De 2008 para 2009 a indústria musical vendeu 30% a menos em CDs. Em compensação, no mesmo período houve um aumento de 47% na venda de discos de vinil. Ainda que os números absolutos sejam pequenos, há uma tendência no ar.
Meu amigo de longa data e fã de discos de vinil, o Fernando Araújo do Dominódromo, escreveu um texto belíssimo dissecando os pormenores desse momento. Tomei a liberdade de copiar o trecho abaixo na maior cara de pau. Na verdade é quase o post inteiro, mas realmente vale a pena. :)
http://www.vimeo.com/3353773Havia um interesse financeiro das gravadoras na transição do vinil para o CD. Seus olhos brilharam com a chance de vender um disco duas vezes para a mesma pessoa. O processo, porém, não foi somente uma jogada lucrativa. O CD é uma mídia superior ao vinil, no sentido estrito. Permite uma vida sem trocas de lados, deformações por temperatura e umidade, arqueologia de sulcos microscópicos a cada troca de faixa, e dores na coluna na hora de levar os discos para outro lugar. Ele fez sentido.
A situação mudou com o surgimento do MP3. A distância entre ele e o CD é mínima. Ambos são digitais, ainda que em compressões distintas. E o MP3 tem a vantagem das vantagens: é gratuito. O vinil, entretanto, não é digital. Promete sonoridades estranhas, exóticas, orgânicas. E fica muito mais bonito na estante.
Para aqueles ao redor, uma coleção de bolachas diz muito, sem gastar palavras, sobre a personalidade do seu dono (ou a que ele gostaria de ter). Ela cria atalhos para conversas e audições sociais de música; leva, dedos cruzados, a conclusões como “tá, deve ser viciado em música”, “que sujeito cult” ou “nossa, como ele arrumou uma cópia disso?”. O ego é um fator decisivo para a aquisição de um vinil, assim como no caso de qualquer outra compra.
Mas o principal elemento nesta improvável decisão é interno, pessoal ao extremo. O nosso viés pós-modernista nos levou a desprezar a superioridade do CD. Pois a conveniência é ótima, obrigado, mas tem charme nenhum. A tecnologia, que antes tinha ares de mágica, ficou banal. O analógico tornou-se lindo.
Nós, compradores de vinil, queremos encartes, letras, datas de lançamento. Queremos ser forçados a ouvir um disco na íntegra, sem a troca desatenta de faixas a cada 10 segundos. Queremos romantismo, surpresa - ingenuidade, diria até - ao ouvir nossa música.
O que nós realmente queremos é uma justificativa para comprarmos a nossa música e ainda sentirmos aquela empolgação adolescente ao ouvir um disco. Se encontrarmos uma fração disso em nossos vinis, a irracionalidade do investimento já valeu a pena.









