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Decisões: Análise ou Feeling?

HSM Management Ed.66

Com exclusividade para o UoD, uma das perguntas da entrevista com o empresário Jorge Paulo Lemann que estará na futura edição da HSM Management.

Como é seu processo de decisão na análise de um negócio novo?

Ao longo do tempo eu comecei a confiar e depender mais de estudos, projeções e várias opiniões, num processo decisório mais formal. Mas jamais dispenso o feeling. Corremos riscos mais baseados em sentimento do que em análises muito profundas. Eu diria que antes agíamos com 80% de feeling e 20% estudo e, hoje em dia, esse mix talvez seja 50%-50%, mas eu não gostaria de ir na direção de ser 90% de estudos e 10% de feeling. Acho que aquilo que você sente na barriga vale tanto quanto aquilo que está no papel.

Por exemplo, no caso da compra da Brahma, se nós tivéssemos feito o due diligence [análise e avaliação detalhada de informações e documentos de determinada empresa e/ou seu ativo, com abordagem contábil ou jurídica] adequadamente, nunca a teríamos comprado. Logo depois da aquisição, descobrimos grandes problemas financeiros, especialmente no fundo de pensão.

Mas nós compramos. Por quê? Porque nosso feeling dizia que somos um país de população jovem, com muito calor, e acreditávamos que cerveja era um bom negócio mal tocado aqui. Para nós isso valia mais do que se o Lula ou o Collor ia ganhar ou se o fundo de pensão tinha ou não problema. Bom, basicamente estávamos certos, porque conseguimos transformar os cerca de US$66 milhões que botamos lá em 25% do que a Inbev vale hoje em dia.

Outra coisa: se eu vou investir numa empresa e você me disser que aquilo vai fabricar ouro em pó ou pimenta, não me interessa. Tenho muito mais interesse em ver quem está lá tocando a gestão, o que essas pessoas pensam, em que acreditam. Eu sou uma pessoa que aposta muito no ativo humano, essa é minha prioridade, sempre.

A entrevista é de José Salibi Neto (Chief Knowledge Officer do Grupo HSM)

6 Respostas para “Decisões: Análise ou Feeling?”


  1. Icone Gravatar 1 Fernando Cardoso

    Eu sou fã do Jorge Paulo Lemann, desde a época GP Investimentos. O cara tem um perfil empreendedor admirável. Concordo totalmente com ele sobre a decisão tomada através do feeling, daquele friozinho que dá na barriga. O empreendedor sempre se vê diante das decisões que precisam ser tomadas e nem sempre consegue embasamento nos números ou estudos.
    Um abraço,

  2. Icone Gravatar 2 Neto

    Eu tenho sempre esse friozinho na barriga.
    Uma vez tive que vender um Gol por causa dele.

  3. Icone Gravatar 3 Gica

    Eu sempre disse que o problema da cultura do marketing é o maldito script. As leis, as regras e o escambau. Negócios são movidos por números, é claro, mas os número são domados pelo o que as pessoas sentem. Quem bom saber que eu não estou sozinha no mundo.

  4. Icone Gravatar 4 Wagner Brenner

    Opa, que privilégio. Nada como um insider. ;)

  5. Icone Gravatar 5 Jorge Carvalho

    Realmente é um cara diferenciado. Não gosta de aparecer, não anda de Ferrari e não pensa em se aposentar. Fora que é um ótimo tenista!

  6. Icone Gravatar 6 Beto Toledo

    Eu li a entrevista dele todinha na revista… que ganhei do Jorge :p

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