20/03/2010   RSS posts: 11768comentários: 34.413 updaters: 559
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Sobre o fim do diploma obrigatório para jornalistas

Não posso deixar junho acabar sem falar sobre o assunto. São muitos os jornalistas inconformados com o fim da obrigatoriedade do diploma universitário para exercício da profissão. Mas eles deviam parar para pensar: nem o fato de ter sido o Gilmar Mendes a liderar essa decisão conseguiu pôr a sociedade a favor do diploma obrigatório – e olha que o Gilmar é bom nisso. Por quê? Nem o fato de os donos dos meios de comunicação terem apoiado em bloco a decisão do STF deixou a população de pé atrás com a medida. Por quê?

Do outro lado, acho que os que saíram pulando de felicidade por aí também deviam parar para pensar, porque a questão não é tão simples assim. A conversa toda em torno da derrubada da obrigatoriedade pelo STF parece ter saído de um Circus Theory Generator, aquele programinha de internet que em breve será criado para institucionalizar a brilhante Teoria do Circo do updater Andre Felipe:

Jornalismo -> Curiosidade
Curiosidade -> Todo mundo tem
Todo mundo tem -> Todo mundo consegue fazer
Todo mundo consegue fazer -> Não precisa estudar
Não precisa estudar -> CIRCO

Brinquei e simplifiquei, lógico, mas a questão de fundo é essa mesmo. Existe um conhecimento específico de jornalismo a ser aprendido? Ou não? Porque, se não existe, ou se for algo meramente técnico que se aprende “on the job”, acabou toda e qualquer discussão: que venham as melhores pessoas com o melhor conhecimento de cada área e a qualidade da informação só vai melhorar. Mas vai mesmo?

Há algo específico na profissão, sim, mas não é conhecimento. Uma parte disso é técnica. Outra parte é tática/estratégica. Geralmente ambas se aprendem mais no dia-a-dia do trabalho que na universidade: como conseguir as melhores fontes e não se tornar refém delas; como extrair a essência das informações e transmiti-la em poucas palavras e de maneira compreensível; como ser minimamente generalista para que nenhuma notícia se encerre no seu próprio nicho de realidade e assim o público possa enxergar a “big picture”; e por aí vai. É por isso que o Silvio Meira tem escrito em seu blog, e com razão, que jornalismo é profissão-meio como matemática, não profissão-fim como medicina, e portanto dispensa a obrigatoriedade do diploma.

Mas existe uma terceira perna nesse corpo do específico e ela é, na falta de palavra melhor, uma missão. Algo como um juramento-de-hipócrates do jornalismo, mas que ninguém nunca jurou realmente. Trata-se de uma aliança selada com a sociedade, que pressupõe representá-la acima de tudo e nunca compor com o patrão ou com os poderosos; trata-se de um drive e de um senso crítico que fazem você insistir em conseguir uma informação sem medo de ser desagradável ou pruridos de ser inconveniente, sabendo que será considerado o chato mor ou que sofrerá ameaças; trata-se de um senso de responsabilidade e consequência tamanho família, porque se pode destruir uma vida num piscar de olhos (e injustamente) se não se trabalhar direito a apuração e checagem de informações. Não é moral ou ética, vejam bem; é um compromisso maior. É algo muito mais fácil de desenvolver fora das pressões da redação e do relógio, e coletivamente, quando ainda se é estudante (embora tenha de ser renovado diariamente), em matérias que estimulem debates e filosofadas, em reportagens de laboratório devidamente analisadas.

E, então, como fica? Bom, na prática, esse compromisso nunca foi bem cimentado nas faculdades de jornalismo e, de uns tempos para cá, está cada vez mais ralo, porque o tanto da grade curricular dedicado às questões técnicas –e, em menor escala, às táticas– só aumenta. (Aliás, nem o juramento de hipócrates anda segurando a onda lá na medicina: há cada vez mais médicos que trabalham para o plano de saúde/hospital em vez de trabalharem para o paciente). Como perdido por perdido, truco, melhor fazer o que é correto. E, estou segura, o correto é desregulamentar, até porque menos regras são mais viáveis de cumprir, e principalmente porque a concorrência maior e mais diversificada elevará a qualidade no longo prazo. Precisamos urgentemente disso, como nação.

