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Arquivo do autor Daniel Xavier (Atl/US)

Mostra a tua cara

mut.jpgOnde está a classe artística engajada num momento de desgraça política como o que estamos vivendo? “Em casa, guardada por Deus, contando o vil metal”? Aqui nos EUA, toda hora tem celebridade na mídia se impondo politicamente ou cantores fazendo protestos nos shows. Nos tempos em que expressar seus pensamentos era crime no Brasil, não faltavam expoentes da música e outras artes utilizando o holofote à favor das causas da população. Agora, que finalmente temos a liberdade que muitos morreram buscando, nossos artistas estão calados. Há tempos não tomo conhecimento de uma canção política que expresse o sentimento do povo brasileiro. Só mesmo a “Melô do Créu”.(Assine a petição online pelo impeachment de Gilmar Mendes da presidência do STF. É simples e rápido. Participe também das manifestações do próximo sábado, dia 19, às 10:00 horas. Em SP: no vão do MASP; No Rio: Candelária; Em BH: Praça da Liberdade; Em Porto Alegre: Monumento do Expedicionário; Em Curitiba: Boca Maldita)CIDADANIA OR DIE!

Por hoje é só, pe-pe-pessoal

Via S&H

Agregando valor à marquinha

Está começando uma das semanas mais improdutivas do calendário anual da propaganda. Primeiro porque é difícil se concentrar naquele job de lançamento imobiliário enquanto saem os resultados do prêmio mais importante do mercado, o Festival de Cannes, que vai até sábado. Segundo porque o seu diretor de criação provavelmente foi pra lá e você está tão à toa quanto ele. Aproveite então e dê uma olhada nesse videozinho que eu fiz sobre o Festival pra você entrar de vez no clima da Riviera Francesa. Depois disso é só convencer as atendimentos a fazerem top-less.

 

Nova campanha do Cartoon

Ô Wagner, tá valendo auto-promoção? Tarde demais :P

(veja os outros dois filmes após o jump) Continue reading ‘Nova campanha do Cartoon’

Música de protesto

2477545691_00d15b876a2.jpgAinda ecoando o post da Lalai, mais abaixo, indico uma visita às fotos do showzaço do Radiohead ontem, aqui em Atlanta, tiradas pelo Atlanta Journal-Constitution. As imagens ficaram ótimas. Essa ao lado não é do jornal. Quem tirou foi a minha supervisora de criação, a Manu, que enquadrou uma das bandeiras do Tibete que estavam sobre o equipamento da banda. Só pra exemplificar o que a Lalai disse com “nada do Radiohead é mais ou menos”. (botei outras fotos da Manu no Midionauta)

We are Japan

Os astros e estrelas de “We are the world” com os olhos puxados. E eu não estou falando de plástica.

Intestino preso

O Neto postou o vídeo do cidadão que saiu pra fumar um cigarro e ficou 41 horas preso no elevador. Pois é, não demorou muito pra surgir a primeira paródia. Só que, no vídeo abaixo, ao invés de sair pra fumar, o cara entrou no elevador por causa do número 2. E eu não estou falando do andar. 

  

Caixa 2

O Wagner já deve até ter colocado minha foto em cartaz de crianças desaparecidas (depois eu me explico, comandante) mas eu tinha que abrir uma brecha pra dar essa notícia. Começou a ser vendido na Amazon o DVD do filme “Manda Bala”. Eu falei sobre ele meses atrás. O filme é um documentário rodado inteiramente no Brasil, dirigido pelo americano Jason Kohn, sobre a relação entre corrupção e violência aí na terrinha. Você tem dois bons motivos pra comprar: 1) ele está fazendo enorme sucesso aqui fora, premiado melhor documentário em Sundance; 2) a exibição está proibida em território brasileiro. O deputado Jáder Barbalho, entrevistado no filme, ameaçou processar o diretor, caso “Manda Bala” entre em cartaz aí. Por isso, amigo, dê o seu jeito mas, por favor, compre esse DVD e divulgue (eu juro que, diferente do Barbalho, não estou levando nada por fora).(O DVD custa cerca de 25 dólares. Compre AQUI).

“Where in the world is Osama Bin Laden?”

Morgan Spurlock, o cérebro e o fígado envenenado por trás de “Super Size Me”, onde documentou seus 30 dias de refeições ininterruptas no McDonalds, sobreviveu e partiu em uma missão ainda mais mortal. Em seu novo filme, o cineasta vai atrás do tão procurado “número 1” dos americanos. Mas desta vez, não estamos falando da promoção do Big Mac.

O lado em cores da força

O Cartoon Network anunciou, semana passada aqui nos EUA, a compra dos direitos de “Star Wars: The Clone Wars”, a nova série animada que está fazendo os fãs tirarem a cueca pela cabeça sem a ajuda do fortão da escola. Serão mais de 30 episódios, produzidos pela Lucasfilm Animation, com as novas aventuras dos famosos personagens. “I felt there were a lot more Star War stories left to tell”, disse George Lucas. Estréia em 15 de agosto aqui e ainda não tem previsão de chegada ao Brasil. Eu ia postar o link do trailer no YouTube mas a qualidade do material no site oficial é tão melhor, que eu fiquei com medo de amanhecer com uma espada Jedi no pescoço. Acesse www.starwars.com.

Só Steve salva

O fanatismo pela Apple, que eu me referi no Midionauta, virou um documentário que, como toda religião, está cercado de mistérios. Tudo que se tem até agora sobre “Macheads” é um site – que não informa nada – e um trailer, que mostra uma galera muito freak como uma garota que nunca dormiu com um usuário de PC e um cara, brasileiro, que criou o seu Museu do Mac. Definitivamente, o Cristianismo não foi o único culto que começou com uma maçã mordida.

