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Camadas sobre camadas: significado e controle

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(por Marcelo Salgado, via Livraria Cultura / UoD)
O programador e estudante de Filosofia (!!!) estadunidense Alexander Galloway esteve recentemente no Brasil para falar de redes digitais, controle e anonimato. Galloway nunca havia estado na América do Sul e, apesar de tímido, compartilhou generosamente sua sabedoria técnico-filosófica – a mesma utilizada no livro “Protocol - How Control Exists After Decentralization”.

Aqui no Brasil, o especialista em redes digitais falou sobre certas características essenciais - pré-condições - para a existência de uma rede: incongruência e assimetria. Talvez por isso o protocolo (de rede, como DNS e HTML) seja uma manifestação tão humana e socialmente rica - afinal, é imperfeição, é desequilíbrio, é abertura. Mais ainda: é distribuição de poder. O protocolo remete, de fato, à idéia mais fundamental de “etiqueta” – conjunto de regras aceitas formal ou tacitamente por uma coletividade. Pois não há como operar dentro do protocolo sem estar sujeito a todo ele e a suas limitações e regras. Deve-se entender que um protocolo é, em verdade, uma camada (de regras) sobre outra camada – a rede (web) em si, o substrato mais técnico que permite a comunicação à distância entre computadores. Quem aceita o protocolo, ou seja, quem usa a internet, deixa rastros, “pegadas na neve” que nem imagina. E é exatamente esse o maior ônus que quem usa a rede necessariamente paga: a concessão de dados, poder e controle sobre quem ele é, o que faz e quanto tempo passa em cada site.

Galloway adequadamente chama o protocolo de “a mais organizada mass media conhecida pelo homem”. De fato. Maciça, muito mais do que qualquer outra mídia; porém, com outras características muito distintivas, como agilidade, fluidez - e poder distribuído.

As possibilidades, mas, também, as vulnerabilidades dos comunicadores nunca foram tantas nem tão grandes como agora. Quando estiver passeando na rede, não se esqueça: queira ou não, saiba ou não, já aceitou o protocolo.

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