“Copa do Streaming” deixa mudança duradoura no consumo de celulares e TVs no Brasil

Levantamentos do setor mostram que o hábito de assistir aos jogos em mais de uma tela ao mesmo tempo se consolidou, mesmo com as vendas de TVs ficando abaixo do esperado para um ano de Mundial.
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A Copa do Mundo de 2026 terminou no dia 19 de julho, com o título da Espanha sobre a Argentina por 1 a 0 na prorrogação, mas o efeito do torneio sobre o consumo de eletrônicos no Brasil já vinha sendo medido antes mesmo da decisão. Segundo a Associação Nacional de Fabricantes de Produtos Eletroeletrônicos (Eletros), as vendas de TVs cresceram apenas 3% entre janeiro e maio, mesmo com a indústria de eletroeletrônicos como um todo avançando 11% no período, um resultado considerado abaixo do esperado para um ano de Mundial.

O setor vendeu 5,6 milhões de televisores no varejo nos cinco primeiros meses do ano e projeta encerrar 2026 com cerca de 14,5 milhões de unidades, o que representaria o segundo melhor resultado da história da indústria nacional, atrás apenas do recorde de 2014, quando a Copa foi disputada no Brasil.

A segunda tela superou as expectativas

Enquanto a compra de TVs novas cresceu pouco, o hábito de assistir aos jogos com o celular na mão se consolidou. Segundo a Kantar, entre os 77% dos brasileiros que afirmaram acompanhar a Copa de 2026, 73% preferiram a TV aberta, mas o consumo apareceu fragmentado: 39% disseram assistir também pela TV por assinatura e 31% recorreram a plataformas de streaming.

Levantamento da MiQ mostra que 76% dos torcedores usaram uma segunda tela ao mesmo tempo em que assistiam às partidas. A CazéTV, que deteve a exclusividade digital dos 104 jogos do torneio no YouTube, bateu recorde de audiência simultânea durante Brasil x Marrocos, com 12,7 milhões de dispositivos conectados ao mesmo tempo.

Boa parte desse público mantém, ao mesmo tempo, aplicativos de estatísticas e resultados ao vivo abertos durante a partida. Esse tipo de plataforma oferece atualização de placar, estatísticas e notificações em tempo real, reforçando que o acompanhamento simultâneo do jogo também exige uma conexão estável do aparelho. Na hora de escolher os melhores apps para acompanhar o jogo minuto a minuto, a velocidade de atualização costuma pesar mais do que a marca por trás do serviço.

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O hábito também mudou o perfil de compra de celular

  • Tela maior já não é suficiente: telas OLED ou AMOLED, conectividade 5G e bateria de longa duração passaram a pesar mais na decisão de troca, segundo levantamento do setor.
  • O celular virou concentrador de tudo: de acordo com o mesmo levantamento, maior capacidade de armazenamento e melhor desempenho para streaming e redes sociais também entraram na lista de prioridades do consumidor.

Essa mesma exigência de velocidade aparece em outras categorias de aplicativos usadas durante os jogos, sempre que há necessidade de atualização de dados em tempo real. É o caso de apps de estatísticas esportivas e de plataformas de apostas esportivas, que precisam atualizar informações a cada lance da partida. A plataforma de bet KTO, que foi uma das principais patrocinadoras da transmissão da Copa do Mundo na CazéTV, exemplifica esse cenário: como outras operadoras do setor, depende de uma conexão estável para atualizar odds e mercados ao vivo conforme o jogo avança.

O que fica depois do apito final

Para a Motorola, a Copa deixou uma mudança de comportamento que deve seguir mesmo fora do calendário de grandes torneios: o Mundial, segundo material da marca, “deixou de ser uma experiência de uma tela só”.

Mesmo com o desempenho de vendas de TVs abaixo do esperado, a indústria de eletrônicos brasileira encerra o ciclo da Copa classificando 2026 como um ano relevante para o setor, puxado menos pelo volume de aparelhos vendidos e mais pela migração para modelos premium, tendência que veio para ficar.