Quando a gente acha que já viu bastante, que testemunhou os fatos mais estranhos, assistiu aos vídeos mais bizarros, trabalhou com as pessoas mais malucas, aparece um negócio desses na nossa frente.
É uma pérola.
Ouçam.
Ah, e se alguém por aqui for amigo do Axl Rose, envie para ele. É a vingança que eu sempre esperei.
Dani Andreucci, você é um gênio.
Eu não me lembro qual foi a última vez que mandei um cartão para alguém. Cartão mesmo, sabe? Daqueles com cheiro de papelaria, mensagens meigas, filhotinhos de beagle na capa e frases que SEMPRE terminam com reticências.
“Encontrar você fez a minha vida mais feliz…”
Tudo bem que, em uma determinada época da vida, essas mensagens cafonas fizeram algum sentido. Que atire a primeira pedra quem nunca desenhou coraçõezinhos dentro de um cartão.
Sim. Eu também já mandei cartões.
Mas, confesso, nunca mais vi um cartão na minha mão (o que quer dizer que nunca mais recebi também – mas esse é outro assunto).
Na verdade, recebi sim, mas por e-mail. E foi assim que descobri que a tiazinha brega que trabalhava escrevendo os cartões do meu tempo deve ter sido contratada para trabalhar em um desses sites que distribuem cartões virtuais. Eles continuam cafonas, continuam com frases que deveriam acompanhar uma lagriminha e continuam com as malditas reticências.
Mas nem tudo está perdido.
Agora você já pode mandar um cartão de dia dos namorados sem ursinho branco e peludo na capa, ou um cartão parabenizando o nascimento do filho de um amigo sem uma mensagem que cite a cegonha, ou até mesmo um cartão de amizade, como este que eu mandei para o meu amigo Renato Mott.
O vídeo é mais ou menos, o áudio é ruim, mas ela é muito boa. Ou só eu acho?
Com vocês, Brandi Carlile.
Hoje eu tive inveja de um cara. Não uma inveja qualquer, uma inveja profunda.
O nome dele é Mimmo Cattarinich.
Para quem não conhece, esse homem, hoje um senhor de seus 70 anos, foi fotógrafo de cena de alguns diretores de cinema.
Na verdade o trabalho dele não difere muito do que a gente conhece por Making Of (disponíveis em mais de 80% dos DVD’s de qualquer filme atual). A única diferença é que ele participou de sets de filmagem de alguns filmes “mais ou menos”: La Dolce Vita, Amarcord, Satyricon e outras cositas más.
É. O cara acompanhou Fellini, Vittório de Sica, Sergio Leone, Almodóvar, Bertolucci. Ele estava atrás das câmeras vendo esses monstros trabalharem e produzirem cenas antológicas do cinema.
Um trabalho chato.
Federico Fellinni o chamava de “O mago da Luz”.
(acho que se Fellini fosse vivo e me chamasse apenas de Mariana eu já não estaria mais entre nós). E parte do trabalho deste mago-sortudo-talentosissimo-virado-para-a-lua-fotógrafo está exposto no Sesc Pinheiros.
Vale a pena dar uma olhada e ficar pensando que ele viu cenas como aquela de La Dolce Vita em que Marcello Mastroiani e Anita Ekberg dançam e ele diz para ela:
“Por que veio aqui?
Volte à América, por favor.
O que eu faço agora?”
É. Ele tava lá. Eu não. Que inveja.
Obs: a foto desta cena também está na exposição.