Passeando pelas ruas de Beijing, é possível ver de perto o enriquecimento da população chinesa. Uma boa parte ainda vive abaixo da linha da pobreza, mas milhões conseguiram subir para a classe média e um pequeno grupo tornou-se realmente abastada.
Com frequência ainda maior do que no Brasil, nas ruas é bastante comum ver BMWs, Porshes e Audis (preferido das autoridades), e nas lojas dos grandes shoppings encontra-se as grandes grifes internacionais. E sempre com presença direta no país, sem necessidade de intermediários pela relevância do mercado.
Alguns fatores adicionais estimulam a explosão do setor de luxo na China (crescimento anual de 20% e faturamento atingindo US$ 8 bilhões em 2007), entre eles a cultura da reputação (mianzi).
O mianzi é uma parte fundamental do comportamento chinês. A reputação, familiar e pessoal, deve ser mantida a qualquer custo. Ela funciona tanto de forma positiva para que uma pessoa mantenha-se respeitosa em relação aos princípios, ética e conquistas, quanto de forma negativa quando é alimentada pela posse de bens materiais. Ter um produto de luxo é uma das formas de aumentar a reputação perante a sociedade. Da mesma forma, ao dar um presente, é importante que ele não seja meramente simbólico, ou seja, mais produtos caros.
Está aí um posicionamento para empresas brasileiras que queiram entrar no mercado chinês de consumo, ainda mais que o que é estrangeiro dá mais status. Mais do que a grande maioria das culturas ocidentais, para o chinês ter reputação é (quase) uma questão de vida ou morte.


