Ganja, otimismo e don’t worry about the things. Ninguém dá mais conselhos cuca fresca que o velho e bom reggae. Depois que Bob Marley e Peter Tosh deram baixa no INPS, o porta-voz do tudo-tudo-tudo-vai-dar-pé ficou sendo o simpaticão Jimmy Cliff. Este clip de You can get if you really want é do programaço de TV de Jools Holland e sua espetacular banda. Aliás vá atrás dos DVDs, que vale a pena.
You can get it if you really want
(repeat)
But you must try, try and try
Try and try, you’ll succeed at last
Persecution you must bear
Win or lose you’ve got to get your share
Got your mind set on a dream
You can get it, though harder them seem now
Rome was not built in a day
Opposition will come your way
But the hotter the battle you see
It’s the sweeter the victory, now
You can get it if you really want - I know it
You can get it if you really want - though I show it
You can get it if you really want
- so don’t give up now
Falamos o outro dia sobre o livro do Mario Puzzo e, lógico, houve manifestações sobre a trilogia de Milo Manara e Alejandro Jodorowsky, que não sai do segundo volume há anos. Falando com a Conrad, editora responsável pela publicação no Brasil deu pra descobrir que os editores do mundo inteiro estão na mesma fissura que nós leitores. Mas há motivo: tirando o fato de que o excelente Manara, é um notório vagal -“non me piace il lavoro”- , ultimamente ele andou se dedicando a outros livros, incluindo um sobre a Amazônia. Para completar, a editora original da série, a Albin Michel, foi vendida, Manara mudou de agente e tudo ficou em suspenso. Mas o imbroglio está no fim: tudo indica que o Borgia 3 vai sair em dezembro na Europa. E será um edição com muito mais páginas, sangue, sacanagem, mulheres nham-nham-nham, incesto, intriga e traição. A gente merece tirar o atraso, merece não? (Rogério, muito agradecido)
Depois de emplacar o Malbec, dizem por aí que a próxima aposta argentina é a uva Bonarda (além do Leonel Messi, é claro). Para falar a verdade nunca havia tomado nenhum vinho feito de Bonarda que valesse a conversa, mesmo havendo especialistas que afirmam que ela é a mesma uva que a Dolcetto, prestigiadíssima vinha que arrebenta na Itália, lá no Piemonte. O fato é que provei um argentino que vale o post: o La Posta 2006. Feito no capricho em Mendoza pela bodega La Posta del Vinatero. É colocar o nariz no copo para a boca começar a salivar. E depois que se bebe, o sabor é bastante persistente. Se você também gosta de polenta, acho que rola uma química entre os dois.
Ontem fui a uma sessão para convidados ver Blindness de Fernando Meirelles e sua trupe. Não vou falar quem casa com quem, nem quem morre no final, mas prepare-se para um filme forte, original e importante. Forte porque parte de uma obra escrita em português (não é todo dia) que aborda um tema surreal, mas de uma maneira tão franca e verdadeira que até dá falta de ar. Original porque faz tempo que eu não via um filme que explora tantos os recursos que só o cinema oferece. Como você faria um filme que fala de cegueira? Ou seja, vá ao cinema, não espere o DVD. E importante, bom, só o tempo vai dizer se eu tenho razão ou não. De quebra, o cenário é uma São Paulo que a gente vai reconhecendo durante o filme, o que também é um privilégio raro. Alguém aí foi ver? E que tal?
Sexta feira, oba! Quer um vinho para comprar saindo daqui e abrir quando chegar em casa? Gastando pouco, o argentino Los Cardos pode trazer muitas alegrias. Talvez a uva com o maior fã clube do momento, este Malbec é produzido ao pé da Cordilheira dos Andes pela vinícola Doña Paula com a maior seriedade e é capaz de agradar iniciantes e iniciados. Saborosão, não é vinho pra bancar o chato e ficar falando dele na mesa, mas combina muito com um almoço legal ou uma jantinha caprichada.
