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Author Archive for Andre Felipe

Pelos Homens Reais

Por conta desse vídeo postado aqui pela minha (já muito estimada) companheira de postagens Adriana, que só não é perfeito porque a trilha não é do Barry White, resolvi escrever esse post - cujo nome, devido ao novo acordo ortográfico, acabou ganhando um sentido dúbio, ainda que surpreendentemente coerente.

Acontece que o homem comum anda muito desprestigiado. O hilariante vídeo, logicamente, é a condição do homem comum levada às últimas consequências - leia-se as mais ridículas e constrangedoras possíveis. Me sensibilizou isso. E me levou a comparar esses homens - e todos os outros bravos representantes da masculinidade perdida - com o que, hoje, é a representação do homem perfeito, bacana, tesudo, desejado e amado pelas mulheres.

Como são muito os exemplos, resolvi escolher alguns cases, também emblemáticos e superlativos, para ilustrar meu ponto. São casos que não são necessariamente interligados, mas que possuem, no fundo, a mesma fonte: o estereótipo do homem ideal.
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O novo plástico?

Eu não sou um tweet
A Casa do Futuro, criada na década de 50 na Disneylândia, era feita de plástico.

Eu acho, assim sem nenhum embasamento científico, que o plástico foi mesmo A GRANDE invenção do século 20. E também tenho certeza que a invenção do plástico foi recebida com grande entusiasmo pela sociedade. Novas possibilidades surgiram. Novos formatos. Novas perspectivas. “Tudo vai mudar daqui pra frente”. O plástico era a solução para todos os nossos problemas, era o futuro da humanidade, era o caminho para um mundo mais limpo e organizado.

E todo esse entusiasmo tinha suas razões. O plástico virou rapidamente parte fundamental do nosso dia-a-dia em embalagens, útensílios, aparelhos domésticos, equipamentos, computadores, etc, etc, etc. E virou, também, parte fundamental do lixo que produzimos sem nenhuma culpa, sem nenhuma racionalização, sem nenhuma nóia. É pura praticidade, pura facilidade, puro tempos modernos.
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O SPFW e a Teoria do Circo

Do tempo em que eu trabalhei em parceria com o Marcelo Rosenbaum não sobrou muita coisa em pé. A Teto fechou, o Namesa também. Mas o que sobrou foi bacana: A Banca de Camisetas e a Teoria do Circo.

A Banca todo mundo conhece, mas a Teoria do Circo (TC) ficou obscura durante todo esse tempo. Até hoje, pois é meu dever revelar a teoria aqui e agora.

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Naqueles tempos, o Marcelo andava muito solicitado (deve andar ainda mais hoje) e atendíamos, quando era o caso dele precisar de um designer gráfico, todo tipo de demanda - das mais glamurosas até as mais esquisitas.

E foi numa dessas que a Teoria do Circo surgiu.

Belo dia o Marcelo me liga perguntando seu eu poderia ir com ele em uma reunião em que trataríamos de uma repaginada geral no Bar do Elias, tradicional bar ligado ao futebol e especialmente ao Palmeiras, pela sua proximidade com o Parque Antártica, na Pompéia.

Fomos. Chegando lá, uma reunião que lembrava o casting de um filme do Almodovar juntou, numa mesma mesa, o Marcelo, eu, o dono do bar (filho do Sr. Elias que, doente, já não tocava mais o estabelecimento) e um certo consultor de marca cujo nome eu lamento demais em não lembrar. Mas vamos tratá-lo, aqui, como Dr. Fantástico.

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A Lei Rouanet, vale pra quem?

Dia desses, por conta de uma discussão aqui no blog, resolvi simplificar a minha vida. Calcei minhas percatas, peguei meu ukelele e fui, alegremente, tocando um riff de carimbó até o estacionamento, onde embarquei no meu Gurgel BR1 a alccol de babaçu.

Acendi o rádio à lenha e, depois de deixar meus 18 filhos filhos no curso de cultura xavante contemporânea, ouvi uma notícia que realmente me deixou com a pulga atrás da orelha: os técnicos do MinC vetaram um projeto de Lei Rouanet, no valor de 2 milhões de Reais, para uma turnê do Caetano Veloso.

