Os melhores shows de 2025

Entre artistas nacionais e internacionais, alguns se repetiram, como em anos anteriores, mas nem por isso foram apresentações menos impactantes.
Cantor segurando microfone no palco. Cantor segurando microfone no palco.
Foto: Foto: @nydpedro

Em 2025, eu tive o privilégio de assistir a 65 shows. Entre artistas nacionais e internacionais, alguns se repetiram, como em anos anteriores, mas nem por isso foram apresentações menos impactantes. Um bom exemplo foi Gilberto Gil, que está rodando o Brasil com a turnê “Tempo Rei”. Em abril, quando ele passou por São Paulo, a beleza e o assombro de estar diante de um dos grandes artistas – cuja poesia ultrapassa o rótulo da música e se encaixa em outras formas de vida – foram enormes. Já em outubro, na segunda vez que fui ao show do Gil, o espanto dos meses anteriores parecia mais acomodado com a ideia de que o tempo rege-se sem que nada o pare. Mas a música de Gil, por também ser um tipo de tempo, deve ter causado algum ciúme ao rei.

A lista abaixo é a tentativa de eleger os 12 melhores shows vistos em 2025 e segue uma ordem cronológica.

Foto: Victor Mascaranhas
Foto: Victor Mascaranhas

01. Janeiro | Daniela Mercury e Timbalada, no Festival de Verão

O axé completou 60 anos em 2025. E Salvador deu um jeito de criar a melhor celebração possível. Sendo uma das artistas mais importantes do gênero, Daniela Mercury transformou a bela canção “Axé, Salvador” em um hino para a data. Ao lado da Timbalada, o que o público pôde ver na edição do Festival de Verão foi uma festa que não só exalta o axé, como o projeta para o futuro.

Foto: Screamyell
Foto: Screamyell

02. Janeiro | Silvia Machete é Rhonda, no Sesc Pompeia

Persona criada por Silvia Machete, Rhonda é uma mulher que se traveste de todo tipo de sentimentos. Nada lhe escapa. Tudo, ao mesmo tempo, a atravessa como se seu superpoder fosse o de ser invisível, mas somente a um tipo de gente. O deboche, a ironia, a sensualidade e a desfaçatez são elementos que marcam os trabalhos da artista, e estão amplificados no show “Silvia Machete é Rhonda”, como se as duas mulheres – Silvia e Rhonda – disputassem o mesmo corpo. Talvez essa tenha sido a substância de Silvia Machete: ser e não ser enquanto deixa o mundo inteiro à beira da loucura. O bis com “É preciso dar um jeito, meu amigo” foi maravilhoso.

Foto: Camila Cara
Foto: Camila Cara

03. Fevereiro | Sting, no Parque do Ibirapuera

Oito anos depois da sua última passagem pelo Brasil, Sting lotou o Parque do Ibirapuera em uma noite nostálgica, claro, mas muito vigorosa. Em algum momento, o líder do The Police me pareceu emocionado. Pudera! Com a plateia entregue às canções, a transfusão entre o criador e as criaturas que o assistiam era sentida mesmo fora do Ibira. Tanto que, para mim, Sting fez um show para encantar quem é muito fã, e inspirar quem nunca esteve por dentro da música dele.

Foto: @pridiabr/Divulgação
Foto: @pridiabr/Divulgação

04. Abril | Gilberto Gil, no Allianz Parque

Gilberto Gil subiu ao palco do Allianz Parque, em São Paulo, para cantar aquilo que sempre o guiou. Entre os versos mais inspirados, o gracejo do seu forró e a paz, é em momentos como “Se eu pudesse falar com Deus”, com o estádio completamente em silêncio, que Gil transporta o espectador para uma dimensão onde não existe tempo, gravidade e outros elementos mundanos. É como se, ao longo daquelas quase 3h de duração, nós todos déssemos um passeio pela Via Láctea só para descobrir que o que há de mais sagrado na existência não está lá fora.

Cantora performa em palco com banda ao fundo.

05. Maio | Mariene de Castro, na Casa Natura Musical

Mariene canta o Brasil na forma de forró, ponto de umbanda, cantiga, MPB… e a doçura da sua voz se mantém como o guia para nos levar para dentro de cada uma dessas histórias. Mariene é uma das maiores cantoras em atividade no país, e assisti-la ao vivo é, de fato, um acontecimento. “O Canto das Três Raças”, puxado no bis, foi poderoso.

