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Radiohead. Mais que show, instalação de arte

Foto: Silvio Tanaka - flickr.com/tanaka

Escrevo este post ainda sob o efeito Radiohead. Já conferi. Quem viveu o show de ontem está com o mesmo problema. Estamos todos embriagados com um dos melhores shows que já passaram por aqui.A emoção é tanta que vou usar este espaço para colocar para fora, para dividir com vocês o que senti ao assistir o show perfeito.
E não pense que sou uma deslumbrada, ou fangirl do Radiohead. Sou fissurada por apresentações ao vivo. Trago no currículo apresentações históricas como Queen em 1985 (eu tinha 11 anos mas obriguei minha mãe a me levar. Foi quando a obsessão começou), The Cure, Eric Clapton, Morrisey, R.E.M, The Police, Madonna, enfim, uma lista que não é para amadores.
Mesmo considerando minha vasta experiência em gritar sem deixar a cerveja cair, mesmo considerando a expectativa em relação ao Radiohead, mesmo sabendo tratar-se de uma das bandas-da-minha-vida que nunca vi ao vivo, nada poderia me preparar para o que eu vi.
Radiohead foi mais que perfeito.
Depois de 15 anos de espera, de vários alarmes falsos, os caras aterrizaram na America Latina com um show bem acabado e extremamente bem produzido. Thom York e Cia mostraram na Chácara do Jockey que é possível fazer um show com áudio impecável, ainda que para 30 mil espectadores. Provaram também que os fãs merecem respeito, sem aquela frustração de “o palco original era maior e mais legal na turnê da Europa e dos EUA”, como já vivemos com tantas outras bandas grandes (incluindo na lista, os meus darlings, Depeche Mode). Mais do que um grande show de rock, Radiohead mostrou que a música tem o poder de hipnotizar se executada com magia. E foi exatamente isso que os caras fizeram por duas horas e meia.
A dança das luzes e cores misturadas com o timbre de Thom York e com a euforia dos fãs proporcionou a todos uma experiência difícil de ser esquecida. No telão, através de ângulos improváveis era emocionante ver os 5 integrantes ao mesmo tempo, cada um na sua, apesar de Tom sempre roubar a cena. Além disso, Radiohead entrou no palco com a gana de entreter o seu público com um setlist impecável recheado de hits e até algumas surpresas como “Fake Plastic Trees”, “Lucky” e “Pyramid Songs”, que não estavam no setlist do show do Rio (tudo bem, OK Computer ficou de fora, mas….).
Weird Fisches, Karma Police, Nude, foram lindamente executadas e o ápice da instalação / iluminação foi Creep, como o Ruy já contou pra vocês no post dele. Poucas vezes vi uma cartarse coletiva como nos rifs multicoloridos de Creep.
Não vou entrar no mérito da organização do evento. Grandes shows, no Brasil, geralmente implicam em algum desconforto (trânsito, banheiro químico e cerveja quente, pra dizer o mínimo), isso tudo faz parte. Como sempre, tudo podia estar melhor organizado, funcionando com um pouco mais de profissionalismo e respeito pelas pessoas que pagaram R$200,00 pelo ingresso mas enfim, como eu já disse, faz parte.

Se você não foi ao show e os seus amigos foram, prepare-se: eles ficarão monotemáticos por vários meses.

12 Responses to “Radiohead. Mais que show, instalação de arte”


  1. Gravatar Icon 1 oct

    re, tu disse tudo…

  2. Gravatar Icon 2 D!

    Concordo com 99% do dito. O show foi incrível. To desnorteado até agora.
    Agora, dizer que “faz parte” a “organização” pifia desse festival…
    Queria eu poder ter um blog com tantos seguidores. Aproveitaria todos meus leitores pra criticar arduamente empresas de eventos que cobram uma fortuna e proporcionam um show de descaso com o público pagante.
    Não foi o primeiro, nem será o último. Ficar dizendo “faz parte” só permite que essas empresas continuem enfiando a faca na gente e enchendo o bolso de dinheiro (pra não dizer outra coisa).
    E olhá que esse evento ainda teve méritos… Pra ver como a situação ta feia.

  3. Gravatar Icon 3 Ruy Neto (Cultura/Adm)

    Foi lindão mesmo. Coisa fina!

