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Author Archive for Andre Felipe

Update

O escritor americano Gay Talese, em recente entrevista na Folha de São Paulo (sem link: li no jornal), afirmou que a grande burrada do NYT foi ter disponibilizado seu conteúdo gratuitamente na internet.

Trata-se de uma opinião hoje considerada por muitos como ingênua, mas o escritor passou a vida inteira dentro do grande símbolo do jornalismo moderno e devemos, pelo menos, ouvir seu ponto de vista. E também não temos certeza de nada para poder, categoricamente, concordar ou discordar. Estamos meio perdidos também. Mas, no fundo, ele está sustentando sua afirmação em um conceito que hoje, ainda, temos como certo: se você quer um produto de qualidade, deve pagar pelo que esse produto vale, pois é resultado do acúmulo de trabalho de muita gente qualificada.

Isso foi o que eu escrevi aqui no dia 12 de Junho do ano passado.
E essa aqui é a notícia de hoje no NYT.

Buy Nothing

If you’re an excess consumer and you’re in so deep deep deep that you’ve just got to buy buy buy buy or you just can’t sleep sleep sleep sleep, Green Thing has just launched the sustainable answer to your shopping addiction, the world’s most achingly desirable and deliciously sustainable product, Nothing.

Esqueçam meu post anterior.

Sim, esqueçam o constrangimento do meu post anterior. Porque eu acabei de achar um video capaz de corar até o mais cara-de-pau dos cidadãos de bem.

http://www.vimeo.com/7700151

Constrangimento acompanha?

YouTube Preview Image

Sabe que eu já aprontei algumas dessas, talvez apenas com um pouco menos de esdruxulice (hã?) e um pouco mais de ineditismo. Mas eu faço o mea culpa mesmo assim. Afinal, eu sou publicitário também, e ser publicitário é humano, e chega uma hora que a gente fica sem assunto e acaba apelando. Mas pelo menos, nas que eu fiz, uma coisa tinha alguma coisa a ver com a outra.

Me refiro, kid, ao uso indiscriminado que a publicidade vem fazendo, nos últimos tempos, de assuntos que até então transcorriam tranquilamente pelos cantos da cidade sem serem interrompidos pelos sapatênis da publicidade. Nesse vídeo, que atingiu o ápice da manezice (aliás, existe essa palavra?), eu consegui ficar com vergonha do apresentador, do convidado, da ideia, da marca de celular, dos caras que tiveram essa ideia, das minhas próprias tatuagens (por azar, um dragão e uma âncora), do cara que fez as minhas tatuagens, da Kombi e até do Grilo (no outro vídeo do post original, da Brisa), que é meu amigo e é gente boa. Vai Grilão!!

YouTube Preview Image

A moda e a baboseira

Dia desses tive um comentário censurado no blog de moda muito hypado de uma estilista muito fofa. Comentei que o post falava sobre a coleção de uma estilista, mas que tudo me parecia mais com o briefing de uma ala da Vai-Vai. Nada estranho pra mim, que já vi, por exemplo, uma coleção inspirada, ao mesmo tempo, no “Glamour Hollywoodiano” e “Paraquedistas”, entre outras muitas barbaridades (”Abravanation”, para abreviar) em todo esse tempo em que, anonimamente, trabalhei com moda - criando, entre outras coisas, 6 campanhas insititucionais para o SPFW. Sem precisar de uma foto de modelo, sem precisar chamar ninguém de fofo, sem mencionar o nome de nenhum estilista ou “editor de estilo”, que é como os produtores de fotografia agora querem ser chamados. Então, eu acho que eu posso dizer o que eu acho. Ou achava, até ser censurado. Falar a verdade, fiquei até meio puto.

Mas a minha putice durou pouco, pois logo eu achei isso aqui nos comentários, escrito por um DJ e jornalista de moda muito queridíssimo e fofíssimo no meio. Abre aspas, pelamordedeus:

“Ao ler seu post e acompanhar as fotos, cheguei ao fim do texto tendo visões de cunhãs intergalácticas dançando tecnobrega e celebrando a Cultura e a Civilização. “Elas que se danem, ou não”, como sugeriu certa vez Gilberto Gil. Fiquei curioso de ver ao vivo, especialmente porque a idéia da inversão dos papéis civilizatórios é muito boa. Só não deixaria o navio afundar, quem sabe ser abduzido por uma nave espacial cheia de seres mágicos da Floresta. Curupiras ficariam lindos calçando esses sapatos com seus pés pra trás”.

Cunhãs Intergaláticas? Curupira? Seres Mágicos da Floresta? Gilberto Gil?

Pensando melhor, ainda bem que meu comentário ficou preso na moderação. Não quero estar no meio de tanta baboseira. Ou eles estão muito certos e eu sou um perfeito retardado que não entende nada do assunto - o que até pode ser o caso, e aí é melhor eu ficar de longe mesmo.

Mas eles que se danem. Eu não. - Como diria, logicamente, Gilberto Gil.