Os técnicos vetaram, mas o ministro soube e prontamente sugeriu reverter a decisão, sob o argumento de que a comissão que sugeriu o veto “acertou no sentido mas errou na forma”. E foi aí que veio a questão: o que é relevante para a cultura nacional a ponto de receber os incentivos fiscais da Lei Rouanet?

Eu acho que a resposta vai acabar sendo, sempre, muito subjetiva. Se o técnico fosse eu, o que eu aprovaria? E se o mesmo técnico fosse um intelectualóide de esquerda? Eu sinceramente fiquei perdido. Patrocinaria um baile funk (”popular”) ou uma orquestra sinfônica (”elitista”)? O que faria com um pedido de incentivo para um festival de maxixe e kuduro (!!!)? O que é relevante para a cultura nacional? Ivete Sangalo? Trio Mantiqueira? Carnaval? Tecnobrega? O que mereceria o apoio financeiro oficial, se pudéssemos escolher com isenção de credos ou lobbies?

Alguém aí saberia me explicar? Preciso correr, que o meu Gurgel tá pegando fogo.

Um beijo no seu coração

Não, não se trata de uma mensagem dedicada ao dia dos namorados: estamos falando do grito de guerra dos artistas populares e dos grandes pastores que guiam a turba de fiéis telespectadores da TV aberta nos finais de semana.

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O escritor americano Gay Talese, em recente entrevista na Folha de São Paulo (sem link: li no jornal), afirmou que a grande burrada do NYT foi ter disponibilizado seu conteúdo gratuitamente na internet.

Trata-se de uma opinião hoje considerada por muitos como ingênua, mas o escritor passou a vida inteira dentro do grande símbolo do jornalismo moderno e devemos, pelo menos, ouvir seu ponto de vista. E também não temos certeza de nada para poder, categoricamente, concordar ou discordar. Estamos meio perdidos também.

Mas, no fundo, ele está sustentando sua afirmação em um conceito que hoje, ainda, temos como certo: se você quer um produto de qualidade, deve pagar pelo que esse produto vale, pois é resultado do acúmulo de trabalho de muita gente qualificada.

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Enquanto isso, na sala de justiça, ilustres sociólogos especialistas em comunicação e internet  descobrem, depois de muito analisar, a estarrecedora verdade: no Brasil, tecno-brega vende 800 vezes mais do que jazz ou MPB.

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Campos do Jordão, depois de muitos anos de proibição, reinaugurou ontem a sua temporada de shows de axé - e de outros ritmos populares, como pagode, lambada e sertanejo - com um grande show de Ivete Sangalo.

Certamente, os animados turistas gostaram. Enfrentaram o frio e a garoa na fila ou a bordo de seus Astras tunados, de seus tênis Puma edição especial Ferrari, de suas golas rolês e de suas namoradas cafonas vestidas de Diesel dos pés à cabeça para pagar 100, 200 reais e ganhar um caloroso beijo no coração em plena altitude, na cidade que vinha adotando a música clássica como seu símbolo cultural maior.

O Trio Mantiqueira, de música de câmara, ficou às moscas no belo auditório da cidade - apesar dos preços irônicamente populares. A cretina da nova prefeita jordanense, que deve ter lido o trabalho dos ilustres sociólogos e concluído que música clássica não agrega receita para os cofres da prefeitura, sorriu ao constatar que estava certa ao liberar os grandes shows na cidade.

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Talvez o futuro em termos de comunicação, cultura, jornalismo e entretenimento seja o inverso do que hoje estamos acostumados a ter como verdade: o tecno-brega, assim como todo o resto do lixo musical, cultural ou editorial, vai ser um lucrativo bem de consumo. E Gay Talese, um dos grandes nomes do jornalismo do século XX e um dos inventores do new journalism, talvez esteja equivocado em relação ao conteúdo gratuito do NYT (que, aliás, vai se desenhando como o grande benchmark para o futuro mercado de informação digital).

Mas será um grande prazer podermos ler toda a sua obra, de graça, gentilmente cedida por um grande, inteligente e elegante patrocinador - que vai ganhar, aqui pelo menos, um potencial consumidor de seus produtos.