  4. Gravatar Icon 4 Daniel

    De fato, uma experiência de arte, com instalação, música, cenário e fotografia. Tudo perfeito… para 30 mil pessoas!
    Comentários ao fim do show “- já dá pra morrer…”

    Bjs adorei!

  5. Gravatar Icon 5 Ricardo Bizafra

    Faltou aí dar os créditos pro cenógrafo da turnê, hein? Alguém tem o nome?

  6. Gravatar Icon 6 mabrugnolo

    Passei o dia ouvindo as musicas (sem estar com o som ligado) e tendo flashes da iluminação daquele palco……….. sem mais palavras, pq a Re ja disse tudo.

    Ah, tenho só uma coisinha para fechar - Quero mais! Foi pouco só uma noite…

  7. Gravatar Icon 7 Gotardo

    Todo fã de Radiohead acha que é mais aficcionado do que qualquer outro. É o meu caso. Mas infelizmente, não pude destilar meu apreço pela banda ao vivo por motivos maiores e mais nobres. Atualamente, não troco minha filha por nada. Entretanto fiquei super contente quando o Multishow avisou que transmitiria o show “ao vivo” -maravilha! Ledo engano. Engodo. O canal transmitiu tão somente aproximadamente uma hora de show. Me decepcionou, vendeu o que não podia. Nessas horas fica difícil não prafrasear o famigerado Caetano: “Vamo bota essa p**** pra funcionar! Respeito!”. Fico esperando a próxima.

  8. Gravatar Icon 8 André

    Post sensacional. É isso…
    Estou com trilha-sonora-mental o dia todo…guitarras e pianos ecoando na cabeça com MUITA luz.
    Instalação simples e poderosa. Conseguiu traduzir o que é viver dentro do arco-íris dos cabeças de rádio sem passar nem perto do óbvio. Incrível e Chocante.
    Choque, choque é o que estou sentindo até agora. Foi muito intenso e não consigo falar sobre outra coisa.
    E quando finalmente superar o monotema-mode, ainda vou ter grandes dificuldades para me empolgar e me impressionar como no domingo.
    Sim, a estrutura do evento foi bem brasil. sim, me sinti um boi indo para o matadouro. E sim, os vendedores com complexo-do-pequeno-poder que vendiam cerveja quente a SETE reais eram bem irritantes.
    Mas é isso que a Bokel falou…não importa.
    O que importa é o turbilhão de emoções que a gente sentiu. E como sentiu.
    =)

  9. Gravatar Icon 9 Thiago Santana

    Ah meus amigo, não consigo mais nem escutar Radiohead novamente, não é mais a mesma coisa. Depois do show mais perfeito que já pude presenciar, fiquei até desanimado… sei lá, e agora? Oh vida cruel…

    Vocês que viram o show domingo e estão atônitos, é melhor começarem a se preocupar, pois eu vi na sexta e ainda não melhorei. Segundo minhas pesquisas, para essa sensação de “ahhh, meu deus” após show do Radiohead ainda não foi encontrada cura.

  10. Gravatar Icon 10 Silvinha

    Resumo perfeito do show do Radiohead em SP.
    E eu, como ouvinte um tanto quanto recente da banda, fiquei paralisada com tantas emoções que o show provocou. Sem contar nos momentos em que a concentração era tanta que nem parecia ter 30mil pessoas ao mesmo tempo.
    Thom Yorque e sua trupe são mesmo MUITO fodas.

  11. Gravatar Icon 11 Rodrigo

    Mais que uma experiência de Arte, foi uma experiência extra-sensorial, espiritual…Não teho dúvidas de que Thom e sua turma não são desse planeta..
    O magnetismo foi tão grande ao ponto de todos ficarem hipnotizados, chocados, sem palavras… E o quê que é aquela apresntação de You and whose army com aquele telão mostrando o olho dele quase nos engolindo até o clímax com diversas imagens de sua cabeça balançando freneticamente…Meu Deus. Eu não acredito até agora!!!

  12. Gravatar Icon 12 Paloma

    Foi um show repleto de sensações. E é muito bom voltar a escutá-los em casa e lembrar das sensações do show. Estou monotemática também.

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