O romance Dom Casmurro, uma das muitas obras-primas de Machado de Assis, vem despertando paixões, discussões e polêmicas desde a publicação de sua primeira edição, em 1899. Dentre tantos motivos, por ter legado a fascinante figura de Capitu, a personagem dos “olhos de ressaca” que recentemente motivou a publicação de um livro, Quem é Capitu, composto por ensaios, crônicas e contos escritos por nomes como Millôr Fernandes, Lygia Fagundes Telles e Luis Fernando Veríssimo instigados pela dúvida mais conhecida da literatura brasileira: houve ou não a traição a Bentinho?
Luiz Fernando Carvalho, diretor da minissérie Capitu, que será exibida de 9 a 13 de dezembro na rede Globo, também é autor de um dos textos desse livro, publicado pela editora Nova Fronteira. E, a fim de divulgar essa adaptação para a TV, que trará as atrizes Letícia Persiles e Maria Fernanda Cândido personificando Capitu, duas ações foram criadas pela agência LiveAD, com desenvolvimento da Simple Brasil e design da Sant.a. A primeira, Capitucrossing, deixou cerca de dois mil DVDs com imagens da minissérie em locais públicos de 5 cidades - São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Recife e Brasília -, com instruções para repassar o material a outras pessoas e compartilhar suas impressões no site.
A segunda ação é o projeto Mil Casmurros, a maior leitura coletiva já promovida de Machado de Assis. Dom Casmurro foi dividido em mil trechos, disponibilizados na Web para que internautas de todo o país possam lê-los e gravá-los, por meio de webcams e câmeras digitais. Nomes como Tony Ramos, Camila Pitanga, Regina Duarte, Ferreira Gullar, Elke Maravilha e Fernanda Lima já deixaram seus vídeos de leituras no site. De minha parte, já tratei de gravar o meu vídeo; outro updater que deixou sua leitura por lá foi o Neto.
Conforme já havia sido relatado por Daniel Castro em sua coluna na Folha de S. Paulo de 21 de novembro, a Globo pretende multiplicar suas ações de divulgação na internet. Uma nova sessão, “Por Dentro da Globo”, trazendo informações em tempo real sobre todos os seus programas, e novas ações utilizando ferramentas como o Twitter estão programadas. Os sites Capitucrossing e Mil Casmurros prometem ser apenas o começo de uma nova era para a TV Globo na internet.

Há tempos ocorre por estas plagas o estranho fenômeno no qual o Brasil só reconhece o valor de certos artistas depois que eles recebem o merecido reconhecimento lá fora. Os exemplos são muitos, e sem esforçar muito a memória recordo do caso de Tom Zé. Um dos mentores do Tropicalismo, nunca recebeu o devido reconhecimento por aqui, até que David Byrne, líder do grupo Talking Heads, descobriu durante uma de suas viagens ao Brasil o vinil de “Estudando o Samba” em um sebo, encantou-se com aquelas composições e contratou o cantor e compositor baiano para o seu selo Luaka Bop. Resultado: Tom Zé, que estava a ponto de abandonar a carreira musical para ir trabalhar em um posto de gasolina em sua cidade natal, Irará, no interior da Bahia, lançou no exterior o álbum “The Hips of Tradition” em 1992 (após ter amargado oito anos sem qualquer contrato com gravadoras), foi consagrado pela crítica lá fora e, enfim, passou a ser visto com outros olhos em sua própria terra.