
Esse é meu 12º ano novo porteño. Então, me deu vontade de terminar o ano com minhas humildes e pessoais notas sobre o que vi por aqui ao longo desse tempo. Não vou falar da Capital Federal, essa cheia de turistas, que qualquer um pode conhecer numa excursão. Quero falar sobre minha experiência pessoal na província. Minha mulher é a única argentina de sua família vivendo no Brasil. Final de ano é hora de retornar às suas origens. Voltar a falar [cada vez com mais sotaque] sua língua natal e fazer seu balanço familiar. Quem morreu, quem nasceu, quem comprou uma casa nova, quem arrumou um emprego melhor, quem foi para a Espanha tentar a sorte, quem voltou de Nova York, arrependido. Eu viro observador. E ao longo de todos esses anos, aprendi alguma coisa sobre este povo que, de hermanos, acreditem, não tem nada. A diferença principal, arrisco dizer, está baseada num conceito meio fora de moda no Brasil: a família. Posso estar contaminado por minha própria condição. Talvez alguém encontre uma estatística qualquer que me contradiga. Mas tenho algumas indicações de que não estou errado: aqui os casais ainda se orgulham de ter 5 ou 6 filhos. As casas são feitas para receber a família. Mesmo a crise pela qual passaram e a eventual recuperação dos últimos anos, não permitiu que estes valores se perdessem. Pelas ruas, nos últimos anos, a frota de veículos se modernizou muito, mas as casas continuam custando mais que os carros, como deveria ser. Com grama e churrasqueira. Alias, hoje, último dia do ano, as churrasqueiras estão prontas para a ação. Churrasqueiras que também são diferentes das nossas. As daqui não são buracos para por lenha. São planas, como uma lareira, porque num churrasco argentino, quem se move é a lenha [não carvão] ao invés da carne. Parte do sabor especial do churrasco daqui é graças ao quebracho, muito mais “saboroso” do que nosso carvão. A esta hora, Tommy [nosso Updater porteño] está na frente da sua, começando a preparar um delicioso Cordeirito Patagônico, morram de inveja. E ainda tem os fogos, esses que o Wagner falou num post aí de trás, que contaminam a cidade. Em cada esquina existe um quiosco vendendo de todos tipos. Se você subir num telhado, na virada do ano, verá um espetáculo realmente mágico. Como a cidade é plana, para onde quer que olhe, verá as explosões de luzes, até o horizonte. De futebol, é verdade, eles não entendem nada. Mas enfim, não se pode querer tudo. Ao Wagner, Walter, Paulinha, Cris del Nero e Gorissen, ao Beto, James, Trix, e a todos da Família Updaters, um grande beijo e Feliz Año Nuevo.