Mas, sem ingenuidade; é evidente que vamos pagar um preço. Os riscos são claros no curto prazo: redução salarial porque a oferta de mão de obra, que já é grande, vai decuplicar; por causa da redução, provável atração de gente menos qualificada num primeiro momento; menor independência ainda em relação aos patrões; um possível circo técnico-tático-estratégico dos novos profissionais até se estabelecerem outras rotinas e parâmetros. Isso seria razão suficiente para segurar o diploma? Na minha opinião, não. É o eterno dilema da vida da gente. Quando as decisões que sabemos ser corretas trazem alguns resultados indesejáveis, adiamos a tomada dessas decisões, seja a reforma da Previdência, seja guardar dinheiro na poupança, seja derrubar a exigência de certos diplomas. Não deveríamos.

Minha esperança é de que os efeitos acima descritos se limitem ao curto e ao médio prazo. E que no longo prazo os cursos de jornalismo melhorem muito para garantir demanda e que atraiam as melhores cabeças por conta disso. Como acontece na Inglaterra, por exemplo. E que cada jornalista tenha pelo menos dois cursos, ou mais, aumentando muito o nível da profissão (vale observar que os jornalistas ingleses e americanos têm formação MUITO melhor que a nossa). E que a remuneração seja condizente então. E que a sociedade valorize a qualidade. (Estou querendo demais?)

Embora pareça que o jornalista já estava com a corda no pescoço e que acabaram de chutar o banquinho, isso não é verdade. Esse profissional anda acuado mesmo, porque a profissão vive um momento de desprestígio e quebra de paradigmas por conta desta mídia digital aqui, da baita nova interatividade e da mistura cada vez maior com o entretenimento, entre outras coisas, mas o banquinho ainda está lá. E ainda pode aparecer o Robin Hood atirando a flecha que romperá a corda da forca.

Outra coisa: o Gilmar Mendes errou; jornalista não tem nada a ver com cozinheiro, inclusive porque jornalismo não tem a ver com arte. Mais feliz é o paralelo com o cientista: uma série da cursos (e até o autodidatismo) pode levar uma pessoa a ser cientista, mesmo havendo um método a ser aprendido (técnico, tático, estratégico) e mesmo havendo um sentido maior na busca de uma descoberta (a missão). E para nossa sorte talvez, no caso do jornalismo, um dos cursos de acesso (o melhor deles, se a sorte for grande de fato) até pode ser o de jornalismo.

21 Responses to “Sobre o fim do diploma obrigatório para jornalistas”


  1. Gravatar Icon 1 Rodrigo

    Interessante é notar a antipatia que o judiciário tem, pois se o posicionamento fosse exatamente ao contrário, haveria a mesma indignação. Se jornalismo não é arte, nem ciência, fica numa penumbra epistemológica. Bem, interesso=me pelos efeitos práticos, que ao contrário de atender os meios de comunicação servirá como uma tábua de salvação para os jornalistas. Muitos estudantes de jornalismo, acadêmicos de outras áreas, ou mesmo aficionados pela comunicação tais como os comentaristas de futebol, que trabalharam anos a fio e eram contratados como qualquer coisa menos jornalistas. Não eram reconhecidos como tais, em virtude da exigência do diploma. Isso era conveniente aos meios de comunicação, que não tinham o que temer com eventual passivo trabalhista. Agora sim, a coisa mudou, e esta segurança que tais empresas tinham deixou de existir. A possibilidade do reconhecimento desses profissionais como jornalistas implicará num aumento de custo, ainda que represado. Talvez, os meios de comunicação comecem a exigir o diploma, paradoxalmente.

  2. Gravatar Icon 2 Fabio Serpa

    A princípio todas as profissões devem ser de livre exercício.

