O ChatGPT agora tem um modo que se recusa a dar respostas prontas. Chama-se Study Mode e foi criado para ajudar você a aprender de verdade — sem atalhos. Em vez de simplesmente resolver o exercício por você, o ChatGPT passa a guiar o raciocínio com perguntas, pistas e verificações. É como conversar com um tutor que insiste para que você pense antes de responder.
Esse novo modo já está disponível para todos os usuários logados — gratuito, Plus, Pro e Team — e chegará em breve ao ChatGPT Edu. A experiência muda completamente a dinâmica da conversa. Por exemplo: se você pergunta “o que foi a Revolução Francesa?”, em vez de devolver um parágrafo pronto, ele pode perguntar “o que você já sabe sobre os acontecimentos que levaram ao fim da monarquia?” ou “por que você acha que esse período foi importante para a democracia moderna?”. A ideia é forçar a reflexão, não a cópia.

O funcionamento do Study Mode combina várias abordagens pedagógicas conhecidas. Ele usa questionamento socrático (responde com perguntas), respostas escalonadas (quebra o conteúdo em etapas), adaptação ao usuário (ajusta o nível com base nas conversas anteriores), verificações de conhecimento (faz pequenas checagens para garantir que você entendeu) e flexibilidade total (você pode ativar ou desativar o modo quando quiser).
Segundo a OpenAI, a ferramenta foi desenvolvida em parceria com professores, cientistas e especialistas em educação, depois que perceberam que o ChatGPT havia se tornado um dos recursos mais usados por estudantes no mundo inteiro — muitas vezes, para colar. Com o Study Mode, a empresa tenta virar esse jogo: em vez de combater o mau uso, está tornando o produto mais exigente, mais útil e mais educativo.
Os primeiros usuários universitários aprovaram. Um deles chamou o modo de “plantão de dúvidas 24h com alguém que nunca cansa”. Outro disse que finalmente entendeu cálculo integral depois de uma longa sessão de perguntas e respostas guiadas. Não por mágica, mas por construção do raciocínio.
O lançamento é parte de uma estratégia maior. A OpenAI também está trabalhando com a SCALE Initiative da Universidade de Stanford para medir, ao longo do tempo, os efeitos reais da IA sobre a aprendizagem. E já planeja novos recursos: visualizações melhores, acompanhamento de objetivos ao longo das conversas e personalização ainda mais profunda.
Mas a concorrência está na frente. O Google, por exemplo, tem o NotebookLM, que transforma materiais de estudo em vídeos e podcasts, e o LearnLM, voltado 100% para a área educacional. A diferença é que o Google investe pesado na forma e no formato. A OpenAI, ao menos por enquanto, está apostando no conteúdo e na conversa como ferramenta principal de ensino.
Educadores como Ethan Mollick reconhecem que o recurso ainda tem limitações, mas é um passo importante. Simon Willison chegou a divulgar o prompt interno usado no Study Mode — quem quiser pode adaptá-lo para funcionar em outras plataformas como Gemini ou Anthropic, bastando copiar as instruções.
Para funcionar de verdade, o recurso ainda precisa evoluir. Incorporar práticas de aprendizado eficazes, como espaçamento, interleaving, recuperação ativa, e talvez até alertas para revisões periódicas. Mas o ponto central está lançado: em vez de punir quem usa IA para colar, por que não transformar a IA numa aliada real da aprendizagem?
Resta saber se os alunos vão topar o desafio. Porque, no fim, a tecnologia pode até insistir que você aprenda. Mas ela ainda não pode querer isso no seu lugar.