Tem séries que chegam. Tem séries que retornam. E tem séries que voltam com algo a provar. A segunda temporada de Cangaço Novo, que estreia em 24 de abril no Prime Video, pertence a essa terceira categoria. Sete episódios novos, liberados todos de uma vez, para mais de 240 países e territórios. O mesmo sertão, o mesmo cangaço reinventado no presente — mas com uma intensidade que, segundo quem já assistiu, ultrapassa tudo o que a primeira temporada estabeleceu.
Para entender o peso do que está por vir, é preciso recuar alguns dias no calendário.

Uma noite em Cabaceiras
Na noite de 15 de abril de 2026, algo raro aconteceu no audiovisual brasileiro. A cidade de Cabaceiras, no interior da Paraíba, com pouco mais de cinco mil habitantes, recebeu a première da segunda temporada de Cangaço Novo ao ar livre, sob um céu que ameaçou chuva e depois abriu para mostrar estrelas. Cerca de três mil pessoas compareceram ao Bode Rei Hall. Três mil, numa cidade de cinco mil. Elenco, diretores, roteiristas e produtores assistiram aos episódios sentados entre o público.
Não foi num shopping de grande centro. Não foi num cinema climatizado com direito a tapete vermelho e coquetel de networking. Foi no mesmo tipo de lugar onde os irmãos Lumière exibiam seus curtas no início do século 20 — ao ar livre, para quem estava ali, real.

Cabaceiras não é uma cidade qualquer dentro do universo do cinema brasileiro. Foi lá que Guel Arraes filmou O Auto da Compadecida, em 1999. A cidade é seca, luminosa, cinematográfica por natureza. E foi lá que a equipe de Cangaço Novo escolheu dar à segunda temporada o batismo que ela merecia.
O resultado foi o oposto de um evento de relações públicas. Quando o crédito final apareceu na tela, o que ficou no ar foi conversa. Conversa de gente que assistiu junto, que gargalhou junto, que prendeu a respiração nos mesmos momentos. No bar da praça central, minutos depois do encerramento, as reações já circulavam entre as mesas. Não era o tipo de coisa que se fabrica em coletiva de imprensa. Era real.
O que a série construiu na primeira temporada
Cangaço Novo chegou com uma proposta clara: pegar a estética e o imaginário do cangaço nordestino e transplantá-los para o Brasil contemporâneo. Sem nostalgia folclórica. Sem romantismo. Com violência, território, disputa de poder e uma cadência que mistura thriller com tragédia regional.
Ubaldo, interpretado por Allan Souza Lima, é o centro da história. Um banqueiro que abandona a vida ordenada da cidade para mergulhar no legado do pai — um mundo de alianças perigosas, códigos não escritos e lealdade cobrada com sangue. Ao seu lado, ou em rota de colisão com ele, está Dinorah, vivida por Alice Carvalho: uma figura central dentro de uma gangue de assaltantes no sertão cearense. Não é coadjuvante. Não é interesse amoroso. É força motriz.
A primeira temporada estabeleceu o mundo. Apresentou os personagens, os conflitos, os blocos de poder. Construiu com paciência o que a segunda temporada agora vai detonar.
O trailer e o que ele entrega
O Prime Video divulgou o trailer da segunda temporada em 18 de março de 2026. A prévia não economiza. Mostra os irmãos Vaqueiro ainda mais unidos, articulando alianças estratégicas para o que é descrito como o maior assalto de todos os tempos. O tom é de escalada — tudo que a primeira temporada plantou está prestes a ser colhido, e não necessariamente de forma limpa.
A trilha do trailer é “Línguas e Léguas”, música original inédita composta pelo BaianaSystem em parceria com Alice Carvalho — Russo Passapusso, Ubiratan Marques e a própria atriz assinam a composição. A escolha não é acidental. O BaianaSystem é uma das bandas mais politicamente e esteticamente carregadas do Brasil atual, uma fusão de axé, música eletrônica e crítica social que faz todo o sentido com o universo de Cangaço Novo. A trilha completa da série será lançada em formato EP no dia 27 de abril, três dias após a estreia.
O que muda na segunda temporada
Os dois primeiros episódios já foram vistos por quem esteve em Cabaceiras. O consenso: a série voltou mais agressiva. Mais técnica. Mais implacável.