    Eu não sou cozinheiro, mas um analista de informática. A empresa em que trabalho exigiu meu diploma da área, mas se um jornalista for capaz de executar as mesmas tarefas que eu sou capaz de fazer e a empresa não se importar com a formação do funcionário, então ele pode muito bem ocupar meu cargo. O contrário não era possível.

    Na minha opinião a regulamentação deve ser uma exceção e não a regra.

    Leia esse artigo do Schwartsman na Folha http://www1.folha.uol.com.br/folha/pensata/helioschwartsman/ult510u585738.shtml

    Acho um ponto de vista muito útil.

  3. Gravatar Icon 3 cava

    Adriana, vai parecer que estou de sacanagem, mas não estou. Existe algum bom argumento para defender a obrigatoriedade do diploma de jornalista? Pois “abaixar salarios” ou “diminuir a qualidade dos profissionais”, alem de discutivel, só defende a categoria, nao o jornalismo.

  4. Gravatar Icon 4 Adriana Salles Gomes

    Ah, Cava, vc não leu o post até o fim, admite… Na boa, não tem NADA de corporativista neste texto. Mas a gente precisa ter consciência de que redução salarial não significa só redução salarial; significa potencial queda de qualidade (para um nível ainda menor do que já se percebe). Os professores estão aí pra provar. E ter consciência também de que queda de qualidade significa MUITAS COISAS. Mas eu escrevi que O FIM DA obrigatoriedade se justifica ainda assim. Lê inteiro, vai! Bjs! ;)

  5. Gravatar Icon 5 cava

    Foi por isso que eu alertei que nao estava de sacanagem. Eu nao chamei o texto de corporativista. Eu entendo a preocupacao com a defesa da categoria. Corporativismo no Brasil é uma palavra que, pelo historico, se tornou uma ofensa, pois sempre foi usada para defender o atraso. Por isso mesmo nao usei esta palavra.

    Eu li o texto inteiro sim. Diminuir salarios é um lixo, mas quem esta procurando diminuir salarios vai fazer com ou sem esta mudanca. Nao é isso que vai estragar ou melhorar o jornalismo.

  6. Gravatar Icon 6 Andre Felipe

    Adri, vc tocou num ponto muito importante. Apesar da meritocracia vigente, é muito importante a garantia da dimensão ética para a prática do jornalismo - que não é, como vc disse, uma arte, e sim um compromisso com a sociedade - e de qualquer outra profissão em que valha essa premissa. Seja jornalismo, publicidade, medicina, direito, etc. E, em todos esses casos o diploma, de alguma forma, representa esse compromisso.

    Nesse final de semana faleceu o Professor Goffredo Telles Junior , da São Francisco, fato cuja repercussão hoje nos jornais reúne alguns dos maiores nomes da intelectualidade brasileira (além do Lula, porque é presidente). E, em todos eles, um sentimento comum: o de que a ética é o que dá a real dimensão de uma vida em sociedade - ética essa que foi brilhantemente representada pelo Professor Emérito em seus atos, discursos e pensamentos.

    Se falamos tanto em ética atualmente, não é porque ela está em alta: é porque ela está em falta. Com ou sem diploma. E como a desregulamentação do jornalismo é apenas uma medida prática, vai nos caber a função de continuar filtrando, apreciando e valorizando o bom trabalho jornalístico: sério, ético e comprometido com a sociedade.

    Bj pra vc!

  7. Gravatar Icon 7 Diogo Novaes

    Acredito que o próprio mercado vai se encarregar de corrigir essa situação.

    Numa comparação simplista, mas adequada, os carros vendidos na Europa não são obrigados a sair da fábrica equipados com Airbag e freios ABS, como deve acontecer aqui nos próximos anos. Ainda assim, dadas as exigências do mercado e os padrões de qualidade estabelecidos por lá, isso é uma realidade.

