O que você precisa saber
As pré-estreias de quinta-feira renderam US$ 4 milhões, bem abaixo dos US$ 8,8 milhões de Resident Evil em setembro.
A projeção é de US$ 25 a 35 milhões no fim de semana de estreia nos EUA e cerca de US$ 70 milhões no mundo, contra um orçamento reportado de US$ 82 milhões.
No Rotten Tomatoes, o filme tem 44% da crítica (72 reviews) e 82% de aprovação do público.
A produção é cofinanciada pela Legendary Pictures e pela Capcom, com distribuição da Paramount Pictures.
A adaptação live-action de Street Fighter chegou aos cinemas com um começo decente, mas sem a folga que um filme de videogame caro costuma precisar. Segundo o The Numbers, as pré-estreias de quinta-feira arrecadaram US$ 4 milhões. É um número sólido, porém não tão impressionante quando se olha o que está por trás dele.
A projeção para o primeiro fim de semana nos Estados Unidos fica entre US$ 25 milhões e US$ 35 milhões. No mercado global, a estimativa chega a cerca de US$ 70 milhões. O orçamento de produção reportado é de US$ 82 milhões, o que significa que mesmo o cenário otimista de estreia ainda deixa o filme longe de qualquer zona de conforto financeiro.
Pré-estreias costumam ser puxadas pelo público mais fiel, aquele que compra ingresso antecipado porque já é fã da franquia. Por isso, o resultado de quinta serve mais como termômetro de entusiasmo do que como previsão confiável do desempenho completo. O que vai mostrar se o filme tem fôlego é o total do fim de semana e, principalmente, a queda de bilheteria na segunda semana.
Há também um ponto de comparação incômodo. As pré-estreias de Street Fighter ficaram abaixo dos US$ 8,8 milhões que Resident Evil fez nas sessões de quinta-feira em setembro. Como as duas produções saem de games populares da Capcom, a comparação é inevitável. O resultado reforça a impressão de que a estreia de Street Fighter, apesar de respeitável, não chega a ser um nocaute.
O filme tem direção de Kitao Sakurai e é cofinanciado pela Legendary Pictures e pela Capcom, com distribuição da Paramount Pictures. O elenco reúne nomes como Noah Centineo, Andrew Koji, Callina Liang, Jason Momoa e 50 Cent. Esse time grande é uma aposta clara em apelo popular, mas só ajuda a bilheteria se o boca a boca for favorável.
É justamente na recepção que o filme enfrenta o seu maior desafio. No Rotten Tomatoes, Street Fighter tem 44% no Tomatometer, com base em 72 reviews, o que o coloca na faixa de recepção mista a negativa. A pontuação do público, por outro lado, é bem mais generosa: 82%.
Essa distância entre crítica e plateia pode jogar a favor do filme. Se o público que assiste nos primeiros dias sair satisfeito e espalhar a recomendação, a bilheteria pode ter uma queda menos brusca nas semanas seguintes. O risco é que uma nota fraca entre os críticos torne mais difícil convencer o espectador casual, que não é fã de Street Fighter e decide o que ver com base nas avaliações.
Entre os elogios, críticos destacaram a coreografia das lutas e as sequências animadas em 2D, apontadas como um dos pontos fortes da produção em meio às reações divididas ao restante do filme. Já as críticas negativas miram a narrativa confusa e o excesso de subtramas. O ComingSoon deu nota 6/10 e resumiu o problema ao dizer que a base emocional é frágil, o roteiro é poluído e a edição pode ser frustrantemente irregular.
O contexto da concorrência também pesa. Outros lançamentos da semana estão sendo recebidos com mais entusiasmo pela crítica. Whalefall, da Disney, tem 71% no Rotten Tomatoes com 113 reviews. O documentário You Can See Everything, da A24, sobre Elizabeth Holmes, marca 100% em 81 reviews. Já Sense and Sensibility, da Focus Features, aparece com 76% em 80 avaliações.
Esses números mostram que Street Fighter não disputa apenas com outros blockbusters. Ele divide a atenção de quem vai ao cinema com títulos que chegam com selo de aprovação da crítica, e isso pode pesar para o público que escolhe o filme da semana pelas notas. Para um longa que precisa de boa permanência em cartaz para se aproximar do orçamento, isso é um complicador.
A matemática é simples, mas dura. Com um custo reportado de US$ 82 milhões e uma projeção global de US$ 70 milhões só no primeiro fim de semana, o filme precisa de uma boa sequência de semanas para se pagar. É preciso lembrar ainda que a receita de bilheteria não vai toda para o estúdio, já que parte fica com os exibidores, e que há custos de marketing que normalmente não entram no orçamento de produção.
Ainda assim, as projeções são estimativas, e a estreia pode surpreender para cima ou para baixo quando os números reais saírem. O 82% de aprovação do público indica que existe uma base disposta a defender o filme. Resta saber se essa base é grande o suficiente para sustentar a bilheteria depois que os fãs mais ansiosos já tiverem passado pelas salas.
Para a franquia, o filme também carrega um peso simbólico. Street Fighter é um dos nomes mais reconhecidos dos games de luta e já ganhou outra versão para o cinema nos anos 1990, estrelada por Jean-Claude Van Damme, que virou cult. Essa memória afetiva ajuda a atrair curiosos, mas também cria uma régua alta de comparação, e a reação de parte do público ao placar da crítica mostra que há expectativa em volta do projeto.
O resultado do fim de semana deve dar a primeira resposta real: se a franquia consegue transformar nostalgia e fama em bilheteria consistente ou se o filme ficará preso ao público já convertido. Quem acompanha o noticiário sobre Street Fighter sabe que a recepção morna e a estreia modesta podem moldar o futuro de novas adaptações de games, especialmente de títulos que dependem da força de uma comunidade apaixonada.
Street Fighter já está em cartaz nos cinemas.

Street Fighter
Filme · Nos cinemas (Paramount Pictures)
Adaptação live-action do clássico game de luta da Capcom, dirigida por Kitao Sakurai. O filme reúne um grande elenco e inclui sequências em animação 2D.
Elenco Principal
Noah Centineo, Andrew Koji, Callina Liang, Jason Momoa, 50 Cent
Em cartaz nos cinemas






