Dados do IBGE e Dieese mostram que mais de 70% das pessoas entre 20 e 34 anos ainda vivem de forma provisória, ou seja, em repúblicas, quitinetes com os os pais.
Além disso, o Brasil é o segundo país no mundo com maior proporção de jovens que não estudam e nem trabalham. O país fica apenas através da África do Sul.
Na faixa etária considerada no relatório OCDE, 35% dos jovens brasileiros não estudam e nem trabalham.

A geração que prefere jogar que estudar
34% destes jovens têm adiado a graduação para apostar em bets, e 70% dos universitários jovens são jogadores assíduos. E ainda, 14% deles atrasaram uma mensalidade ou trancaram o curso pois redirecionaram seu dinheiro para apostas. O impacto disso? Quase um milhão de potenciais ingressantes em cursos de graduação deixarão de se matricular por conta das apostas. A estimativa é de Paulo Chanan, diretor da Abmes.
Esse setor é o que mais ampliou seus investimentos em publicidade, sendo 47% de 2023 para 2024. Se antigamente tínhamos grandes anunciantes como Casas Bahia, por exemplo, agora os grandes anunciantes são casas de jogos online. Os influenciadores, também ganham de cinco a dez vezes mais do que fazendo qualquer outra publicidade tradicional.
A culpa é realmente do salário baixo versus o poder de compra?
Fiz uma tabela comparando o salário mínimo nominal com o custo da cesta básica (que podemos chamar de poder de compra). Como podemos observar no gráfico abaixo, o brasileiro que reclama na hora de fazer compras no mercado e observa que “está tudo mais caro”, tem razão de reclamar. O poder de compra vem tendo uma queda expressiva desde 2015 adiante. Ou seja, o jovem em partes tem razão em dizer que está mais difícil sair da casa dos pais hoje, que antigamente e esse fato já acontece há 10 anos.

Não trabalho mas recebo benefício
O Ministério de Desenvolvimento Social, divulgou que 1 a cada 4 brasileiros ganham algum tipo de benefício social. Em 2024, já eram mais de 50 milhões de brasileiros.
Em Maio de 2025, o Brasil tinha 48.25 milhões de brasileiros trabalhando formalmente e pagando impostos, ou seja, menos que as pessoas que não trabalham e recebem o benefício.
O salário médio no Brasil é de R$ 3.270,00 e o valor médio de benefícios distribuídos é de R$ 836,00 ou seja 25,56% de quem trabalha todos os dias de segunda à sábado e 55,07% do salário mínimo, que seria o possível salário de quem é beneficiado, já que se supõe-se falta de qualificação dos beneficiários.
Em 2024, estes mesmos brasileiros investiram em apenas 1 mês, 3 bilhões de reais em bets.
Uma questão de comportamento
Enquanto você, ou seu pai começava a trabalhar com 9 anos de idade, 20% das empresas afirmam que os jovens de hoje tem levado seu país às entrevistas de emprego. A lista não para por aí. Roupas inadequadas, dificuldade em cumprir horários, falta de habilidades de comunicação, dificuldade em gerenciar a carga de trabalho e tendência a se ofender facilmente.
Apesar de ser a geração que cresceu com a tecnologia, tem dificuldade no uso de emails e desktops tradicionais. Pais também são vistos agora questionando demissões e possíveis negativas nas entrevistas de emprego.
Por conta disso, Estudo mostra que 30% dos recrutadores preferem contratar trabalhadores mais velhos aos profissionais da nova geração e 30% dos respondentes tiveram de demitir um Gen Z após 30 dias do início do trabalho,
No Freto, por exemplo, os funcionários que têm entre 40 e 56 anos já representam 20% do total do time. Pauli, diretora de pessoas da Freto, afirmou para a Revista Exame que esse público tem sido mais flexível na retomada das atividades presenciais e na companhia.
Essa é a geração que prefere o trabalho remoto ao invés de híbrido, questiona ainda mais suas lideranças, e não coloca o trabalho no centro de suas vidas.
Alguns “nomes” surgem para evidenciar essa tendência como “Lazy job” para designar trabalhos remotos, que remuneram bem e são mais “preguiçosos”.
Para os mais velhos, essa mudança pode não ser ruim, uma vez que cada vez nos aposentamos mais tarde, devido às mudanças da previdência e a longevidade crescente da população.
E para onde essa geração está indo?
Ao contrário de gerações anteriores, a ascensão de jovens pioneiros no empreendedorismo tem ganhado notoriedade: cerca de 8 milhões de jovens brasileiros com idades entre 18 e 24 anos, estão à frente de seus próprios negócios.
Além disso, com o avanço da Gig Economy, muitos desses jovens procuram trabalhos freelancers, que podem ser executados a distância e quando quiser.
Vale lembrar que cerca de 60% das empresas fechadas no Brasil não conseguem sobreviver após cinco anos de atividade, segundo dados divulgados pelo IBGE.
E a culpa é dos jovens?
É evidente que não apenas, afinal eles foram educados pelas gerações passadas. Nem todo o comportamento dessa geração trará reflexos negativos. O trabalho ser o centro da vida? Aceitar relações tóxicas no trabalho e ficar calado? Aceitar compactuar com empresas que não se alinham com seus valores? Certamente, essa é a geração que dará um pontapé em tudo isso, e quem sabe, será responsável por solidificar uma vida muito mais equilibrada.
Empresas e líderes serão obrigados a se reinventar e quem não se adequar, pode estar fora do jogo.
Lembrando que esse comportamento tem sido observado de forma global, portanto, não é uma característica específica do jovem brasileiro, exceto quando vemos comportamentos geralmente evidenciados por uma classe social baixa, como a prática de gastar em bets (evidenciadas em grupos de jovens de classes C, D e E), e não estudar e não trabalhar, mais evidenciado em grupos de mulheres negras e pardas que acabam por não ter acesso a estudos e trabalho remunerado devido às atividades domésticas.
O Brasil é um dos países mais desiguais do mundo e isso certamente colabora para que essas diferenças estejam ainda mais latentes.
E acredite, o Brasil está entre os 6 países com maior taxa de empreendedorismo consolidado no mundo, com as taxas sendo puxadas por esses jovens. Certamente não é pelo apoio governamental, mas sim pela resiliência e criatividade do povo brasileiro.