Nuff said

Jagger / Warhol

Essa carta de Mick Jagger para Andy Warhol, mais do que um documento que ilustra o brilhantismo dessa parceria (que todo mundo sabe o resultado), é um sopro de esperança divina (hahaha) que eu faço questão de compartilhar com meus amigos designers, músicos, jornalistas, artistas e publicitários que já sofreram as mais terríveis agruras nas mãos dos aspones júnior dos departamentos de marketing e atendimento do mundo afora.

E tenham todos um bom final de semana =)

(Ops! Via @swissmiss)

Stack Magazines

Stack

Tudo bem que essa indicação não se aplica ao Neuro Enhanced Twitter Oracle, já que este já deve ter criado um aplicativo de iPhone que rastreia e faz o download automático de todas as revistas do mundo civilizado em tempo real, tudo organizado por tópico e relevância, e ainda retuíta todas as melhores matérias automaticamente, selecionadas por um robô que escaneia tudo e comprime para 140 caracteres.

Não é o caso, amigos e amigas. Se vc, assim como eu, gosta de ler e conhecer novas revistas de papel, vai acabar morrendo com alguns Euros no seu cartão de crédito adquirindo um plano de assinaturas da STACK.

Eu assinei há uns dois meses, e vc não imagina a minha alegria (e a minha surpresa, já que eu tinha esquecido) ao receber ontem, em casa, o primeiro envelope da STACK, com 3 revistas novinhas. A idéia é sensacional: vc faz uma assinatura às cegas, e o pessoal da STACK seleciona o que eles encontrarem de mais legal em termos de revistas independentes na Europa (a STACK fica em Londres). Ontem, eu recebi a The WIRE (não a Wired), especializada em música experimental que de vez em quando aparece aqui no Brasil e que o meu amigo Buja deve conhecer de trás pra frente, uma revistinha sensacional de cinema chamada Little White Lies e uma revista literária , a Anonthology, com um projeto experimental bem doidão: os textos da revista foram escritos por autores de grandes porte, condidatos a prêmios como o Booker Prize ou o Pulitzer Prize, só que com um detalhe: cabe ao leitor adivinhar de quem são os textos, já que os mesmos vêm com os nomes ocultos. Os leitores que acertarem ganham edições especiais de livros sensacionais. E tudo isso com um design de cair o queixo.

Vou ler devagar, que o próximo envelope só deve chegar em 3 meses. (Já estou pensando em dar um upgrade no plano, que pode ser de 6, 8 ou 12 revistas por ano).

Então, amigos e amigas, pra assinar a STACK e ser feliz como esse que vos escreve, é aqui mesmo.

The Sack

On 09.09.09, advertising creatives Shane Dawson and Ben Birchall found themselves out of a job.

This is their story.

Cast:
Shane Dawson. Art Director. Part time model.
Ben Birchall. Copywriter. Failed teenage pop star.

Plot: After 5 years at the same agency, a creative team is given their pink slips after a big account walks.
They decide to document their redundancy.
Stay tuned.

A vantagem de ser publicitário - e também, no caso, de não ter despesas muito além de cerveja e fastfood - é que dá pra pegar uma notícia relativamente trágica e transformar em um negócio bem-humorado. E também em uma boa oportunidade de, hmmm, criar um “case”. Pois foi o que esses caras fizeram, e estão relatando suas agruras desde que, no fatídico dia 09/09/09, perderam seus empregos na agência que trabalhavam há 5 anos. Tudo bem que o portfólio dos caras é bem ruinzinho, mas acho que eles vão arrumar alguma coisa rápido. Boa sorte pros caras!

Another cover

Another Magazine

Não sei se foi aqui, mas acho que já andei falando que achava que o glamour das agências de publicidade, de até um tempo atrás, já era. Disse isso porque comecei a achar que o tal glamour voltou para as revistas - de onde, aliás, nunca deveria ter saído.

Os grandes diretores de arte da época dos engomadinhos do Mad Man tiveram seus trabalhos reconhecidos foi nas revistas mesmo - vide Alexey Brodovitch, na Harper’s Bazar, e George Lois, na Esquire (fora o Reid Miles, que depois de ser demitido de todas as agências da Madison Ave. foi contratado pela Blue Note - e aí todo mundo sabe a história). E isso porque eu estou falando só de direção de arte, porque se eu fosse falar de texto eu ia acabar me perdendo entre Norman Mailers, Gay Taleses, Tom Wolfes, etc, etc, etc.

Bom, toda essa enrolação pra dizer que a próxima Another Magazine, pra comemorar 10 anos, vem com 4 capas lindas: Kate Moss, Natalie Portman (minha preferida, na foto), Katie Holmes e Vanessa Paradis, todas vestidas, respectivamente, de Galliano, Lanvin, Alaïa e Chanel.

E nóis aqui, lendo Blue Bus.

‘It’s the web, stupid’

Falar a verdade eu acho esse jargão também meio estúpido (não porque errado, mas porque estúpido mesmo), mas é o que melhor representa o fato de que a gente precisa entender como as coisas são - ou serão.