Susan Boyle e o pato.

Me desculpem aqui os publicitários e comunicadores, mas eu vou no popular: pra mim toda mídia de massa é uma merda (Wagner, podia palavrão?). Mesmo se considerarmos a diferença entre as mídias de massa do passado e as de atualmente, as we know it, tudo continua sendo usado em nome da idiotice.

Comunicação inteligente na internet e na TV continuam existindo, mas não nos servem, antenados e inteligentes publicitários: os ibopes são traço, nos dois casos.

Pois saiba vc, blogueiro, que Susan Boyle, aquela idiotice sentimentalóide, é o vídeo mais assistido da história do universo, com direito a manadas de gnus twittando entre lágrimas, RTs em massa, longas-metragens sendo arquitetados pelos maiores estúdios de Hollywwod, e agências de publicidade planejando o audacioso viral de oportunidade definitivo.

Parece idiota, mas podemos estar certos, pois até o Zeca Camargo, do Fantástico, foi lá tirar uma casquinha. O que não me surpreende: o mesmo programa selou, na frente de bilhões de espectadores da classe média, o destino do pato. Sim. Foi no Fantástico que o pato prometeu pra todo o Brasil, mediante exclusividade na cobertura do evento, que vai se casar com uma menina terminada em “y”, no mais puro estilo Francielly ou Camilly. O nome, não lembro, e não vou pesquisar por que não é importante; importante é que se o pato, aos 19 anos, desistir do casamento, quebra o contrato com a Grobo. Trai a confiança dos brasileiros. E causa uma comoção geral, por 5 longos minutos, no twitter.

Mais ou menos como a coitada da Susan Boyle, que no fim perdeu, teve um troço, e voltou pra sua triste história. Amanhã tá todo mundo feliz, tuitando por aí, aguardando a próxima bobagem para transformar na nova onda da internet. Para a alegria, logicamente, dos novos especialistas em mídias sociais.

Vik Muniz, Shepard Fairey

vik_monalisa

O assunto do momento é a exposição do Vik Muniz no MASP.

O cara é fera, e não é necessário escrever aqui sobre ele. Aliás, no meu caso, também não é seguro: não sou crítico de arte para arriscar algum palpite. Mas tem uma coisa que me deu um estalo hoje. Vendo essa imagem aí da Mona Lisa feita de geléia de amora (!) e pasta de amendoim (peguei no blog do Tas), me lembrei da briga recente, aqui no UoD, a respeito da obra do Shepard Fairey. (O post sumiu? Pra refrescar, era o Milton Glaser metendo o pau no poster do Obama).

O Vik Muniz, artista fodão, então, pode? O Shepard Fairey, designer, não pode? Qual é a diferença? Talvez pela impossibilidade do Leonardo Da Vinci reivindicar a autoria da obra original, o Vik Muniz está fora dessa discussão? Se o Obama do cartaz fosse feito de, vamos dizer, de creme de papaya, ia dar essa briga toda? O Vik Muniz ia reivindicar a autoria?

Se alguém conhece o Milton Glaser, favor encaminhar essas questões.

O fds, “namídia” e no toca-discos.

Quem já leu alguma coisa que eu já tenha escrito deve ter esbarrado com alguns desses dois temas: discos e revistas. Gosto deles. E hoje resolvi falar desses assuntos pela primeira vez aqui também. O nome desse post, by the way, é uma singela homenagem à minha amiga Mercedes Tristão, e foi escolhido porque as revistas desse final de semana trazem duas “tendências contemporâneas” - o nome de um movimento genial idealizado pela Mercedes (e que mereceria voltar).

Bueno, a primeira tendência contemporânea que eu encontrei nesse final de semana é mais evidente: ninguém quer mais compromisso. Pega a revistinha da Folha e dá uma olhada no cara da capa, e vc vai ver o povo que consideramos descolado atualmente, morando sozinho com um cachorro, trabalhando meio frila… Não estou fazendo julgamento, repare: estou constatando um movimento crescente. Resultado? Tá difícil encontrar um apartamento de quarto e sala em São Paulo (ou nos Jardins, Pinheiros, Itaim…). Mas ainda tem uns grandes, se vc tá podendo.

