O concorrente da Nike não é a Adidas

O verdadeiro inimigo das marcas é a inércia do consumidor.

Este texto foi inspirado em uma das centenas de publicações que o João Branco produz em seu LinkedIn sobre marketing, estratégia e comportamento de consumo. Para acompanhar ele, você pode clicar aqui.

Quando alguém pergunta quem é o maior concorrente da Nike, a resposta automática costuma ser Adidas. Parece lógico. Mas é um erro clássico de marketing. O maior concorrente da Nike é o sofá. O maior concorrente do Spotify é o silêncio. O maior concorrente da Netflix é o sono. Antes de escolher uma marca, o consumidor precisa escolher fazer alguma coisa. Levantar, apertar o play, dar o primeiro passo. A disputa real não é entre logos. É entre agir ou continuar parado.

Esse é o ponto que muitas empresas ignoram. Elas passam tempo demais olhando para o lado, analisando o concorrente, copiando movimentos e disputando frações de mercado. Viram um eterno jogo de cotoveladas por alguns pontos de share. Só que quanto mais você olha para o concorrente, mais parecido com ele você fica. Enquanto isso, o verdadeiro desafio permanece intacto. Fazer o consumidor sair da inércia.

Por isso a pergunta certa não é “como ultrapassar meu concorrente?”. A pergunta certa é “o que tira meu consumidor do sofá?”. O que quebra a rotina dele. O que faz ele pensar “quero experimentar isso”. Só depois que ele decide sair do lugar é que a escolha da marca acontece.

As grandes marcas entendem essa lógica. A Nike não vende apenas tênis. Ela vende o empurrão para você sair do sofá. O Spotify não vende música. Vende o motivo para colocar o fone. A Netflix não vende séries. Vende a desculpa perfeita para você não dormir ainda. Elas sabem exatamente o que os concorrentes fazem. Mas mantêm os olhos no consumidor. Porque quando o consumidor está realmente satisfeito, a concorrência deixa de ser o problema.

Nada contra benchmarks e análise de concorrência, mas copiar boas práticas raramente toca o consumidor que, no fim do dia, é só gente como eu e você. Se quiser se aprofundar um pouco mais nessa ideia, já escrevi sobre isso neste artigo: “Sua marca não concorre só com o óbvio”.