Por conta de um tweet da sempre alerta @DriSallesGomes, li essa entrevista com o Chris Anderson concedida ao Der Spiegel, em que ele reafirma de forma contundente o fim do conceito de mídia as we know it na internet. Tudo bem que, se vc ler a entrevista, vai notar nas entrelinhas que o Der Spiegel tá meio puto da vida e que o idealizador da Wired não tá dando a mínima. Afinal, ele tem um ponto - e quem pensar a internet hoje com um pouco mais de propriedade vai de alguma forma concordar com ele.

A dinâmica que eu estou entendendo é mais ou menos a seguinte, pelo menos olhando pelo lado dos anunciantes (que, como “anunciantes”, também vão virar um conceito meio obsoleto): como a internet hoje em dia propicia a disseminação rápida e fácil e barata de informações - jornalísticas, publicitárias, etc -, cabe ao geradores dessa informação garantir, apenas, que a mesma seja, hmm, disseminável.

Como exemplo é o que não falta, cabe a cada usuário da internet escolher o que mais gosta e passar pra frente, e cabe aos “anunciantes” (e às agências daqui pra frente) entender essa dinâmica. E eu acho a Adidas entendeu - pelo menos para o lançamento de sua linha de produtos relacionados ao skate (que, pra quem não sabe aqui no brasa, é um dos esportes mais praticados depois do futebol).

Pois a Adidas foi direto pras cabeças: criou um PUTA de um vídeo e tascou na internet, sem propaganda, sem banner e sem firula, sabendo que se é um PUTA video a internet vai tratar de disseminar por aí.  O investimento pulou a mídia; foi direto para a produção do conteúdo. E o resultado é de cair o queixo, de deixar muito moleque por aí (e alguns marmanjos) loucos pela nova linha dos caras.

PS. (Eu mesmo, agora, estou fazendo as vezes dessa nova mídia para uma audiência especialmente qualificada: a freguesia do UoD)

PS2. (Disponha, Wagner - hahahaha).

Awkward Family Pictures

Quem nunca tirou uma foto de família constrangedora que atire a primeira calça (aproveitando que o look tá na moda).Jeans com Jeans

Silêncios ensurdecedores

Sempre me impressionou muito esse termo, “silêncio ensurdecedor”, provavelmente cunhado por Nelson Rodrigues para descrever o clima que se instaurou nas rampas do Maracanã no dia da fatídica final da copa de 50.

Eu não ouvi o silêncio ensurdecedor que deu origem a série, primeiro porque só nasceria 22 anos depois. Mas, na vida, já tive a oportunidade de ouvi-lo algumas vezes, em situações mais particulares que não se comparam aos 120 mil torcedores cabisbaixos que foram pra casa naquele dia.

Uma dessas oportunidades foi no final da apresentação do meu trabalho de conclusão na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo no Mackenzie, em 95, 96. O silêncio que se seguiu ao ponto final da minha dissertação foi um desses tais silêncios ensurdecedores, só quebrado pelo meu orientador que, solidário, tratou de simular um aneurisma diante da banca examinadora.

A outra foi na saída do filme “As Pontes de Madison”.

Lembrei desse filme pois vi dia desses, no jornal, um anúncio de página dupla sobre a adaptação do filme para o teatro, que já deve estar em cartaz na cidade. Pra quem não sabe a história, vou tentar resumir aqui: na pacata cidade que dá nome ao filme, a linda personagem vivida pela também linda Meryl Streep (candidata ao Oscar na ocasião), uma dona de casa casada, mãe de dois filhos, se apaixona perdidamente por um forasteiro não menos charmoso e encantador, o fotógrafo da National Geographic John Kincaid (calma, consultei na internet) vivido por Clint Eastwood - que também dirige o filme.

Papo vai, papo vem, a personagem principal se vê diante da grande decisão cruel: largar tudo, partir com o fotógrafo para um “amor de filme” idealizado, apaixonado, onde tudo (literalmente) se encaixa com perfeição, ou ficar com o amor da vida real - filhos, mulheres, maridos… - que, alguns de nós sabemos, demanda uma certa dose de compromisso, altruísmo e renúncia.

Pois a cena em que ela se decide é, pra mim, uma das mais tristes já vistas no cinema. Alí, na chuva, com o coração em frangalhos e a certeza de que, dalí pra frente, levaria uma ferida pro resto da vida, Francesca se decide. Na plateia, grudados nas poltronas, sem respirar, não nos arriscaríamos a fazer um prognóstico. E, decisão tomada, ninguém se arriscou a julgar; sabíamos, tinhamos certeza, de que fora uma decisão difícil, sofrida, complicada.

Foi uma decisão muito dura.

O máximo que podíamos fazer, alí, era dividir as lágrimas e o aperto no coração com a personagem principal. E sair, pelos corredores do Belas Artes, naquele clima de velório, com medo de que um dia tivéssemos que enfrentar a mesma decisão.

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(O silêncio… tá ouvindo?)

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Ps. Escrevi esse post no café, que tocava no sistema de som o último sucesso de Orlando Morais. E, acredite, acho que é melhor ser surdo do que ouvir as canções do marido da Glória Pires.



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