O varejo em 2026 está diante de um cenário dinâmico e desafiador. A tecnologia avança rapidamente, os consumidores mudam de comportamento com frequência e as empresas precisam se adaptar a novas demandas sociais, econômicas e culturais. A NRF (National Retail Federation) reuniu especialistas para identificar os principais movimentos que devem moldar o setor neste ano. São cinco grandes tendências já em curso e cinco previsões que apontam para o futuro próximo.

🔑 5 tendências que já estão moldando o varejo
1. Inteligência Artificial: de promessa a realidade
A IA se tornou parte essencial do varejo. Em 2025, duas grandes inovações mudaram o jogo: os agentes inteligentes para consumidores e as cadeias de suprimentos autônomas. Chatbots e assistentes virtuais agora ajudam clientes a comprar, responder dúvidas, sugerir receitas e até refazer pedidos com base no que há na geladeira.
No backoffice, algoritmos preveem demanda, ajustam estoques e otimizam entregas. A previsão é que 40% dos sistemas empresariais tenham agentes de IA até o fim de 2026. O investimento em IA deve crescer quase 32% ao ano até 2029, segundo a IDC.
Empresas estão apostando em personalização, automação e eficiência logística para proteger margens e melhorar a experiência do cliente.
2. Walmart: tudo, em todo lugar, ao mesmo tempo
O Walmart se consolidou como o varejista mais poderoso dos EUA, segundo o ranking da Kantar. A empresa investiu pesado em tecnologia, remodelou lojas, lançou linhas de moda exclusivas e integrou canais físicos e digitais.
Entre as novidades estão motores de recomendação com IA, QR codes para engajamento digital, quiosques para pedidos online e integração com plataformas como TikTok Shop.
Com John Furner assumindo como CEO, a expectativa é de crescimento acelerado, estabilidade financeira e liderança em inovação.
3. Shopping centers voltam a ser destinos sociais
Depois de anos em queda, os shoppings estão se reinventando como espaços de convivência e entretenimento. Em 2025, o tráfego em shoppings aumentou, com destaque para experiências imersivas como o Netflix House, que recria cenários de séries e filmes famosos.
Marcas como Ralph Lauren apostam em pop-ups temáticos que conectam estilo de vida à experiência de compra. Em um mundo cada vez mais digital, os consumidores buscam interação humana e experiências reais — e os shoppings estão respondendo.
4. Medicamentos para emagrecimento mudam o consumo
O uso de remédios como Ozempic e Wegovy mais que dobrou nos EUA, afetando diretamente o varejo. A taxa de obesidade caiu, e isso está mudando o que e como as pessoas compram.
Na moda, há maior demanda por tamanhos menores e roupas mais ajustadas. No setor alimentício, marcas estão lançando produtos com alto teor de proteína e menos calorias. A Kroger, por exemplo, ampliou sua linha Simple Truth com mais de 80 itens focados em proteína.
O varejo de segunda mão também deve crescer, com consumidores trocando roupas antigas por peças que refletem suas novas medidas.
5. Gerações Z e Alpha redefinem o varejo
Essas gerações são digitais, exigentes e rápidas em mudar de opinião. Elas valorizam autenticidade, inclusão e experiências híbridas.
O desafio para as marcas é acompanhar esse ritmo. Um dia estão obcecadas por bag charms, no outro querem experiências reais e, logo depois, usam IA para encontrar ofertas.
Para se conectar com esses públicos, talvez seja necessário contratá-los. Mas atenção: Gen Z valoriza equilíbrio entre vida pessoal e trabalho, enquanto Gen Alpha busca ambientes colaborativos e aprendizado contínuo.
📈 5 previsões para o varejo em 2026

6. TikTok perde espaço entre os mais jovens
Plataformas como Reels, Shorts, Discord e até chatbots como ChatGPT estão ganhando atenção. Os jovens querem mais privacidade, controle e interações em grupos menores.
Com o TikTok sendo adotado por gerações mais velhas, seu apelo entre os jovens está diminuindo. O desafio para as marcas será equilibrar presença em múltiplas plataformas e construir comunidades mais íntimas e engajadas.
7. IA deixa de ser tendência e vira obrigação
O investimento em IA será essencial. CEOs querem resultados rápidos, mas CIOs precisam lidar com a complexidade da implementação.
A previsão é que os gastos globais com IA ultrapassem US$ 2 trilhões em 2026. A maior parte será destinada a CRM, personalização, atendimento virtual, previsão de demanda e logística.
A era do “hype” acabou — agora é hora de aplicar a IA de forma prática e sustentável.
8. Assistentes de IA mudam a jornada de compra
Ferramentas como ChatGPT estão tornando a compra mais intuitiva. Com recursos como o “Instant Checkout”, o consumidor pode finalizar a compra sem sair da conversa.
Isso muda a lógica do marketing: a visibilidade da marca dependerá da otimização para IA, não apenas de SEO ou anúncios pagos.
Mas há riscos: sistemas autônomos exigem segurança, compliance e confiança. O varejo precisará investir em proteção contra falhas e ataques.
9. Marketing será guiado por dados, tecnologia e cultura
Campanhas de sucesso contarão histórias reais, usarão IA para personalizar e se conectar com eventos culturais.
Exemplos como o anúncio da Duolingo sobre a “morte” do Duo e a campanha da Apple mostram como criatividade e sensibilidade cultural são essenciais.
Em 2026, marcas terão oportunidades em eventos como as Olimpíadas de Inverno, a Copa do Mundo e os 250 anos dos EUA — mas precisam evitar gafes e se posicionar com autenticidade.
10. Troca de CEOs continuará intensa
Em 2025, o varejo foi o setor com mais trocas de liderança. A tendência deve continuar em 2026, com empresas buscando perfis mais técnicos, ágeis e voltados para resultados.
Entre os novos nomes estão Kruti Patel Goyal (Etsy), Dayna Quanbeck (Rothy’s) e Michael Fiddelke (Target). A expectativa é que outras grandes redes anunciem mudanças nos próximos meses.
O varejo em 2026 será mais tecnológico, mais humano e mais exigente. As empresas que conseguirem unir inovação, propósito e agilidade terão vantagem competitiva.
A chave está em entender profundamente o consumidor, investir com inteligência e contar histórias que conectem. O futuro do varejo será construído por quem souber ouvir, adaptar e agir com coragem.