20/03/2010   RSS posts: 11768comentários: 34.412 updaters: 559
Bem-vindo(a) ao Updaters - Alameda Mamoré, 535 Alphaville - Barueri - SP (11) 4166.5701 / wagnerbrenner@gmail.com

Slow food, slow blogging &…. slow news

screen-shot-2009-11-08-at-34346-pmDan Gilmor, do Mediactive, centro dos Estados Unidos que visa democratizar a mídia, expôs a impressionante sequência de erros noticiosos no caso do major muçulmano que matou 13 pessoas a tiros na base militar de Fort Hood, Texas, Estados Unidos. Disseram que o atirador estava morto e não estava. Que havia dois cúmplices e não havia. E muitas barbaridades mais, no que foi chamada de uma “orgia midiática” de rumores, especulações e notícias falsas (e também de histeria dos blogs de direita) –se a gente investigasse bem, será que não encontrava o mesmo festival de asneiras aqui na cobertura, por exemplo, do apagão de anteontem? Gilmor quis mostrar como ele consome a mídia com cautela e parcimônia e assim, imagino, estava propondo que lhe seguissem o modelo. Para ficar em um exemplo, Gilmor classifica todas as notícias em primeira mão (breaking news) na categoria “fofocas” e se proíbe de tirar conclusões precipitadas sobre elas.

Isso ainda não é exatamente a “slow news” do título deste post, ou um “slow journalism” como o intencionado por colegas que Gilmor cita no texto dele, mas, sem dúvida, é um “slow reading” primitivo que me parece bastante sábio para qualquer leitor, em especial nos dias de hoje: ler mais devagar e, assim, desacelerar o feedback a uma notícia é o mínimo a fazer para se distanciar e ganhar perspectiva. O fato é que esse novo ciclo de notícias 24 horas precisa de ajustes, como diz Gilmor. (O que me convence, cada vez mais, que o mata-mata anunciado para a mídia tradicional e lerda é um “tiquinho” exagerado.)

via

9 Responses to “Slow food, slow blogging &…. slow news”


  1. Gravatar Icon 1 Geraldo Franca

    Nossa faz todo sentido, no futuro alguém poderá ganhar dinheiro, por exemplo, com um livro intitulado, as “100 teorias, não oficiais, para a morte de Michael Jackson” médicos legistas, todo mundo entende de tudo, aqui em brasilulândia não é diferente. É só chorar vendo coberturar como a morte da Isabela e o caso do sequestrador que matou a Eloá.

    A imprensa só decepciona. Depois os caras ficam reclamando da queda de receita no jornalismo.

  2. Gravatar Icon 2 Adriana Salles Gomes

    Snif, snif, Geraldo… eu sou jornalista… mas gosto de pensar que não alimento o festival geral de asneiras, até porque faço mais livros, revistas, documentários, coisas “lentas”… E não somos mais só nós que alimentamos essa orgia de rumores, que fique claro; blogueiros também cozinham pra isso (categoria em que também me incluo, ok).

  3. Gravatar Icon 3 Geraldo Franca

    Concordo Adriana e Não quis generalizar tá? Nem ofender.

    Sou de publicidade, mas me simpatiza por jornalismo (quase troquei de curso).

    Vivemos numa época de muitas mudanças e acredito que o que falta é uma reinvenção de toda a disciplina Comunicação Social, parece que quanto mais o tempo passa mais ‘cachorro que caiu da mudança’ ficamos.

    Uma vez ouvi alguém dizer que o futuro do jornalismo impresso está em produzir reportagens especiais sobre os assuntos mais relevantes da semana e focar na prestação de serviços e deixar o ‘furo’ para os meios digitais ou o chamado jornalismo on line. Concordo muito com isso.

    O problema com o jornalismo online é o mal do buscadores e do twitter, porque quem dá a notícia primeiro, é mais linkado e recebe mais cliques e consequentemente poderá faturar mais com anúncios. Não importa se o Michael Jackson foi ou não assasinado, o que importa é que 50.000 pessoas entraram no meu site ou blog para ler a informação. Qualquer coisa caso surja a versão definitiva nós publicamos e torcemos pra mais 50.000 aparecerem.

  4. Gravatar Icon 4 Rodrigo Nery

    É pra se pensar mesmo. A internet deu poder para que qualquer pessoa pudesse dar, criar, inventar e repassar notícias (além de outras coisas)e eu acho isso positivo. Principalmente porque expõe pontos de vista diferentes do que os tradicionais (TV Globo, Jornal O Globo, Radio Globo, Editora Globo, e Folha de SP) e dá opções aos leitores. Agora com certeza essa nova ordem, demanda também leitores mais atentos e exigentes. Ah que se atentar para as fontes mais do que nunca.

  5. Gravatar Icon 5 Luiz Silveira

    Na boa? Eu pessoalmente vivo um processo de slow-tudo. Percebi que eu só corria, trabalhava um monte, tinha pressa, me stressava e que no final das contas não fazia a menor diferença. Exemplo bobo é no trânsito quando um dia decidi deixar passar na minha frente todo mundo que queria trocar de pista ou entrar na rua. Descobri que chego em casa na mesma hora, então por que ficar correndo pra parar no semáforo fechado?

    Por isso que sou fã dos slows. Antes achavam que trabalhar com computador faria a gente trabalhar menos. Ah, é, né? Hoje um trabalho que levava 3 dias leva 2 horas, mas as pessoas têm que fazer 5 deles por dia. “Produtividade”. Ah tá. Daí o cara fica feliz: “Eu comprei um notebook uáireles, agora posso trabalhar no sofá de casa enquanto brinco com meu filho” ou ainda “agora eu posso trabalhar até mesmo do aeroporto ou do taxi!” Que bom, né? Isso que é vida mesmo: estar 100% disponível pro chefe.

    Viva o slow!

  6. Gravatar Icon 6 Nitu

    Luiz, exatamente a minha opinião! Mas exatamente mesmo! Sem macumba! Fala bem isso. Sou também a favor do slow, em vários sentidos. Formulei teorias até haha. Recomendo o seguinte livro: Devagar, de Carl Honore.
    http://afiliados.submarino.com.br/books_productdetails.asp?Query=ProductPage&ProdTypeId=1&ProdId=837319&ST=SE%20&franq=143570

  7. Gravatar Icon 7 João Bosco

    Simples, liguem os filtros no máximo e vamos nos ater ao Fato em questão.
    Com isso a gente se poupa de tanta asneira tida como “informação completa ao vivo”. Ainda acredito que o movimento cíclico da evolução humana vai purgar o ato imbecil de querer sempre ser o primeiro a gritar “primeiro!”. Ainda, imagine o dia que acabarem os 765 breaking news que acontecem por hora? eita saudade do interior de minas…

  8. Gravatar Icon 8 Adriana

    Viajando (ou não), acho que essa ânsia pelo “slow” tem a ver com um movimento maior, pendular em grande medida, muito ligado à questão da sustentabilidade também, de buscar recuperar o comportamento de longo prazo. Escrevi sobre isso em “A Volta do Longo Prazo”. Quem se interessar pode clicar neste link; http://hsm.updateordie.com/uncategorized/2008/11/da-era-industrial-a-era-da-sabedoria-%e2%80%93-um-takeaway/

  1. 1 Tweets that mention Slow food, slow blogging &…. slow news « Update or Die -- Topsy.com

Leave a Reply



Close

Close