Cineasta britânica anuncia “BOSS” como o primeiro longa de IA a estrear nos cinemas

Produzido sozinha em cerca de 50 dias, o drama criminal ambientado em Liverpool nos anos 1960 ainda busca distribuidora.

A cineasta britânica Jenny Krakovsky divulgou nesta quinta-feira (24) o trailer de BOSS (2026), longa-metragem que ela afirma ser o primeiro filme de ficção gerado por inteligência artificial dirigido por uma mulher e com lançamento previsto para as salas de cinema. Em postagem nas redes sociais, ela descreveu o projeto como resultado de um esforço solitário: “Não um estúdio. Uma mulher com um laptop.”

Krakovsky, que tem trajetória anterior em documentários e comerciais para marcas como Nike e Prada, iniciou em maio de 2026 um desafio público de 30 dias para produzir um longa usando apenas ferramentas de IA. O processo se estendeu por cerca de 50 dias, com vlogs diários que documentaram a criação de um drama criminal ambientado em Liverpool nos anos 1960. Segundo ela, o filme conta a história de uma dona de casa que assume o controle de um império criminoso.

No anúncio, a diretora reforça os superlativos: trata-se do primeiro longa de IA feito por uma mulher e o primeiro a chegar às salas de cinema. Ela também cita o roteirista Oscar Avary (coautor de Pulp Fiction), que teria descrito seu trabalho como “a vanguarda do cinema independente”. Avary chegou a comentar publicamente um dos vídeos de processo de Krakovsky, elogiando-o como “cinema independente legítimo em 2026”.

a história de uma dona de casa que assume o controle de um império criminoso

A afirmação de pioneirismo, no entanto, encontra nuances. Diversos longas e médios gerados total ou parcialmente por IA já circularam desde 2023, incluindo obras de diretores homens que estrearam em festivais (como o Tribeca) ou tiveram lançamentos limitados em cinemas de países como Coreia do Sul e Índia. Listas de mulheres atuantes na área de cinema com IA concentram-se, até o momento, principalmente em curtas e trabalhos experimentais. Não há registro amplo de outro longa narrativo de IA dirigido por mulher com a mesma visibilidade e pretensão teatral de BOSS.

Quanto à distribuição, Krakovsky fala em “em breve em um cinema perto de você”. Até agora, o que se sabe publicamente é que ela está em busca de oportunidades de lançamento teatral após a conclusão do filme. Não há confirmação de distribuidora, datas firmes ou programação em salas.

O caso ilustra o momento atual do cinema gerado por IA: barreiras técnicas e financeiras caíram, permitindo que criadores individuais produzam obras de longa duração em semanas. Ao mesmo tempo, as disputas por títulos de “primeiro” se multiplicam, dependendo de critérios como grau de geração automática, duração, gênero do diretor ou formato de lançamento.

BOSS chega, portanto, como mais um capítulo — e um dos mais publicamente documentados — dessa disputa. Resta acompanhar se a promessa de estreia nos cinemas se concretizará e se o filme conseguirá se firmar como marco ou apenas como um dos muitos experimentos que estão redesenhando a produção audiovisual.