocava música?!] de todos os cantos do mundo, além de livros mais ou menos raros. Para um mapa, continue lendo.

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Um jato no bagageiro do carro

O BD-5 é um microjato equipado com um único motor à jato TRS-18, desenhado para atingir a velocidade de cerca de 700 km/h e altitude de 30.000 pés. Tem autonomia para duas horas de vôo. É o menor avião a jato do mundo.

Quanto você roda depois que a luzinha da reserva acende?

Bem, uma das coisas que mais me enchem o saco é parar para abastecer. Sou daqueles que espera até a última gota para trocar amenidades com um frentista. Então, já sou íntimo da irritante luzinha amarela que se acende no mostrador quando a coisa está praticamente no cheiro. Uns malucos americanos resolveram ajudar pessoas como eu e criaram um site onde as pessoas colocam e compartilham dados sobre este assunto, tipo quantas milhas rodaram depois da luzinha acender. No Tank On Empty, as informações são divididas por marca e modelo. O site ainda traz histórias curiosas e divertidas sobre o tema. Passe por lá e abasteça.

Bateria dobrável

Zhang Xiachang, um cientista chinês, desenvolveu uma bateria de 1.5V que mede apenas meio milímetro de espessura e é dobrável como papel. Será apresentada no Fórum Internacional da feira New Material Research and Industry Development que começa hoje em Wenzhou, China.

O assunto é: SPAM

Ok, não é o spam tecnológico, o e-mail indesejado. Mas a carne enlatada SPAM, marca famosa nos Estados Unidos, criada em 1937. Acontece que Dan Armstrong e Dustin Black escreveram um livro espetacular sobre a marca, com título ‘The Book of Spam’, todo ilustrado e em capa dura, contando um pouco do mito que é este produto e de como e quando se tornou popular mundo afora (são mais de quarenta países que recebem o produto). Não bastasse isso, os dois ainda estão por trás da estratégia de divulgação (viral, claro) do livro, que conta com um filme em stop-motion todo feito com torradas (sim, aquelas em que podemos colocar muito Spam e comer sem culpa). O livro pode ser encontrado nas maiores lojas online, como Amazon, e custa menos que U$ 25, dependendo da promoção do dia. Abaixo, o vt de título ‘Toastvertising’:

Expanda e assista ao making of:
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Comercial: Ensaio sobre o Futuro

Circulando bastante nesse último mes, o comercial da Telenor (operadora de celulares) que celebra a chegada da tecnologia 3G. O filme The Essay é criação da DDH de Oslo.

Wind-OSX

Então você se portou mal e não ganhou um iMac de Natal? Não tema. Mesmo sem rodar o Hackintosh, a versão hackeada de OS X para PCs, você ainda pode ter o look & fell do OS X no seu PC. É só instalar o Flyakite OSX 3.5.

via Lifehacker