    Muito mais preocupante do que a decisão do STJ, é abrir uma notícia em um portal como o Globo.com, UOL ou Terra e me deparar com erros grotescos, redação pobre e saber que esse profissional tem um diploma de jornalista.

    Melhor repensar o valor desse documento.

  8. Gravatar Icon 8 Leonardo

    Meu faro não falha nunca! Quando eu percebi que Adriana Salles Gomes era a melhor uptader eu estava certo (é até sacanagem reduzi-la a somente updater).

    Um tio meu, já com seus 65 anos, vive dizendo que o jornalismo brasileiro anda uma desgraça e tem até medo do que vem pela frente. Eu sou mais novo (tenho 25) e acho o mesmo. Sou leitor-assinante das quatro maiores revistas automotivas do Brasil e na maior delas o nível despencou. Parece que escrevem para a editora e para os anunciantes, não para os leitores. E nessas revistas a situação é um pouco pior, porque elas influenciam compras e vendas de produtos. A atitude de determinado jornalista em relação a um modelo ou marca pode ajudar a construir ou destruir uma imagem, dependendo da influência do veículo.

    Aqui em casa assinamos ou compramos dezenas de revistas todos os meses. Leio desde Seleções da década de 40 compradas no sebo até o jornal loca. E constantemente eu “corrijo” a informação das revistas. Já aconteceu com a Info Exame, com a Mundo Estranho do meu irmão mais novo, acontece no jornal local. Várias informações equivocadas e confusas.

    Acho que o diploma de jornalismo certifica muito imbecil e numa seleção mal-feita (que existe aos montes por aí) eles roubam o lugar dos bons. Sem contar que uma faculdade de jornalismo é fácil de abrir, por isso tem aos montes, por isso tem mais vagas que candidatos, por isso o processo seletivo não seleciona. Um imbecil ignorante é só um imbecil. Um imbecil com um diploma é uma catástrofe.

    Na verdade fiquei feliz com essa desobrigação. Agora eu posso ser um também! Se tudo der errado, viro jornalista.
    Brincadeira. Só se for pra testar carros e escrever algumas opiniões sinceras sobre eles.

    Eu estou bem com as minhas pesquisas de mercado.

  9. Gravatar Icon 9 Marcelo Pereira da Silva

    Ainda não entendi direito os benefícios que a queda da obrigatoriedade trouxeram pra profissão. Vejo muitos argumentos dissecando o jornalismo pra justificar a mudança, mas nenhum explicando o que exatamente vai melhorar na atividade.

    Acredito que a longo prazo vai acontecer uma desvalorização da atividade. E que vai acabar sobrando pra internet, no final das contas.

  10. Gravatar Icon 10 Leonardo

    A atividade não era desvalorizada antes da obrigatoriedade. A obrigatoriedade veio e não valorizou (aliás, tem uma galera que sai da faculdade e se supervaloriza, mas é outra história), pelo contrário, agora para ser jornalista, basta ter diploma, o que não garante nada. Virou comércio e não melhorou a qualidade do jornalismo brasileiro.

  11. Gravatar Icon 11 Ruy Neto

    Quando a Adriana fala de técnica, ela quer dizer que existe sim um conhecimento específico sobre jornalismo a ser apreendido na faculdade e que foi obtido com o natural desenvolvimento da profissão ao longo dos anos, abrir mão disso é ruim. Quando você entra numa redação para apurar e tentar escrever uma reportagem com o máximo de sinceridade possível, você vem com esse compromisso firmado na faculdade. Apesar de achar que existem pessoas muito boas, de outras áreas, que podem escrever em jornais e contrinuir com o crescimento da qualidade das reportagens, fazer com que a nova geração não se interesse estudar jornalismo (acho que isso a médio, longo prazo deve acontecer) é uma coisa ruim. Se bem que posso estar enganado.

  12. Gravatar Icon 12 fabiolr

    Jornalismo é uma grande profissão, e que não precisa ser protegida por lei. A lei é uma muleta que ela não precisa. Todo bom veículo vai continuar contratando bons jornalistas, independente da sua formação.

