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Arquivo do autor Alexandre Inagaki

Os Gêmeos apagados em São Paulo e consagrados no exterior

os-gemeos-sampa.jpgHá tempos ocorre por estas plagas o estranho fenômeno no qual o Brasil só reconhece o valor de certos artistas depois que eles recebem o merecido reconhecimento lá fora. Os exemplos são muitos, e sem esforçar muito a memória recordo do caso de Tom Zé. Um dos mentores do Tropicalismo, nunca recebeu o devido reconhecimento por aqui, até que David Byrne, líder do grupo Talking Heads, descobriu durante uma de suas viagens ao Brasil o vinil de “Estudando o Samba” em um sebo, encantou-se com aquelas composições e contratou o cantor e compositor baiano para o seu selo Luaka Bop. Resultado: Tom Zé, que estava a ponto de abandonar a carreira musical para ir trabalhar em um posto de gasolina em sua cidade natal, Irará, no interior da Bahia, lançou no exterior o álbum “The Hips of Tradition” em 1992 (após ter amargado oito anos sem qualquer contrato com gravadoras), foi consagrado pela crítica lá fora e, enfim, passou a ser visto com outros olhos em sua própria terra.

Menos mal que a dupla de grafiteiros Os Gêmeos, alcunha utilizada pelos irmãos paulistanos Gustavo e Otávio Pandolfo, não chegou ao ponto de cogitar abandonar suas atividades artísticas. Porém, não posso deixar de lamentar o fato de que, tal qual Tom Zé e muitos outros nomes como Alberto Cavalcanti, Laurindo Almeida, Trio Mocotó e Bebel Gilberto, eles só estão ganhando o merecido reconhecimento na Terra Brasilis após serem reconhecidos no exterior.

O maior exemplo do que digo está na foto que ilustra este post, que achei no Flickr de Fran Mosquera. O grafite acima, que fazia parte de um painel feito há seis anos, de mais de 700 metros quadrados, na Avenida 23 de Maio, pelos Gêmeos na companhia de outros grafiteiros como Nina Pandolfo, foi apagado “sem querer” por uma empresa contratada pela prefeitura de São Paulo no começo deste mês. Ironicamente, esse atentado à street art ocorreu no momento em que Os Gêmeos foram convidados a pintar as paredes externas do castelo de Kelburn, o mais antigo da Escócia, e a fachada da Tate Modern, uma das mais importantes galerias de arte de Londres. Em tempos nos quais museus paulistanos como o MASP e a Pinacoteca do Estado sofreram roubos recentemente, o que dizer de um caso como este no qual uma obra inestimável de street art foi simplesmente apagada e extirpada da visão de nossos olhos embotados de cinza?

A quem ainda não conhece a obra de Os Gêmeos, recomendo assistir ao vídeo abaixo, que encontrei no Portal Senai Design. Cada vez que o vejo, fico mais indignado com o crime que foi cometido contra a arte urbana brasileira.

Ellen Page no Saturday Night Live

O Saturday Night Live que foi exibido nos EUA dia 1º de março teve como apresentadora convidada Ellen Page, recentemente indicada ao Oscar de melhor atriz por Juno. O site da ABC disponibilizou uma das esquetes do programa - um SNL Digital Short que satiriza um dos clichês mais amarfanhados dos filmes de terror: o momento em que alguém acorda esbaforido após um pesadelo. Mas… teria sido mesmo um mero pesadelo? Deleitem-se com o vídeo abaixo, em que Page contracena com o sensacional Andy Samberg.

Em tempo: confiram o Ellen Page Brasil, blog tupiniquim criado para homenagear uma das atrizes mais promissoras dos últimos tempos.

A árvore de Natal do Charlie Brown

Em 1965 foi veiculado na TV americana o primeiro especial de meia hora de duração produzido com os maravilhosos personagens criados por Charles Schulz: A Charlie Brown Christmas. Desde então tornou-se um clássico imediato, sendo reprisado todos os anos na época do Natal. Espero que você já tenha assistido a esta pequena obra-prima de humor agridoce, que marcou a minha infância e de todos que já assistiram a este desenho animado. A versão que encontrei no YouTube é resumida, mas já serviu para saciar minha nostalgia.

charlie-brown-xmas-tree.jpgO desenho, além de criticar o excessivo comercialismo em torno da data (e isso em 1965!), resgata o verdadeiro sentido do Natal por meio de um belo monólogo feito por Linus. Mas, para mim, a imagem mais marcante desse episódio é a pobre e desajeitada árvore de Natal providenciada por Charlie Brown (que faz com que Snoopy dê uma das risadas mais gostosas que já ouvi na vida).

