Barack Obama embarcou no Air Force One para Copenhague já conformado com a vitória brasileira. É verdade que acreditava que sua estrela – e só ela – poderia surpreender o favoritismo do Brasil mas Obama não é bobo. Ele não lê os jornais brasileiros. Está ciente da importância exponencial que a nossa banana republic assumiu na nova ordem mundial que toma forma neste momento. Sorry, periferia, o Brasil é vanguarda da política mundial. E política pesa nas decisões do COI, vide as olimpíadas na China. Obama também estava consciente de outra qualidade da candidatura do Rio, o carisma do nosso povo. E isso ele conhece na pele: um grande brother seu é brasileiro. Presidente do Brasil, mais precisamente. Inclusive, foi esse brother quem botou pilha para o Obama dar uma passada em Copenhague. O presidente americano não ia à princípio, e sua ausência seria totalmente justificada. Ele está como o Stallone em Rambo II, mergulhado em merda de porco até o nariz. Tem só a crise econômica internacional, a paz mundial e a sobrevivência da espécie humana sob sua responsabilidade. Além disso, nenhum presidente americano nunca se deu ao trabalho de ir à uma votação do COI e, ainda assim, os EUA já realizaram os jogos 4 vezes – uma delas aqui em Atlanta. A América do Sul nunca teve vez. Quer mais motivos para que Obama não tivesse feito a viagem? Quase metade dos moradores de Chicago não queriam os jogos lá: acham que os EUA estão com problemas maiores para se preocupar. Mais um: a cidade, violenta para os padrões norte-americanos, foi manchete a semana toda com um vídeo onde um jovem é espancado até a morte – e violência era um dos quesitos que poderia derrubar o Rio. Mesmo assim, Obama foi para Copenhague. Foi porque se ele vai, criticam; se ele não vai, criticam também. Foi porque devia este esforço à Chicago, seu berço político, que tanto o apoiou. Foi porque seria o único chefe de estado ausente na cerimônia, como o pai que não vai à competição do filho – e Obama é um excelente pai. Foi porque tem espírito esportivo. Entrou em campo como a seleção americana de futebol quando enfrenta o Brasil: esperançoso por uma surpresa mas consciente da superioridade canarinha. O que ninguém esperava, porém, foi a eliminação já na primeira rodada. Isso sim foi chocante para os americanos. Obama fazia o vôo de volta quando recebeu a notícia. E, então, eram dois todo-poderosos no céu torcendo para o Brasil.
7 Responses to “Obama é brasileiro”
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Show esse post. Barack Obama, exemplo para muitos… assim como cada cidadao brasileiro, que mesmo com todos os problemas, acorda todos os dias acreditando num novo dia.
Espero que o #Rio2016, não seja como o #Pan.
Parabéns ao povo brasileiro e principalmente ao esforço economico e político impulsionado, tomara que esse mesmo esforço se repita não somente para um objetivo comum, mas sim, para uma sociedade inteira. -
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Excelente texto, Daniel!
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Sensacional o seu texto, Daniel!
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E acho que esse vanguardismo político que pesou na decisão do COI tem a ver não só com China e Brasil em particular (confirmando que Brasil é bola da vez, mas com com a ascensão político-econômica dos emergentes em geral, que ocorre em paralelo com a (ainda iniciante) desamericanização do mundo. Por conta disso, desconfio, ainda vamos ter muitas surpresas pela frente.
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Excelente post! Que série hein updaters!!! Para os céticos até que esse assunto já tá dando um belo caldo. Hahaha!! Acho que essa conquista é um marco importantíssimo e a própria Olimpíada será também (pois tenho certeza que será um sucesso) mas se analisarmos a história recente do Brasil fica clara a linha ascendente em diversos setores e acredito que está será mais uma etapa que cumpriremos. Porquê não? O brasileiro precisa dar uma chance aos brasileiros. Nosso maior tesouro está no carisma de nosso povo, nínguém tem isso no mundo. Se dermos condições mínimas a gente resolve o resto, claro, guardadas as devidas proporções. Mas que resolve , resolve.
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E acho que esse vanguardismo político que pesou na decisão do COI tem a ver não só com China e Brasil em particular (confirmando que Brasil é bola da vez, mas com com a ascensão político-econômica dos emergentes em geral, que ocorre em paralelo com a (ainda iniciante) desamericanização do mundo. Por conta disso, desconfio, ainda vamos ter muitas surpresas pela frente.