    Nas agências boas, tem muita gente boa formada em publicidade, e muita gente boa formada em outras coisas.
    Isso vale para muitas outras profissões.

    O mercado garantirá a qualidade, e se não se contratar mais jornalistas (e o salario cair) vai ser porque a faculdade de jornalismo precisa melhorar, que ela não sobrevive sem essa muleta.

  13. Gravatar Icon 13 Marcelo Pereira da Silva

    Me parece que as coisas estão um tanto confusas. Estão misturando jornal com jornalismo, como se o fim do primeiro significasse também o fim do segundo. E o fim de ambos fosse o início de uma Era Fantástica de conhecimento distribuido sem barreiras a todo segundo.

    É uma perda monstruosa de foco. A internet aparentemente tornou tudo uma grande competição de quem faz o que primeiro, como se todos fossem indies e todos os assuntos fossem bandas desconhecidas a serem descobertas. Quem ouvir e tornar popular primeiro ganha.

    Mas informação não é apenas tempo real. Jornalismo não é apenas furo de reportagem. Exige olhar crítico, capacidade de isenção, discernimento, interpretação, redação. Só que todas essas coisas parecem ter ficado pra trás simplesmente porque qualquer idiota sabe escrever ou retwitar um acidente no twitter.

    Aí um site que faz manchetes sobre celebridades acima do peso ou chupando picolé é citado como o píncaro do jornalismo porque um dos seus irritantes paparazzi foi o primeiro a ver que uma lenda da música morrer. Inversão total de valores.

    Pior de tudo é que vai acabar sobrando pra publicidade. Mais uma vez vou ter que ouvir a ladainha que todos são potencialmente criativos e que muitos engenheiros e médicos podem criar campanhas fantásticas. Mas se esse médico gosta tanto de publicidade e é tão talentoso, por que diabos não foi estudar a profissão? Pressão dos pais? Bom, talvez se jornalismo e publicidade fossem regulamentadas a família não faria pressão pra que ele escolhesse uma atividade mais segura, garantida, como medicina.

    E ninguém teve a capacidade de mostrar uma única vantagem sequer na queda da obrigatoriedade do diploma. Todos os argumentos de quem defendem a medida s resumem a combater as acusações de quem é contra.

  14. Gravatar Icon 14 fabiolr

    Marcelo, eis um bom argumento para a não-obrigatoriedade:

    Você permite que potencialmente um grande jornalista, que não seja formado, agregue valor à um jornal, se o seu editor achar que isso é o certo.

    Ou seja, você abre horizontes, combina gente diferente, diversifica as redações.

    A qualidade só depende da quialidade do gestor da redação. Se ele achar melhor, ele pode contratar gente formada, mas a não obrigatoriedade o dá liberdade para trabalhar melhor.

    Pegue em TV por exemplo. Um apresentador bom precisa ser claro, ter boa dicção, etc.. Isso pode ser um engenheiro, e a emissora tem que ter a liberdade de contratar quem ela quiser para o cargo.

  15. Gravatar Icon 15 Alê

    Sou administrador de empresas. Nas empresas onde trabalhei, havia turismólogos que atuavam como administradores, psicólogos que viraram administradores, terapeutas ocupacionais que viraram administradores e engenheiros que são administradores. Alguns tão bons ou tão ruins quando os administradores de empresa diplomados. E isso não diminui a importância das escolas de administração.

    Mas uma empresa séria procura contratar seriamente gente séria. Assim, suponho que veículos sérios farão um sério processo de seleção. Quero crer que, com isso, os jornalistas bem formados e bem preparados tenham mais chances do que outros profissionais para desempenhar funções de jornalistas. Se não o tiverem, o problema não é da exigência ou não do diploma, mas da qualidade do diploma, ou do profissional. Sim, é capaz que haja veículos que não levem a seleção de seus profissionais a sério, como há empresas que são uma verdadeira piada. Mas quem quer trabalhar neles?

