O músico britânico John Michael “Ozzy” Osbourne, renomado vocalista do Black Sabbath e figura central na história do heavy metal, faleceu aos 76 anos. A informação foi confirmada por sua família, que destacou que o artista estava cercado de entes queridos no momento da morte. A causa não foi divulgada oficialmente, mas Osbourne enfrentava complicações decorrentes do Parkinson e apresentava mobilidade comprometida, conforme declarado por sua filha Kelly.
Reconhecido globalmente como o “Príncipe das Trevas” e “Padrinho do Heavy Metal”, Ozzy construiu uma carreira sólida ao longo de mais de cinco décadas, com mais de 100 milhões de discos vendidos. Seu legado inclui clássicos como *Paranoid*, *War Pigs* e *Sabbath Bloody Sabbath*, além de uma bem-sucedida trajetória solo iniciada após sua saída da banda, em 1979.
Em 5 de julho, Osbourne participou de um concerto histórico em Birmingham ao lado dos integrantes originais do Black Sabbath. Anunciado como sua “última reverência”, o evento marcou o encerramento simbólico de uma era. A apresentação foi também uma ação beneficente que arrecadou milhões para causas sociais.
Nascido em 3 de dezembro de 1948, em Aston, na região industrial de Birmingham, Osbourne teve uma infância marcada por dificuldades econômicas e desafios educacionais. Disléxico e com histórico de pequenos delitos na juventude, encontrou na música uma saída e, eventualmente, um propósito. Em 1967, uniu-se a Geezer Butler, Tony Iommi e Bill Ward para formar o grupo que revolucionaria o gênero: Black Sabbath.

O álbum de estreia homônimo foi gravado em apenas dois dias e se tornou um marco na história do rock pesado. O sucesso foi imediato, consolidando a estética sombria e o som denso que influenciariam gerações.
Apesar de ser celebrado pela crítica e pelo público, Osbourne teve uma trajetória marcada por controvérsias. Entre os episódios mais emblemáticos está a famosa mordida em um morcego durante uma apresentação em 1982 — ato que, segundo ele, foi acidental. Além disso, enfrentou severos problemas com álcool e drogas, que comprometeram relacionamentos pessoais e profissionais.
Ao longo da vida, Ozzy também protagonizou momentos de reconciliação e renovação. Casado com Sharon Osbourne desde 1982, com quem teve três filhos, reinventou sua imagem por meio do reality show *The Osbournes*, vencedor do Emmy em 2002. Foi agraciado com um Grammy e, em 2006, foi incluído no Hall da Fama do Rock and Roll junto ao Black Sabbath.
Em suas palavras, “deveria ter morrido mil vezes, mas nunca morri”. Ozzy Osbourne desafiou estatísticas, críticas e até a lógica, permanecendo uma das figuras mais singulares, controversas e influentes da música contemporânea. Seu impacto transcende o gênero musical e se mantém como referência de autenticidade, ousadia e resistência. Ele deixa seis filhos e uma legião de admiradores em todo o mundo.