Um dos meus prazeres inconfessáveis é grudar num best seller e só largar se a casa pegar fogo ou se a última página chegar. Os Bórgias (The Family, no original) é um romance histórico que levou 20 anos para ser pesquisado e escrito. Deve ser também porque nesse meio tempo o autor se distraiu escrevendo O Poderoso Chefão e os roteiros da trilogia para o cinema. Como diz a capa, é a história da “primeira grande família do crime”. Rodrigo Bórgia é um cardeal espanhol (pai de quatro filhos!) que se torna o papa Alexandre VI, um dos mais perversos da história. O cenário tem a Europa renascentista, a Inquisição e personagens contemporâneos como os Médici, os reis Fernando e Isabel de Castela, Michelangelo, Maquiavel e grande elenco. Daí para a frente o livro entrega o que promete: intriga da grossa em pleno Vaticano, incesto, assassinato, conspiração, sexo, alianças políticas, costumes de época esquisitos e desvios de personalidade ocasionados pelo poder momentâneo. Enfim, é a obra derradeira de um autor que merece um tipo de letra maior que o próprio nome do livro. Pode ser até acusado de algumas imprecisões, mas é um livrão. Se você se interessou, saiba que Milo Manara e Alejandro Jodoroswsky estão no segundo volume de uma trilogia de quadrinhos com o mesmo tema e aquelas mulheres nham-nham-nham que só o Manara consegue fazer. Mas esse é outro post.
Saiu o JazzMasters 2. Para quem não conhece, pode ser uma das coletâneas com o que tem de mais sofisticado na Black Music atual. Pode ser também um dos melhores programas de rádio que seu dial pode pegar. Ah, e também pode ser um site onde você pode conferir tudo isso agora mesmo. O fato é que recebi o JazzMasters 2 The Best of Groove e o CD é recheado de muitos backing vocal afinadinhos, vozes negras de todos os calibres, versões hiphopadas de velhas conhecidas e uma grooveria generalizada que faz você achar que tem mais melalina do que realmente tem.
Mashup do Pré-Cambriano. Este musical de 1980 tem um contingente limitado de fãs e foi um dos últimos filmes do genial Gene Kelly. Tem ainda o canto do cisne da Electric Light Orchestra (ainda em grande forma) e lógico, a tchuchuquinha Olivia Newton-John. Provavelmente seja também uma das primeiras tentativas de misturar estilos. Se você ficar constrangido com o figurinho de Pato Donald do Michael Beck ou com a audaciosa coreografia da banda de rock, pule logo para o final que é onde a coisa, propriamente dita, acontece.
Aproveitando o post do Bonecão de Olinda:
Sexta à noite. Trucidado pela semana entro no elevador pensando na rota de fuga, mas perco a concentração com a plasminha dentro do cubículo me dizendo que tem um provedor que é o ó e custa só R$39 por mês. Só penso em chegar em casa. No taxi, uma outra tevezinha que fica atrás do encosto de cabeça do motorista coloca umas propagandas na minha fuça. Peço para desligar. Pago a corrida e entro em casa. Vamos pedir uma pizza? Chega o motoboy e me entrega a caixa com a janta dentro. Do lado de fora, ofertas para comprar hoje mesmo meu zero quilômetro. Janto sem digerir direito aquela caixa amarela cheia de carros e splashes. Sábado de manhã, oba, cadê o jornal? Ah, deve estar dentro deste saco com os dizeres “Venha se encontrar com seu bem viver” do lado de uma fotinho de um prédio. Socorro, estão invadindo minha casa. Fujo para a padaria. Antes de entrar ganho um folhetão de outro lançamento imobiliário, mas este é o “qualidade de vida no ponto mais nobre do bairro”. O folheto vale um café. Dispenso, acho que estou ficando mal humorado, não vai cair bem. Vou dar um volta no parque. Na entrada tenho que fazer um slalon no meio de uns caras fantasiados à la Star Troopers montados em patinetes motorizados de uma seguradora. Hora do almoço. Encontro os amigos no japonês. Toca o celular. Pronto, mais um aluguel. É uma mocinha falando português de script me xavecando para mudar de operadora. Desligo no meio da frase e termino de cumprimentar meus amigos. A comida chega. Os hashis chegam embrulhados em propaganda de banco “homenagem aos 100 anos da imigração japonesa”. Quer homenagear? Vai lá na Liberdade beijar as pessoas rua e me deixa almoçar em paz, pô! Imploro a todos os que acompanham o uptaders: piedaaaaaade!!!!
Já que é a Semana Mundial do Post Chinês, aqui vai mais um. Great Wall Tinto Seco. Já provei. Veio na mala, trazido pelo amigo Roger Rocha (grazzie, Roger) depois de umas férias por lá. Ao entrar num restaurante, ele fez questão de pedir vinho chinês. Pronto, foi tratado feito Chefe de Estado, tamanho o orgulho do restauranteur. Papo vai, papo vem, os curiosos chineses ficaram assombrados: jura que se faz vinho no Brasil???
