Quando a máquina pensa por você, quem está aprendendo?

Automatizar funções facilita a vida. Me vejo no filme Tempos Modernos, de Charles Chaplin, sem perceber, sendo consumido pelas máquinas.

A IA é uma máquina que não vai substituir o humano. Sem o humano, ela não existiria, pois “imita com mais potência a inteligência humana”. Aprender e estudar constroem repertório e conhecimento e, consequentemente, pensamento crítico. Isso você não pode (e não deveria) delegar a uma máquina.

A neuroplasticidade é a capacidade do cérebro de se modificar e se adaptar ao longo da vida. Somos seres capazes de aprender quando estimulados, porém a máquina não pode ser uma muleta: ela não irá tomar decisões por você. O pensamento crítico é e sempre será essencial para o desenvolvimento humano, inclusive para o aperfeiçoamento da própria máquina.

O processo da IA generativa começa com a capacidade de se comunicar com clareza. Precisamos escrever ou falar para a máquina, de forma lógica, coerente e detalhada, o que desejamos que ela faça — mesmo que seja para escrever um prompt que gere outro prompt. Se a máquina não receber uma orientação, ela não saberá o que fazer. É como o Waze: se você não informa o endereço, ele não saberá para onde ir. O mesmo vale para um carro autônomo que precisa ser programado antes de sair. Para que tudo comece a funcionar, a mente humana precisa operar de forma crítica.

Estamos criando seres dependentes de IA? 

Uso IA todos os dias em diferentes funções, porém acompanhar o desenvolvimento da tecnologia não significa tornar-se dependente dela. Precisamos saber usá-la com pensamento crítico — afinal, se até o ser humano erra…

O estudo recente feito pelo Institute for Transformation of Society na Alemanha – “AI, Metacognition, and the Verification Bottleneck: A Three-Wave Longitudinal Study of Human Problem-Solving” acompanhou, ao longo de seis meses, como o uso de ferramentas de IA (como modelos generativos do tipo ChatGPT) afetou a forma como as pessoas resolvem problemas, sua confiança e sua capacidade de verificar soluções.

  • Quando os participantes usaram IA para resolver tarefas, concluíram os problemas muito mais rápido do que o grupo sem ajuda. Os participantes sem IA também concluíram as tarefas, porém levaram mais tempo.
  • Em testes posteriores, ao enfrentar novos desafios sem IA, aqueles que confiaram de forma mais intensa na tecnologia apresentaram desempenho significativamente pior — ou seja, tiveram dificuldade para resolver os problemas sem o suporte tecnológico.

Será que o cérebro ficou com preguiça de raciocinar?

Os participantes passaram a confiar cada vez mais nas respostas geradas pela IA, mesmo quando estas não eram totalmente corretas. Essa confiança não se traduziu em habilidade de verificação ou correção independente: acreditavam entender ou dominar o conteúdo, mas não conseguiam verificar ou reimplementar soluções por conta própria.

Embora a IA ajude ao gerar soluções e agilizar processos, o estudo sugere que a tendência de simplesmente aceitar suas respostas reduz a prática da verificação crítica, da metacognição e da confiança na própria capacidade.

Nem tudo que reluz é ouro. Nada substitui o talento.

(usei a IA para fazer correções gramaticais e ortográficas neste texto)

Fonte do estudo:
Instituto for the Transformation of Society, (Deggendorf Institute of Technology – European Campus Rottal-Inn) AI, Metacognition, and the Verification Bottleneck: A Three-Wave Longitudinal Study of Human Problem-Solving, arXiv preprint, Matthias Hümmer, Franziska Durner, Theophile Shyiramunda, Michelle J. Cummings-Koether (21 jan. 2026).