Foto: sempreumrock.com.br/
Foto: sempreumrock.com.br/

06. Maio | Paralamas do Sucesso, no Allianz Parque

40 anos de história resumidos em um único show. Dá pra fazer isso? Os Paralamas do Sucesso responderam a isso com essa turnê que explica o “sucesso” do nome sem gastar muita saliva. O setlist foi completo: “O Calibre”, “Quase um Segundo” e “Meu Erro” foram catárticos.

Foto: https://musicapave.com/
Foto: https://musicapave.com/

07. Junho | Stefanie, na Casa Natura Musical

Depois de muitos anos na cena, a rapper paulistana Stefanie lançou seu primeiro álbum. Bunmi apresenta uma cantora madura, consciente de seu caminho, dos seus traços e do que precisa ser dito ou ouvido. No show de lançamento, ela juntou Emicida, Rashid, Luedji Luna e muitos outros parceiros, mas nunca permitiu que encobrissem a força e o protagonismo da dona da casa. 

Foto: Bel Gandolfo/Divulgação
Foto: Bel Gandolfo/Divulgação

08. Julho | Don L., na Audio

Não deve ter lista no Brasil que deixe “Caro Vapor – Vol. 2” de fora dos melhores álbuns do ano. Rapper favorito do seu rapper favorito, Don L. é um artista inquieto, sempre na busca da próxima contracorrente para nadar. Ao vivo, as faixas do novo trabalho ganharam ainda mais poder e o final do show, tocando “Melhor da Vida” enquanto a plateia ganha um banho de champagne, foi marcante.

Foto: Marcos Oliveira / Espaço Unimed
Foto: Marcos Oliveira / Espaço Unimed

09. Agosto | Luedji Luna, no Espaço Unimed

Luedji lançou dois discos em um prazo de duas semanas. “Um mar para cada um” e “Antes que a terra acabe” são dois continentes. Há um oceano que os separa, mas a sutileza, a beleza e a poesia de Luedji não deixam que o espectador se afogue. Ao contrário: é a música que nos faz respirar debaixo d’água. A cenografia do show é espetacular e o momento em que Luedji canta “Joia” me lembrou muito aquela cena de “O Segredo do Abismo”, filme do James Cameron em que Ed Harris descobre a cidade submersa: o delírio, a fantasia e a magia como uma espécie de sonho. 

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Foto: @coalafestival @bmaisca
Foto: @coalafestival @bmaisca

10. Setembro | Nando Reis e Chico Chico, no Coala Festival

Não fiquei entusiasmado para o segundo dia do Coala Festival. Para mim, faltava alguma coisa… Só que bastaram 10 minutos de Nando Reis e Chico Chico juntos pela primeira vez no palco para que eu mudasse completamente de opinião. Que show lindo! E como foi impactante ver o filho de Cássia Eller – uma artista tão importante para a música brasileira e para o amigo Nando Reis – dividir o tempo com a mãe. Esse foi um show que mostra a razão de o Coala Festival ser um tipo de farol na cena.

Cantor segurando microfone no palco.
Foto: Foto: @nydpedro

11. Setembro | Kendrick Lamar, no Allianz Parque

Se eu fosse definir o show do Kendrick Lamar, diria: “fulminante”. Primeira vez que vejo o rapper ao vivo, e a sensação é a de ser atropelado pelo ódio, pelo amargor e, de certa maneira, por um tipo de impulso também, porque Lamar usa as sensações mais brutas para atingir o que há de realmente valoroso. Algumas músicas – “Element”, “Hey Now” e “Humble” – parecem um desfibrilador na plateia. Mas é em “Not Like Us” que a catarse foi inevitável. 

Foto: Rafaela Araújo
Foto: Rafaela Araújo

12. Outubro | Maria Bethânia, no Tokio Marine Hall

Carregando 60 anos de carreira, Maria Bethânia mostra fôlego para seguir em frente por mais incontáveis anos. Eu já vi a Bethânia algumas vezes, inclusive no show com o irmão, Caetano Veloso. Mas nada parecido com esse show comemorativo. “Cheiro de Amor”, o jingle de motel criado por Duda Mendonça, foi só um dos pontos altos do repertório que Bethânia percorreu. Como uma entidade da música brasileira, Bethânia traduz a poesia, a fé e o sentimento que tornam a vida uma “maravida”.

Outros shows que foram destaque: 

Hyldon, no Sesc Santana;

Natiruts, no Festival de Verão;

Mano Brown, Criolo e Rael, no Espaço Unimed;

Só Pra Contrariar, no Festival Turá;

Vanessa da Mata, no Vibra São Paulo;

Caetano Veloso, no Coala Festival;

Matheus Fazeno Rock, na Casa Natura Musical;

Planet Hemp, no Allianz Parque.