A gente já viu de tudo no mundo da publicidade, mas a nova estrela da Chevrolet não é um jogador de futebol nem uma celebridade global. É o nosso bom e velho vira-lata caramelo, aquele ícone tupiniquim que já roubou a cena (faz anos) sem nem pedir licença.
Esse símbolo 100% Brasil core e de afeto despretensioso virou cor de carro em parceria com a Netflix. Pois é, o Caramelo não só estrela uma série, como também virou trend automotiva, de quebra, ação social com verba revertida para ONGs que atuam no setor.
O fenômeno de colocar patas e focinhos na jogada já se espalhou para marcas que, originalmente, não tinham nada a ver com o universo pet.
A adidas lançou uma linha de roupas para cães, no mesmo mood urbano e esportivo das coleções humanas. Pets ultra estilosos estampam a cara da marca. Já a gigante IKEA transformou camas e arranhadores em peças de design com uma coleção feita em collab com veterinários. A H&M vem surfando no mesmo comportamento com linhas de acessórios e fantasias sazonais. É o “mini-me” levado às últimas consequências: o tutor se reconhece no bicho, tem forte conexão e a marca se infiltra, de forma carinhosa, no cotidiano afetivo das pessoas.

E esse cotidiano é gigantesco. O Brasil já é o terceiro maior mercado pet do mundo, com cerca de 160 milhões de animais, na média isso dá 1,8 por domicílio. Mas vai além do que tudo isso, esse cenário revela um comportamento: segundo o IBGE, há mais lares com cães do que com crianças. É oficial: vivemos a geração pet.
A publicidade, como sempre, fareja onde o coração pulsa. E dessa vez, ele tá é latindo. A gente está vendo marcas deixarem de “usar” celebridades para conviver com símbolos de afeto real, os bichos que habitam o feed, o sofá e, muitas vezes, o vazio das casas modernas.
Posicionar uma marca com a criação de embaixadores caninos ou felinos, que fazem bem para todos, é muito diferente de tentar sequestrar uma audiência com um garoto-propaganda que se diz influente ou “fala com o público certo”. É um movimento de marketing baseado em tendência, inteligente, sensível e perceptível. Não é jogo baixo, é inteligência de marca e visão de quem está pilotando essas marcas.
Por mais embaixadores pets (bem alimentados, cuidados e remunerados) por aí sempre.
