Nos últimos dias, um vídeo produzido pela agência belga AiCandy chamou atenção ao apresentar versões envelhecidas de Elon Musk, Jeff Bezos e Sam Altman em 2036. A peça, intitulada Energym (fictícia), imagina um mundo em que 80% dos empregos foram substituídos por IA e robótica, e os humanos encontram propósito transformando energia física — gerada em academias — em eletricidade para abastecer o planeta.
A frase de impacto dita por Altman no vídeo resume bem a proposta: “It solved our need for energy and your need for purpose” .
A Publicidade Como Espelho de Medos Coletivos
Esse tipo de narrativa, apesar de ser divertida, não é apenas entretenimento. Ela reflete ansiedades reais sobre:
- Automação em massa: a substituição de empregos tradicionais por algoritmos e máquinas.
- Busca por propósito humano: em um cenário onde o trabalho deixa de ser central, como redefinimos identidade e valor social?
- Energia e sustentabilidade: a ideia de transformar esforço humano em energia é simbólica, mas aponta para a urgência de soluções alternativas diante da crescente demanda energética da IA.

O Debate Sobre Consumo Energético da IA
Paralelamente ao vídeo, Sam Altman, CEO da OpenAI, defendeu publicamente o uso energético da IA. Em entrevista recente, ele comparou o treinamento de modelos de IA ao processo de “treinar” um ser humano: 20 anos de vida e alimentação até se tornar especialista. Para Altman, essa analogia mostra que a IA pode ser até mais eficiente do que pensamos. Ele também rebateu críticas sobre o uso de água em data centers, afirmando que práticas antigas como o resfriamento evaporativo já não são predominantes .
No entanto, críticos como Sridhar Vembu, cofundador da Zoho, rejeitam essa comparação, alertando para o risco de equiparar tecnologia a seres humanos. Para ele, a tecnologia deveria “recuar para o pano de fundo” em vez de dominar nossas vidas .

O Desafio da Infraestrutura Global
Outro ponto levantado por Altman é que o crescimento da IA exige uma infraestrutura energética sem precedentes. Ele descreveu esse processo como “o projeto mais caro e complexo que o mundo já empreendeu coletivamente”. Isso inclui:
- Expansão de energia nuclear, solar e eólica.
- Soluções descentralizadas, como sistemas de armazenamento seguros que não dependem de baterias de lítio.
- Pressão sobre governos e empresas para acelerar investimentos em energia limpa .
Entre Distopia e Possibilidade
O vídeo da AiCandy é uma provocação criativa, mas também um alerta. Ele nos força a refletir:
- Será que estamos caminhando para um futuro em que o trabalho humano perde relevância?
- Como equilibrar inovação tecnológica com sustentabilidade?
- Até que ponto devemos permitir que a IA molde não apenas a economia, mas também nossa percepção de propósito?
A peça e os discursos de líderes como Altman mostram que o debate sobre IA não é apenas técnico, mas profundamente filosófico e social. O futuro pode ser distópico ou transformador — e a diferença dependerá das escolhas que fazemos hoje em relação à energia, ética e propósito humano.