A segunda é menos óbvia. Na capa da Serafina, também da Folha (que aliás, um dia, vai ficar boa, porque o formato permite) tá lá o Angeli fazendo cara de mau. E isso é uma coisa que vem aparecendo bastante. Gente que sempre foi rebelde, mal-comportada (no sentido social da palavra), contracultura, agora é capa de revista fina. Esse pessoal virou chique. Ser bad boy hoje em dia não vale nada. Ter sido bad-boy é chique. Procura por aí que vc vai achar mais.

E a última desse post, dessa vez fora das revistas. Passeando pelas belas instalações da Livraria da Vila, me deparei com um baú (meio clichê) com LPs dentro. Pra mim, na verdade, não é lá muito novidade, mas é pra muita gente a volta de um tempo em que a música ainda tinha uma dimensão material. Pra quem dá valor pra isso. E quando eu fui pagar o “gatefold” de “Frank”, da Amy Whinehouse, o vendedor comentou que tanto esse disco quanto o “Back to Black”, que eu já tinha, trazem as letras das músicas impressas no verso da capa. Uma bobagem, vc vai dizer. Mas sei que tem gente aqui que acha isso sublime. Eu inclusive. Quem mais?

Trip FM no farol

Tudo bem que eu sou da Trip. Mas, mesmo se não fosse, acho que eu faria esse post do mesmo jeito. Pra divulgarmos o TripFM, que está há mais de 25 anos no ar, bolamos uma ação rápida e muito simpática nos faróis da cidade, um pouco antes do programa. O pessoal que participou da ação acabou sintonizando. E ouvindo a entrevista da Paula Toller, o que não é nada mau.

Bom, a gente está sempre pensando coisas assim. E como tem muita gente criativa por aqui, aceitamos sugestões. Nossas ações do mkt estão aqui, no Trip:Updated. Passa lá, dá seus pitacos que a gente está a fim. A nação Trip agradece.

Um filho, talvez…

Em pleno fechamento de Trip e Tpm, uma equipe da Enxame TV veio de câmera na mão para conseguir um momento bastidores da nossa redação. Coisa de cinema.

enxame

Trip:Updated

Trip:Updaters

É isso aí. Depois de um ano de negociações, ajustes, filosofias e uma boa dose de entusiasmo com a história toda - principalmente do Wagner e do Guga, nosso gerentão aqui, a quem eu agradeço demais -  agora a Trip também tem um canal aqui nos Updaters. Legal vcs repararem que esse canal será dedicado a mostrar o que a gente tem feito aqui no Mkt e na divisão de projetos especiais: tipo os nossos “internal affairs”, coisa que não sai na mídia especializada com muita frequência, mas que eu tenho certeza de que é interessante aqui pro pessoal. Vai lá. Tem o site mesmo, que estamos chamando de Trip:Updated, e também um anêmico twitter, que eu acabei de criar, e que merece ser seguido por tão ilustre platéia. Valeu moçada, vamonessa.

Jabá afetivo: novo site da Trip

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Eu acho que ao longo desses 23 anos de história (25, se contarmos o Trip FM), a Trip se tornou, para mim e para muita gente, um estilo de vida. Um mundo do qual temos orgulho de fazer parte, tanto como leitores quanto como participantes do processo de construção da revista.

Estou falando isso porque agora pouco subiu o novo site da Trip, que é mais ou menos a síntese dessa história toda. O que era um programa de rádio virou uma revista, e o que era uma revista virou um universo próprio de pessoas e idéias. E esse universo agora, desculpa o trocadilho, está online. Tudo junto agora. Rádio, tv, revista, podcast, viagem, esportes, Trip Girls, etc, etc, etc, tudo em uma plataforma que, pra gente aqui da Trip, representa muito mais do que simplesmente um site novo: representa o começo um movimento permanente, uma corrente pra frente que foi pensada para que todo mundo possa fazer parte e ter seu espaço.

Nuff said, vai lá.

www.trip.com.br



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