    Sem falar que o que é sério para mim, não é para você, ou para o leitor… Mas aí a discussão descamba para valores, não para diplomas. Valor é amplo, diploma é redução. Aliás, o meu, tão suado e de escola de primeira linha, nunca sequer foi solicitado.

    Quanto a ser arte ou ciência, será que sempre temos que classificar as coisas para sentirmos que temos um lugar nelas? Cartesiano demais esse pensamento… No meu primeiro ano de administração (foi nos anos 80!), também se levantou esse papo: “administração - arte ou ciência?”. Nem um nem outro, que tal?

  16. Gravatar Icon 16 Rodrigo Nery

    Excelente texto Adriana! Meu comentário vai mais de encontro ao do Diogo. “Acredito que o próprio mercado vai se encarregar de corrigir essa situação.” Só acrescento que no fundo o mercado (leia-se nós) SEMPRE tivemos esse poder. E é aí que reside a questão. Não importa se Otávio Frias informa melhor sobre a política em Brasília, se foi num texto do Macaco Simão que eu realmente abri os olhos para aquela notícia.

    No decorrer da minha vida, sempre li matérias sobre esse ou aquele profissional que despontou em uma área diferente da sua formação, ou até daqueles que nunca se formaram em nada e são altamente reconhecidos. Falou-se bastante em publicitários nos comentários. Pois bem, Nizan Guanaes e Washington Olivetto não tem diploma. Acho que a obrigatoriedade era um mero detalhe que já não fazia mais diferença e vai continuar não fazendo para o jornalista e para o jornalismo. Ele vai continuar sendo o 4º poder que, ao meu ver, é o aspecto mais importante deste profissional e que deveria ser mais lembrado. A verdadeira questão é O QUÊ nós leitores e cidadãos faremos para exigir a qualidade que nos é vendida pelos meios de comunicação.

  17. Gravatar Icon 17 Marcelo Pereira da Silva

    Nizan Guanaes e Washington Olivetto são a exceção, não a regra. E a publicidade hoje em dia é diferente do que era na época deles. A profissão evoluiu, se aperfeiçoou e a maneira como ela é tratada precisa seguir o mesmo caminho. E isso passa por uma regulamentação. Hoje o mercado sofre com crias de anuário e trocadilhos de internet, que acham que publicidade é só uma sacadinha engraçada e perderam toda a conexão que nossa fase mais gloriosa tinha com o consumidor.

    Acho um absurdo segurar um passo tão importante como a regulamentação por causa de um hipotético publicitário genial formado em Medicina ou Engenharia que pode a qualquer momento entrar em nossas agências e revolucionar nossas vidas. Ora, talvez esse cara tenha escolhido seguir outra profissão porque a falta de regulamentação o deixou inseguro.

    E uma hora eventualmente ele vai ter que optar entre as duas áreas. Se a escolhida for Publicidade, tenho certeza que pra alguém tão talentoso e apaixonado não vai ser sacrifício nenhum encarar quatro anos de faculdade e aprimorar seus conhecimentos, pelo contrário. Ele fará isso com o maior prazer, amaldiçoando o todo aquele tempo perdido com toda aquela matemática idiota e a escassez de mulheres do curso de Engenharia.

  18. Gravatar Icon 18 Rodigo

    Marcelo, defina evolução, por favor.

  19. Gravatar Icon 19 Marcelo Pereira da Silva

    Ato ou efeito de evoluir, pô.

    Desenvolvimento, aperfeiçoamento, progresso ao longo do tempo.

  20. Gravatar Icon 20 Bruno

    Com ou sem a obrigatoriedade, continuaremos lutando contra o jornalismo irresponsável e antiético. Como? Trabalhando devidamento o oposto, oras. O jornalismo é uma profissão que nasceu sob pressão, vive sob pressão e não por mais, continuará sendo pressionada. Seja por qualquer ângulo de qualquer esfera social, política e econômica.

  21. Gravatar Icon 21 Yahoouj

    Really good work about this website was done. Keep trying more - thanks!

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