Quando encontrei na Web uma réplica desta árvore à venda, ela imediatamente tornou-se um objeto de desejo para mim. Pois considero que a árvore de Natal de Charlie Brown é um símbolo do verdadeiro espírito desta data. Algo humilde, que desperta compaixão e ao mesmo tempo simpatia. E que também me faz recordar de tempos nos quais eu era menos cínico e cético. Aliás, todos nós.

Viajarei nesta manhã e só retornarei à rotina de compulsivo internauta após o dia 25. Deixo aqui, pois, com uma certa antecedência, meus votos de Feliz Natal a todos os leitores e meus colegas updaters. A vocês, dedico-lhes um provérbio libanês: “que teus olhos sejam atendidos”. Um abraço a todos!

Faces in places

O blog Faces in Places possui a seguinte proposta: reunir fotos que, ao emoldurar sob determinado enquadramento objetos ou lugares presentes em nosso dia-a-dia, fazem com que tenhamos a impressão de vislumbrar faces humanas em imagens que antes passariam desapercebidas em nosso cotidiano. Participe você também deste blog simplesmente viciante: suba suas fotos e junte-se ao grupo Faces in Places no Flickr.

Te amo mesmo assim

Eu sei de tudo. Mas eu te amo.

A ilustração ao lado é a imagem escaneada de um adesivo que recebi por correio, em meados dos anos 90, na época em que os escândalos protagonizados por Fernando Collor e PC Farias dominavam as manchetes de jornais. Dizer que esta bandeira estilizada, criada pela agência AlmapBBDO, permanece atualíssima, é tão redundante quanto incorrer em expressões como “água molhada”, “decapitar a cabeça”, “brinde gratuito” ou “amor insensato”. Mas enfim, mais insensato seria deixar de gostar deste país, apesar de tudo ou de todos.

Hoje, no dia em que é celebrada a Independência do Brasil, tomo emprestados alguns versos do poeta maranhense Sousândrade, por descreverem com precisão este país complexo, contraditório, vilipendiado, adorável, que, como alertou Mestre Tom Jobim, não é para principiantes. Até porque amar não é para amadores.

Brasil é braseiro de rosas,
A União, estados de amor.
Floral, sub-espinhos daninhos;
Espinhal - sub-flor e mais flor.

Twitter

What are you doing?” Esta é a pergunta com que o Twitter recebe seus usuários. Em uma definição expressa, Twitter é um microblog no qual os posts não podem passar de 140 caracteres. Teoricamente, serve para que qualquer internauta relate o que anda fazendo por aí. Correríamos, pois, o sério risco de ver a Web ser invadida por posts do tipo “estou comendo pão com manteiga na chapa” ou “acabei de dar a descarga”. Na prática, é mais interessante do que pode soar à primeira vista.

twitter2.gifUm grande atrativo do Twitter é a opção de você acompanhar as atividades de outras pessoas, seguindo as páginas de outros usuários. Seria uma espécie de Big Brother virtual? Depende. Certamente haverá quem queira abrir uma conta pelo mero voyeurismo de acompanhar vidas alheias, e outros que prefiram receber notas do New York Times, BBC e Último Segundo, ou de uma campanha publicitária, vide o Twitter sobre os bastidores da produção de Play Doh, novo filme para o Sony Bravia.

O fato de a página poder ser atualizada por meio de SMS, IMs e e-mails dá mobilidade e agilidade a quem o atualiza, tornando-se ferramenta de ótimo potencial para o ciberjornalismo. Por exemplo, o recente terremoto no Peru, que pôde ser acompanhado através de usuários que relataram acontecimentos em tempo real, através de celulares e smartphones.

Você também pode fazer de seu Twitter uma movimentada rede de camaradas disseminando informações, úteis ou não, ao longo do seu dia. Cristiano Dias, diretor da Vilago e criador de um ranking da “twittosfera” brasileira, publicou em sua página uma boa definição para o Twitter: “o fruto do amor proibido entre um Scrap e uma janela do MSN”.

Ferramenta de networking, veículo de egotrips expressas, meio de informações, agregador de links, mesinha de bar virtual… Fica aqui o convite: siga meu exemplo, puxe uma cadeira e faça de seu Twitter o que lhe vier à cabeça.