O Bloco Mágico e a permanência das marcas

Fotos penduradas em varal com pregadores. Fotos penduradas em varal com pregadores.

O “Bloco Mágico” pode nos ensinar muito sobre a memória humana — e sobre experiências de marca.

Você pode estar se perguntando onde isso vai dar. Prometo que o fechamento vale a pena.

Em Uma Nota sobre o Bloco Mágico (1925), Freud utiliza o Wunderblock para explicar o funcionamento da memória. Trata-se de uma prancha de cera coberta por uma folha encerada e uma lâmina de celuloide. Ao escrever na superfície, as marcas desaparecem quando as camadas são levantadas — mas permanecem registradas na base.

Podemos pensar assim: a superfície se apaga, pronta para novos registros, mas a base — o inconsciente — guarda vestígios permanentes.

Não é exatamente isso que toda marca deseja?

Deixar resquícios duradouros na mente do consumidor, mesmo quando essas marcas não estejam presentes. 

Cada marca disputa um espaço limitado dentro das nossas cabeças — como uma “gaveta mental”, como definem Al Ries e Jack Trout.

Poucas conseguem.

Um exemplo pessoal: a LATAM. Viajo milhares de milhas por ano, então acumulei repertório suficiente para julgar a experiência.

Antes mesmo da compra, sou impactado por comunicações relevantes. Durante o vôo, sou tratado da mesma forma como a pessoa no assento 20A, e no desembarque, as aeromoças estão de prontidão para me guiar para meu próximo destino. Alguns dias depois da viagem, recebo novamente uma pesquisa de satisfação da LATAM, perguntando sobre minha experiência. Depois, a relação continua — pesquisas, ofertas, novas possibilidades. E, aos poucos, a marca deixa seu sinal.

É um ciclo.

Evito guardar memórias ruins, mas nem sempre é possível. Uma vez marcada, a prancha de cera não volta ao estado original.

E o inverso também é verdadeiro: entrar na mente é difícil. Sair, nem tanto.

Basta um voo cancelado, um atendimento desumano, uma experiência frustrante — e a substituição acontece.

No espaço concorrido das nossas mentes, marcas precisam mais do que visibilidade. Precisam criar memória afetiva.

Precisam marcar a base, não apenas a superfície.

Quando isso acontece, não se trata mais de preferência.

Trata-se de permanência. Aliás, a ideia de permanência X preferência é interessante. Vivemos de permanência, a preferência é consequência. Permanência é a fonte de fluxo de caixa ao longo do tempo. Preferência é o que preenche a gaveta mental. Permanência é a arte de tornar as marcas uma aliada aos consumidores. Permanência é a raiz – o que sobra na base do famoso Bloco do Freud – preferência é o fruto. 

Se quiserem que suas marcas perdurem na memória do consumidor, prestem atenção nos seus pontos de contato, nas experiências, e claro, na unicidade de suas ofertas!