Não é de hoje que discutimos o trabalho escravo contemporâneo, presente especialmente no setor da moda. Mas será que esse tema é debatido o suficiente?
Desde 1995, o Estado Brasileiro já efetuou mais de 53 mil resgates de trabalhadores – não só no ramo da moda, mas em muitos outros – de pessoas em condições degradantes, enfrentando jornadas exaustivas, cumprindo servidão por dívida e/ou trabalho forçado. Somente em 2017, foram 1122 resgates.
No nosso Código Penal, o Artigo 149 é dedicado ao assunto e define quais seriam os conceitos de um trabalho análogo ao de escravo. Foi daí que veio a inspiração do nome de uma marca de roupas fictícia que quer chamar atenção para o tema – não só da população, mas também da mídia e, principalmente, dos políticos, que pouco discutem essa questão tão atual.
A campanha, batizada de “#SomosLivres”, foi desenvolvida pelo time criativo da Ideal HK Strategies. A ideia é usar a moda como plataforma para engajar pessoas que, normalmente, não se relacionariam com esse tipo de temática, ajudando a disseminar a importância da sociedade como agente nesse combate e fazendo com que a causa extrapole o âmbito das ações políticas, tomando as proporções de uma causa humanitária.
Para isso, foram criadas camisetas, em parceria com a Justa Trama e o Instituto Alinha, que trazem dizeres variados que visam, de modo geral, explicar que condições de trabalho são tão relevantes quanto a ausência de liberdade.
O processo de confecção das camisetas, é claro, levou em consideração uma cadeia justa e sustentável de trabalho.
Para este ano, com a entrada de um novo governo, o movimento já anuncia que investirá em novos projetos, definindo “sua própria existência como uma forma de resistência”.
Quem quiser acompanhar, a campanha e a marca têm site e um perfil no Instagram.
Ainda dentro do tema, lembrei do documentário “The True Cost” que é um dos mais completos quando o assunto é a indústria da moda e as condições de trabalho por trás da mesma. Confira o trailer: