Este blog tem falado de muita coisa bonita nos últimos dias. Basta os leitores passearem pelas últimas três páginas de posts para confirmar isso: as ilustrações da Carol Rivello, as fotos do Mark Liddell e do David LaChapelle para a campanha pró-voto dos Estados Unidos, a @chair do Brodie Neill, a Bullet do Triptyque e por aí vai. Tanto que me deu vontade de escrever, neste fim de sexta-feira, sobre uma beleza que me impressionou muito faz uns dez dias: a cidade de São Paulo. Sem brincadeira. São Paulo no filme “Ensaio sobre a Cegueira”, do Fernando Meirelles.
A cidade está linda, acachapantemente linda. Muito mais do que em qualquer anúncio (que eu lembre) que a tenha “maquiado” no capricho. E não creio que a responsabilidade seja só da fotografia quase PB de parte do filme. Sei lá, fiquei pensando sobre se nós estamos cegos (pelo estresse, falta de tempo etc.) e não conseguimos enxergar isso, numa espécie de metalinguagem. Fiquei achando que talvez precisemos reaprender a olhar a cidade. À noite eu sempre acho São Paulo linda, por exemplo, mas de dia vou garimpando cantinhos bonitos aqui e ali por já partir do princípio de que o conjunto é feio. Mas, e se a São Paulo do filme for a de verdade mesmo e essa minha, feiosa, a ficcional (uma ficção construída coletivamente por nós)? Ou será que fui abduzida pelas lentes do filme? Minha pergunta: quem viu o filme do Meirelles teve essa mesma sensação? (Pelo amor de Deus, esse post não é para gerar nenhuma polêmica, tá?)
