Este post talvez coubesse melhor no Coruja. Mas coloco aqui, porque acho que o assunto deve ser importante não só para pais, mas para os pais-to-be do futuro [próximo e distante]. É para se pensar.Provavelmente porque minha mulher é argentina e lá as babás são menos comuns que aqui, ela sempre me chamou atenção para o fato das famílias brasileiras carregarem babás para cima e para baixo. Confesso que eu estava tão acostumado a ve-las numa cadeira extra em restaurante, em playgrounds, no clube, em hotéis, que talvez eu nem tivesse estranhado. Em festas de crianças, é comum ver as infalíveis mulheres de branco, que excedem em muito a quantidade de mães. Claro que, na sociedade moderna, não é fácil para o casal cuidar sozinho dos filhos. Mas deve ter um limite, não? Quem levanta a questão é o ex-reitor da Unicamp, José Martins Filho, médico pediatra em seu livro “A Criança Terceirizada - Os descaminhos das relações familiares no mundo contemporâneo”. Ele fala sobre o fato de, muitas vezes, a família valer-se da babá não apenas quando estão trabalhando, mas também nos momentos de lazer, quando a idéia é exatamente ficar com os filhos. Outro fato curioso é que ele, como pediatra com muitos anos de experiência, se dá conta que cada vez é mais raro que as mães levem seus próprios filhos para consultas, deixando essa tarefa também para as babás. Triste. Se o assunto interessa, compre o livro aqui, ou leia seu artigo na Claudia Bebê.
8 Respostas para “Crianças Terceirizadas”
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Good point.
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É um mega dilema, e uma grande dor-de-cabeça. Não existe não trabalhar. Não existe trabalhar menos do que 8 horas diárias. E no fim-de-semana, dá saudade de poder dormir até ao meio dia, pelo menos uma vez na semana. Então, dá-lhe babá. Eu me pergunto se estaria melhor sem ela, criando meu filho sozinha, deixando-o em uma creche, naqueles momentos em que ele chama por ela, e não por mim, no meio da noite. Mas daí me lembro de que antigamente existiam as amas de leite, e escravas, e mais antigamente ainda se vivia com a família, ou seja, havia uma rede extendida de familiares para se contar com a divisão das tarefas domésticas, e eu sou uma mãe solteira com pais que moram em outra cidade e tem uma vida só deles. É triste e não é, depende do jeito que se vive o tempo com os filhos quando se está com eles…

Fazendo minha mea culpa no divã, percebi que meu filho me ama muito mais do que eu imaginava, e que babá não substitui mãe, por mais (ou menos, no meu caso) tempo que se passe com ele… -
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Marisa,
Acho que o livro (e mesmo o post) são menos sobre as contingências que nos obrigam a dividir com babás os nossos filhos, mas sim sobre como isso pode se transformar num vício. A Luli também não tem família no Brasil, então as vezes a gente não tem muita opção na família, e sobra para as mulheres de branco
De qualquer forma, acho que o livro é bacana para despertar uma discussão que parece pertinente…e estou longe de ser um exemplo de bom pai. Mas cara, depois de ter três filhas e conviver com elas na escola, juro que várias vezes me ocorreu que se existe a obrigação de se ter carteira de motorista, deveriam criar uma carteira de pai, porque tem coisas que acontecem que até deus duvida
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A questão merece a atenção sim.
Mas me corrijam se estou maluco: na verdade o serviço/papel de mãe que foi tercerizado, não a criança, né? Logo, seria Mãe Tercerizada e não Criança Tercerizada.
Quando li o título do post achei que fosse algo relacionado a trabalho infantil. -
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Durante mais de 10 anos eu tive uma escola de música, que possuía várias turmas de musicalização infantil. Era comum que mães amigas deixassem os filhos na aula e saissem para tomar um cafezinho. Mas havia uma turma em especial que era um terror: as mães saiam juntas para fazer compras e simplesmente voltavam hiper-atrasadas para pegar as crianças (que, àquela altura, já haviam destruido a escola inteira). Elas encaravam a escola (que era de música e não tinha a estrutura de um berçario ou pré-escola) como um cabide para pendurar os filhos. Conversei com elas, que ficaram envergonhadas e tentaram ter mais maturidade, mas não teve jeito: sua vocação era mesmo a de peruas e não de mães, e aquela classe se desfez rapidinho.
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O assunto é interessante e vale a reflexão. O modelo que cada um adota depende de fatores familiares mas, conceitualmente, o autor tem plena razão. Lógico que entre o ideal e o possível existe aquele “abismo” de necessidades e conforto. Temos 2 pequenos e dispensamos ajuda nos finais de semana mas, às vezes olhamos para as babás e… que vontade que dá!

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Criar filho não é fácil.
O trabalho árduo da semana nos consome quase todo o tempo, e se não nos policiarmos, simplesmente não sobra nenhum tempinho para compartilharmos com nossos herdeiros.
Para casais economicamente ativos é quase impossível nos dias atuais desvencilhar de suas tarefas profissionais. Pessoalmente, eu e minha esposa desenvolvemos nossas rotinas para criarmos o nosso filhote com muito amor e o maior tempo possível juntos, e ainda estamos esparando mais um que está vindo por aí… -
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Honestamente entendo o ponto de vista de todos e as dificuldades que passam. Não vou levantar bandeira de que Amélia é que era mulher de verdade, mas vamos ser sinceros
quando as mulheres ficavam em casa e cuidavam dos filhos haviam bem menos crianças problema, e maior amizade entre os familiares. Hoje isso não é possível pois para sustentar
uma casa ambos precisam trabalhar. Ai eu paro e me pergunto porque eu deveria ter filhos se não vou ter como criá-los. Alguma coisa está errada…concordem ou não

