Texto baseado em uma tradução quase literal de uma publicação do Rodd Chant, que chegou até mim por indicação do Bruno Simões, que dialoga diretamente com a forma como eu também enxergo e penso sobre o futuro do nosso mercado.
O modelo de agência do futuro? Mais parecido com uma banda ou coletivo.
Essa é uma ideia que o Rodd defende há anos. E quanto mais o mercado muda, mais difícil fica discordar. Pensar como banda simplesmente faz mais sentido, especialmente agora, especialmente para diretores de criação e líderes criativos que buscam independência.
Nunca foi preciso um exército para pensar e criar. Uma micro-agência resolve. Sempre resolveu.
No modelo de banda, estamos falando de algo entre duas e cinco pessoas. Talento criativo e estratégico somado a alguém que cuide do negócio. É isso. Os criativos e estrategistas são os performers. O negócio é o manager. Todo o resto entra quando faz sentido. Produtores, estúdios, diretores, fotógrafos, músicos, equipes de apoio. Nada fixo. Nada inflado. Tudo a serviço da ideia.
Integrantes de uma banda não sentam em um escritório todos os dias só para justificar presença. Eles se encontram quando precisam criar algo relevante.
O modelo de coletivo se encaixa de forma natural nessa lógica. Alinhar-se com produtoras, freelancers e parceiros que pensam parecido. Juntar forças quando necessário. Trabalhar junto quando faz sentido. Sem estruturas rígidas. Sem dependência permanente.
É um ganha-ganha claro para clientes e para a agência ou estúdio.
O modelo tradicional de agência foi construído sobre inchaço. Cobrar por headcount. Manter escritórios caros. Sustentar camadas hierárquicas. Bônus de C-level. Inscrições em prêmio. Viagens para Cannes. Uma máquina inteira que pouco tem a ver com resolver problemas reais de comunicação. O que os clientes querem, no fim, é acesso direto a pensamento criativo e estratégico experiente. Isso não exige um prédio cheio de gente.
Hoje, uma agência pode ser apenas algumas mentes bem conectadas, com integrantes da banda e do coletivo espalhados pelo mundo.
Há um benefício adicional importante para os clientes. Falar diretamente com quem pensa, cria e executa. Sem processos em cascata. Sem gatekeepers. Sem burocracia performática. Resolver rápido, ajustar rápido, seguir em frente.
Pessoalmente, prefiro muito mais receber uma mensagem no WhatsApp para alinhar algo e marcar uma ligação curta do que atravessar camadas internas, e-mails e memorandos. É mais eficiente, mais humano e mais honesto com o tempo de todo mundo.
Também tenho a sensação de que muitos clientes preferem trabalhar com times menores, mais próximos, com quem constroem relação de verdade, não apenas contratos.
O modelo de micro-agência ainda devolve algo essencial ao trabalho criativo. Liberdade. Os criativos voltam a ser também fazedores. Voltam a colocar a mão na massa. A colaborar diretamente com creators, diretores, fotógrafos, compositores. Camadas desnecessárias caem. A unidade criativa reaparece.
Começar pequeno não é limitação. Permanecer pequeno pode ser estratégia. Pensar grande não depende de estrutura. Depende de ambição intelectual.
Talvez a publicidade precise aprender com a música. Boas ideias raramente nascem de organizações gigantes. Elas nascem de poucas pessoas muito boas, trabalhando juntas quando realmente importa.
Comece pequeno.
Fique pequeno.
Pense grande.
E aumente o volume até o 11.
Você pode ver a publicação original aqui.