A cinematografia deu um salto. A direção geral de Fábio Mendonça e a direção de Caito Ortiz resultam em imagens que carregam mais peso, mais intenção. Cada plano parece saber exatamente o que quer dizer. A ação é densa, mas não gratuita. O sertão não é cenário — é personagem.
O espírito da primeira temporada está preservado. Alice Carvalho foi direta ao falar sobre esse retorno: Dinorah volta com a mesma mentalidade de quem não tem nada a perder. Isso, somado à evolução técnica, cria uma mistura que vai puxar o espectador para frente o tempo todo.
Na trama, os desafios aumentam de tamanho. Ubaldo e Dinorah enfrentam diretamente Gastão Maleiro, vivido por Bruno Belarmino, e Paulino Leite, interpretado por Daniel Porpino — os antagonistas que representam a corrupção e a violência institucionalizada que sufocam Cratará. Enquanto isso, Dilvânia, papel de Thainá Duarte, encontra nos fundamentos da fé o caminho para assumir a liderança espiritual da Irmandade. Três personagens em movimentos distintos, três tensões que vão convergir.
Ubaldo: do banco ao cangaço
Allan Souza Lima carrega Ubaldo com uma precisão que vai além do que a descrição do personagem sugere. Não é uma história simples de identidade perdida e reencontrada. É mais complicado do que isso. Ubaldo não encontra conforto no legado do pai — ele é arrastado por ele. Há uma diferença entre escolher um caminho e ser consumido por ele, e a série explora esse território com inteligência.
O abandono da vida de banqueiro não é um ato de libertação. É o começo de uma série de perdas. O que Ubaldo ganha no sertão — pertencimento, propósito, lealdade — vem sempre com um custo que ele não viu na conta antes de assinar o cheque.
Essa ambiguidade é um dos pontos fortes de Cangaço Novo. A série não oferece heróis limpos. Oferece pessoas tomando decisões dentro de sistemas que as superam, em cenários onde a violência é moeda corrente e a sobrevivência depende de escolhas que, de fora, parecem simples.
Dinorah: a figura que segura a série
Se Ubaldo é o centro narrativo, Dinorah é o centro emocional — e o perigo mais imediato. Alice Carvalho construiu um personagem que não pede permissão para existir. Dinorah não é definida pela relação com os homens ao redor. Ela tem uma visão de mundo, tem estratégia, tem raiva. E tem um código próprio que não negocia com facilidade.
Na segunda temporada, o confronto com os Maleiros vai colocar esse código à prova. Quando você está em guerra com uma estrutura que tem mais recurso, mais alcance e mais crueldade do que a sua, o que você preserva? O que você abandona?
Alice Carvalho também é uma das compositoras de “Línguas e Léguas”. Há algo coerente nisso — uma atriz que co-cria a linguagem musical da série que habita, que ajuda a definir o som de um mundo que ela também ajuda a construir em cena.
A produção por trás da série
Cangaço Novo é produzida por Andrea Barata Ribeiro, da O2 Filmes, com coprodução de Cristina Abi, também da O2, e pela Amblin Entertainment — a produtora de Steven Spielberg. Esse dado não é cosmético. A presença da Amblin coloca Cangaço Novo dentro de uma conversa global sobre produção de qualidade, e a distribuição em mais de 240 países é o resultado direto disso.
A série foi criada por Mariana Bardan e Eduardo Melo, que também comandam a sala de roteiro ao lado de Fernando Garrido. A coerência entre temporadas — algo que muitas produções brasileiras perdem quando tentam escalar — passa pela manutenção dessa equipe criativa no centro do processo.
A direção geral fica com Fábio Mendonça, e Caito Ortiz assina a direção de episódios. O resultado visual da segunda temporada, segundo quem já viu, é a prova de que essa combinação funciona e evoluiu.
O elenco ampliado

Além do núcleo central — Allan Souza Lima, Alice Carvalho e Thainá Duarte —, a segunda temporada traz participação especial do cantor João Gomes. A presença de um artista que domina o forró atual dentro de uma série que transita pelo universo cultural do Nordeste não é apenas marketing. É um sinal de como Cangaço Novo entende seu próprio território.
O elenco de apoio é robusto: Marcélia Cartaxo, Hermila Guedes, Xamã, Rafael Losso, Ênio Cavalcante, Joálisson Cunha, Luiz Carlos Vasconcelos, César Ferrario, Buda Lira e Lucas Veloso completam um time que traz profundidade a cada cena secundária.
