Não, não se trata de uma mensagem dedicada ao dia dos namorados: estamos falando do grito de guerra dos artistas populares e dos grandes pastores que guiam a turba de fiéis telespectadores da TV aberta nos finais de semana.
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O escritor americano Gay Talese, em recente entrevista na Folha de São Paulo (sem link: li no jornal), afirmou que a grande burrada do NYT foi ter disponibilizado seu conteúdo gratuitamente na internet.
Trata-se de uma opinião hoje considerada por muitos como ingênua, mas o escritor passou a vida inteira dentro do grande símbolo do jornalismo moderno e devemos, pelo menos, ouvir seu ponto de vista. E também não temos certeza de nada para poder, categoricamente, concordar ou discordar. Estamos meio perdidos também.
Mas, no fundo, ele está sustentando sua afirmação em um conceito que hoje, ainda, temos como certo: se você quer um produto de qualidade, deve pagar pelo que esse produto vale, pois é resultado do acúmulo de trabalho de muita gente qualificada.
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Enquanto isso, na sala de justiça, ilustres sociólogos especialistas em comunicação e internet descobrem, depois de muito analisar, a estarrecedora verdade: no Brasil, tecno-brega vende 800 vezes mais do que jazz ou MPB.
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Campos do Jordão, depois de muitos anos de proibição, reinaugurou ontem a sua temporada de shows de axé - e de outros ritmos populares, como pagode, lambada e sertanejo - com um grande show de Ivete Sangalo.
Certamente, os animados turistas gostaram. Enfrentaram o frio e a garoa na fila ou a bordo de seus Astras tunados, de seus tênis Puma edição especial Ferrari, de suas golas rolês e de suas namoradas cafonas vestidas de Diesel dos pés à cabeça para pagar 100, 200 reais e ganhar um caloroso beijo no coração em plena altitude, na cidade que vinha adotando a música clássica como seu símbolo cultural maior.
O Trio Mantiqueira, de música de câmara, ficou às moscas no belo auditório da cidade - apesar dos preços irônicamente populares. A cretina da nova prefeita jordanense, que deve ter lido o trabalho dos ilustres sociólogos e concluído que música clássica não agrega receita para os cofres da prefeitura, sorriu ao constatar que estava certa ao liberar os grandes shows na cidade.
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Talvez o futuro em termos de comunicação, cultura, jornalismo e entretenimento seja o inverso do que hoje estamos acostumados a ter como verdade: o tecno-brega, assim como todo o resto do lixo musical, cultural ou editorial, vai ser um lucrativo bem de consumo. E Gay Talese, um dos grandes nomes do jornalismo do século XX e um dos inventores do new journalism, talvez esteja equivocado em relação ao conteúdo gratuito do NYT (que, aliás, vai se desenhando como o grande benchmark para o futuro mercado de informação digital).
Mas será um grande prazer podermos ler toda a sua obra, de graça, gentilmente cedida por um grande, inteligente e elegante patrocinador - que vai ganhar, aqui pelo menos, um potencial consumidor de seus produtos.