Esta semana foi o Decanter Wine Show em SP. Fui lá e me senti em um concurso de misses, cada vez que eu provava um rótulo diferente achava que aquele sim era o melhor. Um bem impressionante é o riojano Hiru 3 Racimos 2003. Produzido por Luis Cañas, dá a impressão que estão em busca do vinho perfeito. Para começar, as uvas que vão virar vinho vêm de videiras com mais de 60 anos. Como se não bastasse, para fazer o Hiru, as eleitas são as uvas dos pés que dão apenas 3 cachos (racimos) ou menos. Assim a plantinha concentra todo o seu esforço e qualidade. Daí são separadas e vinificadas em pequenos depósitos com temperatura controlada. A quantidade de vinho produzida neste processo é bem limitada e por isso, não é todo ano que o Hiru é engarrafado.
Fiz também alguns achados bem acessíveis: o bordeaux Chateau Bel Air Perponcher Reserva 05, sempre elegante e muito regular entre uma safra e outra; o espanhol Três Lunas Toro Crianza 03, vinho moderno, vivo, bem completo e o italiano Cardetto Pinot Noir Umbria IGT 05 bem interessante e mais leve, caso o tempo esquente.
Ontem fez 45 anos que Marilyn Monroe cansou da vida loca e resolveu fazer carreira em posters, camisetas, souvenirs, canecas e imãs de geladeira. De tudo que se fala dela, o que tem de mais nebuloso é seu suposto romance com JFK e a teoria da conspiração de que o Presidente Kennedy estaria envolvido na morte da loura quanto-mais-quente-melhor. O video de 1962 mostra uma festa de aniversário de John Kennedy celebrada na Casa Branca. Adivinha quem foi convidada a cantar Happy Birthday to You? A própria. Na platéia, a primeira dama Jaqueline Kennedy com o pau de macarrão em riste, parlamentares, VIPs e um monte de homens formando uma poça de baba no chão. Ela morreu dois meses depois e JFK no ano seguinte.

No meio de tantas ofertas de preço camarada e vinhos moderninhos parecidinhos uns com os outros, ainda dá pra encontrar coisas impressionantes sem gastar os tubos. Feito na Espanha, em Rioja, Tondonia Branco Reserva é old style: de tão bom, tradicional e diferente do que tem por aí, me lembra o Paulino da Viola, um mestre que parece que nasceu em época errada. Nada de cheirinhos cítricos e gostinhos frutados. O nariz fino impõe respeito, na boca parece um Jerez que não quis ser só um aperitivo. Quem diz que não gosta de vinho branco, vai mudar de opinião.
Não é novidade, mas é bonita e muito bem feita. A revista literária Arte e Letra, publicada pela editora de mesmo nome foi uma compressa de chá de camomila para estes olhos, calejados de devorar posts. O tamanho é perfeito, o papel uma delícia e a diagramação de dar inveja. Gosta de autores conhecidos? Esta edição tem Stephen King, Eça de Queirós e Saramago. Você gosta de descobrir novos autores? No meio tem um monte. Como explica o prefácio, a idéia básica é abastecer leitores de estórias, supondo que uma revista com vários textos mais curtos do que um livro, que apresente novos autores, que publique contos inéditos, ensaios e traduções de obras que nunca foram lidas em português pode ser muito atraente.E é.
Semana que vem a importadora Decanter coloca -literalmente- seu ótimo catálogo de vinhos à prova. Para quem não conhece o evento, imagine-se num grande salão, onde você tem uma taça na mão e está cercado por mais de 300 vinhos e 50 produtores da França, Itália, Espanha, Portugal, Africa do Sul, Austrália, Chile, Uruguai e Argentina. Embora tenha gente que pense que é uma espécie de Oktoberfest, não caia nessa. Entre um gole e outro, e essa é a idéia, a ocasião é perfeita para para dar um upgrade nos seus conhecimentos sobre vinho com quem conhece do assunto, abastecer sua adega com descontos e ainda dar uma lustrada naquele seu segundo idioma. Agende-se e chame um taxi: dia 04 de agosto no Rio de Janeiro, 05 e 06 em São Paulo, 07 em Curitiba e 08 em Belo Horizonte. Mais informações (11) 3074 5454.