Dinossauro da propaganda

Apesar de toda a expectativa criada pelas inúmeras ações de marketing viral para “Cloverfield”, que estreou aqui este fim de semana, não há como esperar intelectualmente muito de um filme sobre monstros, certo? Você não vai ver uma criatura assustadora, com 50 andares de altura, questionando sua sexualidade, como num Almodóvar, por exemplo. Por isso o longa do produtor J.J. Abrams – de “Lost” e “Star Trek” – é apenas um eficiente filme de monstros, nada mais, nada menos. Faz uma mistura de “Godzilla” com “Bruxa de Blair”: é todo filmado em primeira pessoa pelos personagens, o que serve como desculpa para deixar muita coisa sem explicação. A origem do monstro é uma delas. O expectador fica sabendo apenas o pouco que os personagens sabem. Mas, sinceramente? Funciona. Até porque, qual seria uma explicação razoável para um lagarto gigante invadindo Manhattan? Visitar os parentes no Museu de História Natural? Eu me deliciaria dizendo que o filme é só propaganda mas confesso que me surpreendi – na medida do possível. Talvez porque esse marketing todo faça efeito contrário em mim. Fui esperando um cara fantasiado de jacaré, esmagando prédios de cartolina, com o presidente dos EUA pilotando um caça e dando uma de Jaspion no final. “Cloverfield” é um bom pipocão, prende a atenção todo o tempo (a curta duração, de 75 minutos, ajuda) e tem um desfecho pouco convencional. Claro que não vai ganhar um Oscar de melhor roteiro. Mas bem que, com uma publicidade tão eficaz (a estréia bateu recorde para o mês de janeiro), poderia muito bem disputar um Leão em Cannes.

(Escrevi este texto com todo o cuidado para revelar o mínimo possível sobre o filme. Mas se você quer ver como a criatura se parece e ainda ler o roteiro, clique AQUI. “Cloverfield” estréia no Brasil dia 8 de fevereiro)

(Teaser do novo Star Trek, exibido nos trailers de “Cloverfield”)

Não leia isto

A criação mais poderosa do homem não foram as Facas Ginsu. Foi a imprensa. Nas mãos erradas, a mídia pode produzir grandes catástrofes, e eu não estou falando da Luciana Gimenez. Infelizmente, é este o quadro que predomina desde quando as notícias eram talhadas em pedra, na Roma Antiga: o controle da mídia pelos políticos, pela religião e pelos interesses econômicos. Por causa disso, a imprensa nunca foi sinônimo de verdade absoluta. Parte deste vácuo foi assumido pelo cinema e pela internet. Mas é quando o conteúdo de um encontra o fator multiplicador do outro que os donos do mundo devem ficar realmente aborrecidos.

Zeitgeist” é o filme que eles não querem que você veja. É perturbador, desconcertante, um atentado terrorista contra a mentira. Costura uma impressionante relação entre o Cristianismo, o 11 de setembro e os grandes bancos internacionais. Só faltou linkar o assassinato da Odete Roitman. E, para deixar os banqueiros ainda mais indignados, é de graça. “Zeitgeist” não tem fins lucrativos e foi lançado para a internet. Desde junho de 2007, já foi visto mais de 10 milhões de vezes (só na sua versão em inglês) e já é o filme online mais assistido da história. Assista também. A conscientização é a melhor arma contra o sistema. De qualquer maneira, prepare a Faca Ginsu.

(Para assistir “Zeitgeist” com legendas em português, clique AQUI)

Quem sabe faz ao vivo

Às vésperas deste Natal, em Chicago, uma mini van bateu contra o estúdio da ABC durante a transmissão do telejornal noturno, literalmente entrando ao vivo no ar. O ato, porém, foi intencional. O motorista possui histórico de problemas mentais e disse que só queria aparecer na TV. Nunca antes nos EUA alguém virou celebridade e foi pra cadeia tão rápido.

“Corta”!

Eu geralmente escrevo sobre lançamentos nos EUA que serão depois exibidos em salas brasileiras. Não é o caso de “Manda Bala” (melhor documentário em Sundance 2007). Rodado inteiramente no Brasil, “Este filme não pode ser exibido em solo brasileiro” – como avisam os créditos na abertura. Caso contrário, um dos entrevistados diz que vai colocar um processo nas costas do diretor. E levando em conta que o entrevistado é o deputado federal e “coronel” Jader Barbalho, um processo é a coisa mais otimista que pode acontecer às costas do documentarista.

Para traçar um paralelo entre corrupção e violência, o diretor americano Jason Kohn – filho de mãe brasileira – coloca lado-a-lado Jader Barbalho, protagonista do escândalo da SUDAM em 2001, e a cidade de São Paulo, com sua taxa de 1 novo caso de seqüestro por dia. Entre estes dois pólos mostra os mercados conseqüentes, de carros blindados à reconstrução de orelhas decepadas. E com Tim Maia, Jorge Ben e Tom Zé na trilha sonora, fica ainda mais triste ver tanta gente sem orelha no filme.

No Brasil, não há leis não protejam os documentaristas como as que protegem o jornalista que faz uma denúncia no jornal. Por isso, Jason diz que está tentando encontrar uma forma legal de exibi-lo aí. Mas, se não conseguir, quem é que precisa de cinema pra criar um filme de sucesso no Brasil? Não quero fazer apologia à pirataria mas nunca vi justificativa melhor para ela do que driblar a censura. O filme ainda não caiu na rede mas uma hora vai vazar, e tomara que vire sucesso no camelô. Não tem marketing melhor do que a proibição. E assim o longa chega ao Brasil. Chato é que, neste filme, quem morre no final é o diretor.

Publicado no Midionauta.