O empresário Elon Musk acaba de atingir um marco histórico: sua fortuna ultrapassou os US$ 600 bilhões, tornando-o o primeiro ser humano a alcançar essa marca. O valor é o dobro do patrimônio do segundo colocado no ranking, Larry Page, cofundador do Google, estimado em US$ 265 bilhões.
Mas o que explica esse salto colossal? E o que isso revela sobre a nova era dos superbilionários?
A ascensão meteórica de Musk
O aumento mais recente do patrimônio de Musk se deve à nova valorização da SpaceX, que atingiu US$ 800 bilhões após uma venda interna de ações. Com isso, o empresário viu seu patrimônio crescer US$ 168 bilhões em um único dia, consolidando uma fortuna de US$ 638 bilhões — segundo o índice Bloomberg.
A SpaceX se tornou a empresa privada mais valiosa do planeta, e Musk detém 42% da companhia, equivalente a cerca de US$ 317 bilhões. Somando-se a isso seus 12% na Tesla e participações em negócios como Neuralink, The Boring Company e xAI Holdings, Musk transformou seu império tecnológico em um ecossistema interligado e praticamente imbatível.
De US$ 4,8 bilhões a US$ 638 bilhões: uma linha do tempo de ambição
- 1995–1999: cofundou a Zip2, vendida por US$ 307 milhões à Compaq.
- 1999–2002: criou o X.com, que virou o PayPal, vendido ao eBay por US$ 1,5 bilhão.
- 2002: fundou a SpaceX, foco de sua fortuna atual.
- 2004: entrou na Tesla como investidor e virou CEO em 2008.
- 2016: fundou a Neuralink e The Boring Company.
- 2022: comprou o Twitter (X) por US$ 44 bilhões.
- 2025: se torna o primeiro “multi-centibilionário” da história moderna.
A trajetória mostra um padrão: Musk reinveste seus ganhos em projetos de risco altíssimo, mas com potencial exponencial. É o exemplo mais extremo da mentalidade de “apostar tudo para mudar o mundo”.
O pacote bilionário da Tesla
Em novembro, os acionistas da Tesla aprovaram um plano de compensação de US$ 1 trilhão para Musk — o maior da história corporativa.
O plano prevê 12 tranches de ações condicionadas a metas de desempenho, podendo elevar sua participação na empresa de 12% para 25%.
Esse acordo garantirá a Musk poder absoluto sobre a Tesla e, potencialmente, o título de primeiro trilionário da história.
Mas nem todos celebram. Consultores e críticos corporativos, além do próprio Papa Leão XIV, expressaram preocupação com a desigualdade salarial crescente entre CEOs e trabalhadores.
Segundo o pontífice, a diferença hoje pode chegar a 600 vezes o salário médio de um empregado.
A estratégia Musk: controle total e sinergia
A força de Musk está na integração de seus negócios:
- Tesla financia avanços em baterias e IA, que alimentam a SpaceX e a xAI.
- xAI fornece tecnologia que impulsiona os sistemas autônomos da Tesla e o algoritmo do X (Twitter).
- SpaceX, por sua vez, viabiliza a infraestrutura de internet via Starlink, base tecnológica para seus outros negócios.
Esse modelo cria um ciclo fechado em que cada empresa reforça a outra, algo raro mesmo entre conglomerados globais.
O bilionário que molda o futuro — e as polêmicas
Apesar das conquistas, Musk continua uma figura polarizadora.
Enquanto é visto por alguns como um visionário, outros o acusam de centralizar poder demais e brincar com riscos globais — seja com a corrida espacial, a IA generativa ou suas opiniões controversas sobre política e mídia.
Sua influência já transcende o mercado: define políticas industriais, molda o debate público e até movimenta moedas com um único post.
O que esse marco representa
Mais do que uma conquista pessoal, o salto de Musk simboliza uma nova era econômica, em que o valor está concentrado em poucas mãos — e a riqueza é gerada por ativos intangíveis, não por produção física.
Enquanto a SpaceX alcança valores comparáveis a economias nacionais, o mundo enfrenta um dilema:
como equilibrar inovação e desigualdade em uma era em que um único homem vale mais do que países inteiros?
