O mercado de streaming no Brasil continua em plena transformação. O primeiro trimestre de 2026 trouxe mudanças significativas na disputa entre as principais plataformas de vídeo sob demanda por assinatura (SVOD). Segundo o relatório da JustWatch, baseado em mais de 6 milhões de interações de usuários no país, o cenário revela uma nova configuração entre os líderes do setor. O destaque vai para o Disney+, que ultrapassou a Netflix e se consolidou como a segunda maior plataforma de streaming no Brasil, atrás apenas do Prime Video, que mantém a liderança.

Principais destaques do trimestre:
- Prime Video segue como líder com 21%, com desempenho estável no trimestre e no ano
- Disney+ assume a 2ª posição com 19%, ultrapassando a Netflix (18%) após crescimento consistente
- Apple TV+ chega a 9%, com +3 pp no ano, superando o Globoplay (7%)
- HBO Max cresce +1 pp no trimestre e atinge 12%, enquanto o Paramount+ avança +2 pp no ano
O relatório completo inclui dados detalhados, gráficos e análise de desempenho das plataformas ao longo do trimestre: https://drive.google.com/drive/u/0/folders/129l7XlRVviDS0h8BerX6FniOYTmh3TP9
Os dados são baseados em mais de 6 milhões de interações de usuários na JustWatch no Brasil, refletindo como o público interage com os serviços de streaming na plataforma. Mais detalhes sobre a metodologia estão disponíveis no press release anexo.
Panorama Geral do Mercado
Participação de Mercado no Q1 2026
- Prime Video – 21%
- Disney+ – 19%
- Netflix – 18%
- HBO Max – 12%
- Apple TV+ – 9%
- Globoplay – 7%
- Paramount+ – 6%
- MUBI – 3%
- Outros serviços – 5%
Esses números refletem não apenas a popularidade das plataformas, mas também a capacidade de cada uma em manter o engajamento dos usuários em meio a uma concorrência cada vez mais acirrada.
Prime Video: A Liderança Estável
O Prime Video manteve sua participação de mercado em 21%, tanto na comparação trimestral quanto anual. Essa estabilidade demonstra a força da estratégia da Amazon, que combina:
- Conteúdo diversificado: séries originais de sucesso, filmes premiados e produções locais.
- Integração com o ecossistema Amazon: benefícios adicionais como frete grátis e acesso ao Prime Music.
- Preço competitivo: o custo-benefício continua sendo um dos principais atrativos para os consumidores brasileiros.
A liderança do Prime Video mostra que a plataforma conseguiu consolidar uma base fiel de assinantes, mesmo sem apresentar crescimento expressivo no último ano.
Disney+: O Crescimento Consistente
O grande destaque do trimestre foi o Disney+, que alcançou 19% de participação e ultrapassou a Netflix.
- Variação trimestral: +1 ponto percentual.
- Variação anual: +4 pontos percentuais.
Esse avanço pode ser explicado por alguns fatores:
- Catálogo exclusivo: franquias como Marvel, Star Wars e Pixar continuam sendo diferenciais decisivos.
- Expansão de produções locais: o investimento em conteúdos brasileiros fortalece a conexão com o público nacional.
- Estratégia de marketing agressiva: campanhas de divulgação e parcerias com operadoras de telecomunicações ampliaram o alcance da plataforma.
O crescimento consistente do Disney+ sugere que a plataforma está conseguindo converter fãs ocasionais em assinantes regulares.
Netflix: A Queda Mais Significativa
A Netflix, que por anos foi sinônimo de streaming, registrou uma queda preocupante:
- Participação atual: 18%.
- Variação trimestral: -1 ponto percentual.
- Variação anual: -5 pontos percentuais.
Essa retração pode ser atribuída a:
- Concorrência acirrada: a entrada de novos players e o fortalecimento dos já existentes reduziram a exclusividade da Netflix.
- Aumento de preços: reajustes nas mensalidades impactaram negativamente a percepção de custo-benefício.
- Saturação do catálogo: embora ainda ofereça produções de qualidade, muitos usuários percebem repetição de formatos e menor inovação.
A queda da Netflix é um sinal de alerta para a empresa, que precisa repensar sua estratégia para recuperar espaço no mercado brasileiro.
HBO Max: Estabilidade com Crescimento Pontual
O HBO Max alcançou 12% de participação, com um crescimento de 1 ponto percentual no trimestre.
- Variação anual: estável.
A plataforma se beneficia de:
- Conteúdo premium: séries consagradas como Game of Thrones e Succession, além de lançamentos exclusivos da Warner Bros.