Marcélia Cartaxo e Hermila Guedes, em particular, são duas das atrizes mais respeitadas do cinema brasileiro — e a presença de ambas em Cangaço Novo diz algo sobre o nível de confiança que a produção gerou dentro da indústria.
Cangaço Novo e o momento do audiovisual brasileiro
Cangaço Novo não existe num vácuo. Ela chega num momento em que o audiovisual brasileiro está negociando seu espaço no mercado global de streaming com mais força do que em qualquer outro período. Produções brasileiras distribuídas mundialmente por plataformas como o Prime Video, a Netflix e a Apple TV+ mudaram a conversa. O que antes era exceção — uma série brasileira sendo assistida com atenção real no exterior — está se tornando padrão.
O que diferencia Cangaço Novo dentro desse contexto é que ela não suaviza o Brasil para o consumo internacional. Não torna o Nordeste palatável ao olhar de fora. O sertão é áspero, violento, cheio de camadas históricas e culturais que a série não explica — ela simplesmente habita. Quem não conhece aprende assistindo. Quem conhece reconhece.
Isso é raro. E é exatamente o tipo de aposta que, quando funciona, funciona para todos os públicos ao mesmo tempo.
Segunda temporada chega com sete episódios liberados de uma vez
Há um tipo de série que você põe pra tocar enquanto faz outra coisa. Há outro tipo que exige que você sente. Cangaço Novo é do segundo tipo.
A segunda temporada chega com sete episódios liberados de uma vez — uma decisão de distribuição que vai contra a maré dos lançamentos semanais que plataformas como o Prime e a Netflix têm adotado em muitos títulos. É uma aposta na experiência de maratona, no consumo concentrado, no tipo de envolvimento que só acontece quando você não consegue parar.
Com uma cinematografia superior, uma narrativa que escalou sem perder coerência, personagens que cresceram e um elenco que sabe exatamente o que está fazendo, Cangaço Novo está bem posicionada para ser o título brasileiro do primeiro semestre de 2026.
A estreia é 24 de abril. O EP do BaianaSystem chega três dias depois. E Cabaceiras, a cidade onde tudo aquilo começou numa noite de abril sob um céu aberto, já entrou para a história do audiovisual brasileiro — mesmo que a maioria das pessoas ainda não saiba disso.
Ficha Técnica
Título: Cangaço Novo — 2ª Temporada Plataforma: Prime Video Estreia: 24 de abril de 2026 Número de episódios: 7 (todos disponibilizados simultaneamente) Distribuição: Mais de 240 países e territórios
Criação: Mariana Bardan e Eduardo Melo Direção geral: Fábio Mendonça Direção: Caito Ortiz Sala de roteiro: Mariana Bardan, Eduardo Melo e Fernando Garrido
Produção: Andrea Barata Ribeiro (O2 Filmes) Coprodução: Cristina Abi (O2 Filmes) Produtora associada: Amblin Entertainment
Elenco principal: Allan Souza Lima (Ubaldo), Alice Carvalho (Dinorah), Thainá Duarte (Dilvânia), Bruno Belarmino (Gastão Maleiro), Daniel Porpino (Paulino Leite)
Participação especial: João Gomes
Elenco de apoio: Marcélia Cartaxo, Hermila Guedes, Xamã, Rafael Losso, Ênio Cavalcante, Joálisson Cunha, Luiz Carlos Vasconcelos, César Ferrario, Buda Lira, Lucas Veloso
Trilha sonora: BaianaSystem Música original inédita: “Línguas e Léguas” — Russo Passapusso, Ubiratan Marques e Alice Carvalho, com participação de Alice Carvalho Lançamento do EP: 27 de abril de 2026
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Cangaço Novo
2ª Temporada · Amazon Prime Video
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2026 · 7 episódios · +16
Após a morte de Ernesto, os irmãos Ubaldo, Dinorah e Dilvânia enfrentam uma guerra brutal contra os Maleiros, que querem dominar Cratará. Entre assaltos, alianças traiçoeiras e perdas devastadoras, os Vaqueiros lutam para proteger sua terra e seu povo.
Elenco principal
Allan Souza Lima, Alice Carvalho, Thainá Duarte, Hermila Guedes, Marcélia Cartaxo, Ricardo Blat
Estreia: 24 de abril de 2026 · Todos os episódios de uma vez
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