Eu não me lembro qual foi a última vez que mandei um cartão para alguém. Cartão mesmo, sabe? Daqueles com cheiro de papelaria, mensagens meigas, filhotinhos de beagle na capa e frases que SEMPRE terminam com reticências.
“Encontrar você fez a minha vida mais feliz…”
Tudo bem que, em uma determinada época da vida, essas mensagens cafonas fizeram algum sentido. Que atire a primeira pedra quem nunca desenhou coraçõezinhos dentro de um cartão.
Sim. Eu também já mandei cartões.
Mas, confesso, nunca mais vi um cartão na minha mão (o que quer dizer que nunca mais recebi também – mas esse é outro assunto).
Na verdade, recebi sim, mas por e-mail. E foi assim que descobri que a tiazinha brega que trabalhava escrevendo os cartões do meu tempo deve ter sido contratada para trabalhar em um desses sites que distribuem cartões virtuais. Eles continuam cafonas, continuam com frases que deveriam acompanhar uma lagriminha e continuam com as malditas reticências.
Mas nem tudo está perdido.
Agora você já pode mandar um cartão de dia dos namorados sem ursinho branco e peludo na capa, ou um cartão parabenizando o nascimento do filho de um amigo sem uma mensagem que cite a cegonha, ou até mesmo um cartão de amizade, como este que eu mandei para o meu amigo Renato Mott.
