Muito se falou nos últimos meses sobre uma nova ferramenta de busca na internet, chamada Wolfram. O The Independent, por exemplo, se refere a novidade como “a invenção que pode mudar a internet para sempre“. Na semana passada uma versão Alpha foi apresentada por Stephen Wolfram a alguns poucos convidados, em Harvard e as primeiras impressões começam a aparecer em blogs. A primeira unanimidade: não se trata de um Google killer, simplesmente porque é diferente e portanto não compete. É um sistema que pode, na verdade, competir mais com a Wikipedia. O próprio Stephen Wolfram prefere chamar seu brinquedo de “computational knowledge engine” (algo como uma máquina de processamento de conhecimento). Em português mais claro, a diferença para o usuário está mesmo no escopo da busca e na apresentação dos resultados. Ao contrário do Google, que procura por ocorrências de palavras-chave e informações generalizadas em toda a web, o Wolfram atua mais na curadoria de dados de várias fontes, públicas e licenciadas. Logo de cara aparecem dados e gráficos numa apresentação simples e clara, como se estivéssemos ligados a um servidor especializado em “conhecimento”. Por exemplo, um query como “o tio do tio do filho do seu irmão” embananaria o Google que não traria nada relevante. Mas o Wolfram apresentaria uma árvore genealógica e o percentual sanguíneo desta relação (3.125%, no caso). Um bauzão de dados que responde a perguntas feitas em linguagem comum, como se estivéssemos perguntando a uma pessoa. O slogan resume: “making the world knowledge, computable” (tornando o conhecimento do mundo mais mastigável).
***Um parênteses no post: dizem que todos os livros de física e química usados nas escolas deveriam ser queimados pois estão, não apenas desatualizados como -pior- estão errados. A velocidade da informação demanda updates bem mais frequentes do que livros impressos podem oferecer. Será que iniciativas como o Wolfram são opções viáveis para este problema?***
Enfim, o Wolfram será inaugurado oficialmente este mês e então poderemos fazer um test-drive para entender melhor como ele funciona. Mas independentemente da excelência da busca, já podemos comemorar os primeiros passos para uma web-semântica cotidiana e não apenas como assunto de palestrinhas modernosas.
Abaixo, um video (meio embaçado) da apresentação em Harvard que ajuda a entender o sistema um pouco melhor. E depois do jump, screenshots.
Homepage

Query #1: internet users in Europe

Query #2: weather oakland

Query #3: oakland

Query #4: uncle’s uncle’s brother’s son

Query #5: water 550C 3 atm

Query #6: integrate x^3 sin^2 x dx

Query #7: bob