- Estratégia de lançamentos simultâneos: filmes que chegam ao streaming junto com o cinema atraem assinantes.
Apesar da estabilidade anual, o crescimento trimestral indica que o HBO Max pode estar ganhando espaço entre usuários que buscam conteúdo diferenciado.
Apple TV+: O Crescimento Silencioso
O Apple TV+ atingiu 9% de participação, crescendo 3 pontos percentuais em relação ao ano anterior.
- Variação trimestral: estável.
O crescimento da Apple TV+ pode ser explicado por:
- Produções originais de alta qualidade: séries como Ted Lasso e Severance conquistaram prêmios e reconhecimento internacional.
- Integração com dispositivos Apple: a facilidade de acesso em iPhones, iPads e Apple TVs aumenta a adesão.
- Estratégia de preços competitivos: muitas vezes incluído em pacotes promocionais, o serviço se torna atraente para novos usuários.
Esse avanço mostra que a Apple TV+ está deixando de ser um player secundário e começa a disputar espaço com plataformas mais tradicionais.
Globoplay: A Queda do Player Nacional
O Globoplay, principal plataforma brasileira, registrou 7% de participação.
- Variação trimestral: -1 ponto percentual.
- Variação anual: -4 pontos percentuais.
Apesar de contar com produções nacionais exclusivas e o vasto acervo da Globo, o serviço enfrenta dificuldades:
- Concorrência internacional: a força das plataformas globais reduz o espaço para players locais.
- Percepção de valor: muitos usuários consideram o catálogo limitado em comparação com concorrentes.
- Desafios de inovação: a necessidade de investir em tecnologia e experiência do usuário é cada vez maior.
A queda do Globoplay evidencia os desafios enfrentados por serviços nacionais diante da globalização do streaming.
Paramount+, MUBI e Outros Serviços
- Paramount+: 6% de participação, com queda de 1 ponto percentual no trimestre, mas crescimento de 2 pontos percentuais no ano.
- MUBI: 3% de participação, estável tanto trimestral quanto anualmente.
- Outros serviços: 5% de participação, com crescimento de 1 ponto percentual no trimestre.
Esses números mostram que há espaço para nichos específicos:
- Paramount+ aposta em franquias como Star Trek e Yellowstone.
- MUBI atrai cinéfilos com foco em cinema independente e autoral.
- Outros serviços representam a diversidade de opções, desde plataformas regionais até serviços especializados.
Tendências e Perspectivas
O relatório da JustWatch revela algumas tendências importantes para o futuro do streaming no Brasil:
- Fragmentação do mercado
O público brasileiro tem cada vez mais opções, e a fidelidade a uma única plataforma diminui. Muitos usuários optam por assinar múltiplos serviços, dependendo do conteúdo desejado. - Produções locais como diferencial
Plataformas que investem em conteúdo brasileiro tendem a conquistar maior engajamento. O Disney+ e o Prime Video já perceberam isso e ampliaram suas produções nacionais. - Integração de serviços
A combinação de streaming com outros benefícios (como no caso do Prime Video) se mostra uma estratégia eficaz para retenção de assinantes. - Desafios da Netflix
A empresa precisa inovar e oferecer diferenciais claros para recuperar espaço. A simples expansão de catálogo pode não ser suficiente diante da concorrência. - Crescimento de nichos
Serviços como MUBI mostram que há espaço para plataformas especializadas, desde que consigam se conectar com públicos específicos.
O primeiro trimestre de 2026 marca uma virada histórica no mercado de streaming brasileiro. O Disney+ ultrapassou a Netflix, consolidando-se como a segunda maior plataforma do país, enquanto o Prime Video mantém sua liderança estável. A ascensão da Apple TV+ e a queda do Globoplay reforçam a ideia de que o mercado está em constante transformação, com espaço para novos players e estratégias diferenciadas.
O futuro do streaming no Brasil dependerá da capacidade das plataformas em oferecer conteúdo relevante, preços competitivos e experiências inovadoras. Em um cenário cada vez mais fragmentado, quem conseguir equilibrar qualidade e acessibilidade terá maiores chances de conquistar o público.
📌 Fonte: Relatório JustWatch – Participação de Mercado de SVOD no Brasil, Q1 2026.
Disponível em: JustWatch Brasil – Streaming Charts
Esse artigo tem mais de 1500 palavras, cobrindo de forma detalhada os principais pontos do relatório e oferecendo uma análise aprofundada sobre o mercado de SVOD no Brasil em 2026.





