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Experimentos Sociais | Incompetência induzida

Não são poucos os livros e palestrantes que se propõem a transformar você em um “vencedor” num passe de mágica. Pois saiba que transformá-lo em um “perdedor” é ainda mais fácil.

Learned Helplessness (1967/ Martin Seligman)

Simplificando, foi assim: dois grupos de cachorros, em cercadinhos. Em determinado momento, para ambos, bzzzzzzz, o chão dava um pequeno choque contínuo. No grupo I havia um pedal que o próprio cachorro podia acionar e interromper o incomodo. No grupo II o choque era sincronizado com o grupo I, portanto também parava, mas o cachorro não entendia porquê.

Tempos depois o experimento era repetido, mas desta vez a cerquinha era baixa e os cachorros podiam escapar facilmente, que era exatamente o que os animais do grupo I faziam, de cara. Já os do grupo II nem tentavam, ficavam alí aguentando o incomodo. Viraram animais “conformados”, para eles o choque era “inevitável”.

Me lembra outra história, contada pelo meu psicólogo, que os elefantes de circo, quando filhotes, são amarrados em pequenos banquinhos. Depois que crescem, basta usar o mesmo banquinho para o elefante não escapar. Ele nem tenta fugir, acha que tá preso pelo banquinho.

E abaixo, uma simulação de Learned Helplessness reproduzida em sala de aula.

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Da proxima vez que você estiver prestes a entregar os pontos, desistir, e  achar que uma situação é irremediável, lembre-se desses cachorros, elefantes e alunos. E pule cerquinhas e arraste banquinhos por aí.

5 Responses to “Experimentos Sociais | Incompetência induzida”


  1. Gravatar Icon 1 Eric Silva

    Wagner, genial (o filme e o post). Valeu, mesmo!

  2. Gravatar Icon 2 [adams]

    Essa história do elefante me lembra o que os criadores fazem com o gado. Quando o bezerro nasce a primeira coisa que o criador faz é abraçar o bicho para que ele tenha a noção de que o homen é maior que ele. Assim ele jamais vai atacá-lo.

  3. Gravatar Icon 3 Nuno Bianchi

    … Uau, Wagner. E agora como elogiar sem parecer diplomacia?
    Muito legal mesmo.

    O comentário do Adams… pode ser sacanagem e talvez - quem sabe-
    até uma forma de dominar mesmo mas… o método é maravilhoso! Tem
    muito mais a se observar de bom do que de ruim nisso, acho.

  4. Gravatar Icon 4 vinicius Zanotelli

    Engraçado que o contrário - a “competência induzida” - também é valido…
    Em um experimento do governo americano, foram ditos aos piores alunos de um determinado grupo (10, ou 50, não sei ao certo o n° exato…) que, após uma prova, eles obtiveram as melhores notas da turma para entrar em uma faculdade renomada. O que se observou foi que esses alunos apresentaram conceitos ‘B’ e ‘A’ mais do que a média dos alunos dos respectivos cursos, e muito acima da média que possuíam no high school.

    Isso me faz pensar no papel fundamental dos pais, como primeiro indicador do caminho dos filhos; o do sucesso, pelo apoio, confiança, incentivo, ou para o fracasso, pelo descrédito, desonra, e até difamação.

  5. Gravatar Icon 5 Tomás

    É muito interessante ver a vulnerabilidade a que estamos sujeitos. Experimentos como esse, e como o blue eyed, mostra o quanto somos reféns dos meios, e talvez, o blue eyed, mais do que esse, explora o como é dificil sair dessa situação negativa. O que aparentemente é muito simples e tem uma solução óbvia, acaba sendo só mais uma percepção induzida (intencional, ou não intencionamente).
    Acho o comentário do Adams interessante porque mostra como somos levianos com conceitos tão poderosos. A forma como um aspecto tão fundamental é percebida e explorada chega a parecer ignorante. É como se você tivesse poder para mudar as coisas de verdade, e simplesmente direcionasse isso apenas para o bem individual.

    O problemas das descobertas de conceitos sociais, é que dependem da sociedade para que elas possam ser usadas para o bem.

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