
A Garage Beer está redefinindo o que significa ser uma marca de cerveja. Enquanto concorrentes investem em campanhas cheias de produção e quase sempre genéricas, a Garage Beer mergulha de cabeça em nichos culturais, como filmes de artes marciais, luta-livre e horror retrô — e transforma cada referência em uma conexão autêntica com seu público. O resultado? Um crescimento de 460% (!!!) nas vendas em um ano, uma base de fãs apaixonada e uma abordagem de marketing que já está sendo comparada à de marcas como Liquid Death e Dr. Squatch.
A marca que virou um dojo de criatividade
A virada começou em 2023, quando Andy Sauer relançou a Garage Beer com uma visão clara: construir uma marca que não se levasse a sério demais — mas que levasse seu público muito a sério. A chegada dos irmãos Jason e Travis Kelce (ambos jogadores de futebol americano e ícones midiáticos) como sócios-operadores elevou essa estratégia a outro nível.
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Completo
Jason, já aposentado da NFL, virou o rosto da marca e estrela de “Brewmite” — uma série de vídeos com estética de filmes de artes marciais dos anos 80 e 90. O conteúdo, além de engraçado e nostálgico, serviu como ponto de encontro com comunidades apaixonadas por cultura pop, wrestling e humor físico.

“Brewmite”: de piada interna a blockbuster de nicho
O primeiro episódio já mostrava a receita de sucesso: humor absurdo, referências visuais precisas e a mistura perfeita entre “zoeira” e produção cuidadosa. Mas o segundo episódio elevou a aposta, trazendo Travis Kelce e Chuck Liddell (lenda do UFC) para o ringue. Além dos vídeos, a campanha contou com:
- Fita VHS de edição limitada
- Festa de lançamento em estilo première de cinema
- Merch retrô
- Conteúdo digital espalhado nas redes
O conceito da marca ficou ainda mais claro: fazer marketing como se fosse um filme indie cult. E isso, ironicamente, virou mainstream.

Marketing como espelho do público
Corey Smale, Chief Creative Officer da Garage Beer, diz que o objetivo não é parecer uma marca legal. É ser uma marca que consome as mesmas coisas que seus consumidores. Isso se traduz em ações como:
- Apoiar podcasts sobre brinquedos de wrestling
- Patrocinar lutas de cinturão em eventos alternativos
- Criar campanhas com lutadores excêntricos (como o do cabelo verde)
- Brincar com objetos absurdos, como uma cama d’água cheia de cerveja
Smale explica: “Não temos orçamento para patrocinar WWE ou AEW, mas sabemos como entrar nesse mundo pelos lados. E quem está lá sabe que a gente faz parte também.”
“Garage Fear”: terror, nostalgia e pumpkin spice
Em agosto, a marca anunciou a campanha “Garage Fear”, em parceria com Tim Jacobus — ilustrador da série de livros “Goosebumps”. A ação inclui:
- Rótulos temáticos de Halloween
- HQ adulta com tiragem limitada (100 cópias)
- Curta animado
- Pop-up em uma casa assombrada em St. Louis
A sátira é explícita: “Tão boa que assusta a indústria de seltzers”. E a proposta criativa não economiza no sarcasmo contra as tradicionais pumpkin beers.
Micro nichos, macro resultados
O segredo da Garage Beer é não tentar falar com todo mundo. Ela fala diretamente com quem entende as referências — e esse público responde com lealdade. A estratégia é ágil, barata e sem os contratos burocráticos que sufocam marcas maiores.
Para um mercado saturado e genérico como o de cervejas, essa abordagem cria conexão verdadeira. A marca não é sobre cerveja. É sobre pertencer a uma cultura específica.
4 lições
1. Nicho não é limitação — é acesso direto à atenção.
Garage Beer cresceu rápido justamente por mirar pequeno: wrestling, filmes B, cultura VHS.
2. Coerência é mais importante que escala.
A marca nunca tenta parecer algo que não é. E é exatamente isso que gera identificação.
3. Microinfluência > celebridade genérica.
Em vez de estrelas globais, a marca usa rostos autênticos dos universos que ela habita.
4. Offline e online não competem — se complementam.
Fitas VHS, HQs físicas e festas temáticas coexistem com conteúdos digitais virais.
Garage Beer prova que, para crescer rápido, não é preciso gastar rios de dinheiro nem tentar agradar todos. Basta encontrar um grupo que compartilha paixões reais, falar sua língua e entregar algo que pareça feito por eles, para eles.
Mais do que uma cerveja, a Garage Beer é um case de branding moderno onde nicho, cultura e criatividade se misturam para construir uma comunidade — e não só uma base de consumidores.