Caviar cria iPhone Duo de R$ 450 mil

A marca russa de luxo transformou o primeiro dobrável da Apple em peça de colecionador, com ouro, diamantes e inspiração em Salvador Dalí. Samsung e iPhone 18 Pro também entraram na mira.

O que você precisa saber

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A versão Dali do iPhone Duo custa mais de US$ 90 mil, cerca de R$ 450 mil, e leva o logotipo da Apple cravejado de diamantes.

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O modelo Jingtai Blue (US$ 80 mil) não tem diamantes, mas usa detalhes em ouro inspirados na arte decorativa da dinastia Ming, do século XV.

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Qas Al Noor e Omkara custam US$ 73 mil (R$ 363 mil) cada: um com ornamentos botânicos platinados do mundo árabe, outro com o símbolo sagrado Om e flores de lótus.

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No Brasil, o iPhone Duo "normal" custa de R$ 22 mil a R$ 31 mil e já esgotou nas lojas.

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O Galaxy Z Fold 8 Ultra Lionel Messi sai por R$ 60 mil, com alto relevo e banho de ouro de 24 quilates.

O iPhone Duo, primeiro smartphone dobrável da Apple, já nasceu como um aparelho caro. Mesmo assim, a Caviar decidiu que o preço de prateleira ainda estava longe do teto. A marca de luxo anunciou uma linha de edições customizadas do dobrável, e a mais cara, chamada Dali, ultrapassa US$ 90 mil, o equivalente a cerca de R$ 450 mil em conversão direta.

A Dali busca inspiração no pintor surrealista Salvador Dalí e aposta em um design incrustado de pedras preciosas. A estrutura traseira recebe adornos ondulados em violeta, uma referência visual ao universo onírico do artista. O logotipo da Apple, na parte de trás, é recheado de diamantes, o que dá ao aparelho o toque de joia que a marca persegue.

A Caviar é uma empresa russa especializada em smartphones customizados, e ficou conhecida sobretudo pelos iPhones banhados em ouro. Ela transforma lançamentos de grandes fabricantes em objetos de ostentação, quase sempre em edições limitadas e com temas bem marcados. Com o primeiro dobrável da Apple, a proposta ganhou uma tela que abre e fecha, e portanto mais superfície para ornamentos.

Quem quer entrar no clube sem chegar ao topo da lista tem uma opção “mais acessível”, se é que a palavra cabe aqui. A versão Jingtai Blue custa US$ 80 mil, ou R$ 402 mil, e é ainda mais colorida que a Dali. O design se inspira na ornamentação e na riqueza da arte decorativa chinesa da dinastia Ming, do século XV.

Apesar de não ter diamantes, o Jingtai Blue compensa com detalhes delineados em ouro sobre o fundo azul. A lógica é a de uma peça decorativa, mais próxima de uma porcelana imperial do que de um gadget. Aqui, o aparelho funciona como suporte para uma linguagem artística, e o hardware por baixo continua sendo o mesmo iPhone Duo.

Duas outras versões completam a linha do dobrável e custam US$ 73 mil cada, cerca de R$ 363 mil. A primeira é o Qas Al Noor, que se inspira na ornamentação botânica platinada do mundo árabe. A segunda é o Omkara, que coloca o símbolo sagrado Om no centro da traseira, cercado por flores de lótus.

Somando as quatro versões, a Caviar cobre referências bem diferentes: surrealismo europeu, arte imperial chinesa, padrões botânicos árabes e iconografia indiana. É uma estratégia comum no segmento de luxo, que busca falar com colecionadores de regiões e gostos distintos. O aparelho em si é igual para todos, e o que muda é a narrativa estética aplicada a ele.

Para dimensionar o salto de preço, vale olhar o valor oficial no Brasil. O iPhone Duo está à venda por no mínimo R$ 22 mil e no máximo R$ 31 mil, e já esgotou nas lojas. Isso significa que a Dali custa algo entre 14 e 20 vezes mais que o dobrável vendido pela Apple, dependendo da configuração escolhida como base de comparação.

A Caviar não se limitou ao dobrável da Apple. Os iPhone 18 Pro e 18 Pro Max também ganharam tratamento de luxo, e o item mais caro dessa linha é o Palmette 18K, de US$ 85 mil, ou R$ 427 mil. O design é inspirado no Art Deco, com corpo construído em ouro 18 quilates e porções de diamantes espalhados pela traseira.

Os modelos convencionais, aliás, também não são baratos. O iPhone 18 Pro começa em R$ 12 mil e vai até R$ 22 mil na versão Pro Max. Ou seja, mesmo a linha “tradicional” da Apple já ocupa uma faixa de preço que seria impensável para smartphones há poucos anos, e a Caviar apenas empurra essa lógica ao extremo.

A concorrência também entrou no jogo. A Samsung tem os dobráveis mais recentes com versões de luxo, e o modelo mais caro é o Galaxy Z Fold 8 Ultra, chamado Lionel Messi, a R$ 60 mil. Ele custa quase o mesmo que uma versão do Coringa, e ambos têm detalhes em alto relevo e banho de ouro de 24 quilates.

No caso do Galaxy Z Fold 8 compacto, os usuários podem adquirir edições de outros personagens da cultura pop, como Don Corleone, de O Poderoso Chefão, e Tony Montana, de Scarface. O Galaxy S26 Ultra também tem uma versão bem parruda, de R$ 80 mil. Nesse caso, a customização aposta mais em personagens e ícones do que em referências à arte clássica.

Para comparação, o Galaxy Z Fold 8 e o S26 Ultra já estão no mercado há algum tempo e circulam na faixa dos R$ 10 mil. Uma edição de R$ 60 mil equivale, portanto, a cerca de seis vezes o preço do aparelho original. Mesmo assim, ela ainda é muito mais barata que as versões mais caras do iPhone Duo preparadas pela Caviar.

O movimento mostra como os dobráveis viraram o novo palco da customização de luxo. Telas que abrem e fecham, estruturas maiores e preços já elevados criam o ambiente ideal para edições exclusivas. Quem acompanha as novidades sobre o iPhone sabe que a Apple demorou a entrar nesse mercado, e a chegada do Duo atraiu rapidamente a atenção de quem vive de transformar tecnologia em objeto de desejo.

Esse interesse tem reflexo no mercado de componentes. De acordo com o TecMundo, o iPhone Duo e o Galaxy Z Fold 8 catapultaram a produção de telas dobráveis em 44% em 2026. Ou seja, o apetite por esse formato não está restrito a colecionadores, e as edições milionárias da Caviar surfam numa onda que já é de escala industrial.

Na prática, é improvável que muita gente compre uma Dali ou um Jingtai Blue. Esses aparelhos funcionam como vitrine de marca, assunto de conversa e peça para um público muito específico de colecionadores e endinheirados. O fato de o iPhone Duo oficial já ter esgotado no Brasil indica, porém, que a demanda pelo dobrável da Apple é real, e é nela que a Caviar se apoia para vender o exagero.