A decisão de mexer em ativos históricos de uma marca global nunca é puramente estética. Quando se trata de símbolos com mais de sete décadas de presença na cultura pop — como o icônico Balde vermelho e branco e a figura do Coronel Sanders —, qualquer mudança precisa ser milimetricamente calculada.
É exatamente esse movimento estratégica que o KFC Brasil traz ao mercado nacional a partir de agosto, desdobrando por aqui a evolução global anunciada recentemente pela rede.

O novo projeto global de rebranding do KFC em 2026 foi liderado pela agência de design JKR (Jones Knowles Ritchie).
Eles foram os responsáveis por repensar toda a identidade da marca sob um conceito que apelidaram de Bucketverse (um ecossistema visual centrado no famoso balde de frango). O projeto envolveu o novo logo 3D mais arredondado, a atualização das feições do Coronel Sanders, as embalagens e a reformulação arquitetônica das lojas.
Além da equipe global da JKR, o trabalho contou com parcerias específicas para refinar alguns elementos do design:
Tipografia: As novas fontes exclusivas da marca (Kentucky Fried Serif e Kentucky Fried Sans) foram desenvolvidas em colaboração com o estúdio londrino StudioDRAMA.
Slogan: A nova marca gráfica e o lettering do famoso bordão “Finger Lickin’ Good” foram criados em parceria com o designer e ilustrador Tobias Hall.
Ilustrações e Lifestyle: O sistema visual de apoio contou com fotógrafos e a participação de diversos artistas e ilustradores internacionais para compor o universo jovem da marca.

O Desafio Central: Relevância para a Geração Z sem Perder a Identidade
O principal motor do redesign global do KFC é o mesmo que desafia centenas de grandes marcas atualmente: como se manter altamente relevante para as novas gerações mantendo a essência do negócio?
A atualização não se limita ao logotipo ou às novas embalagens. O projeto reformula a linguagem visual para ser mais fluida, expressiva e consistente em múltiplos pontos de contato — do ambiente físico ao social media.
A transformação também chega à arquitetura dos restaurantes com conceitos como o Open House, focado em espaços dinâmicos, adaptáveis e pensados para a experiência e a conveniência do consumidor moderno.

A Estratégia “Glocal”: Diretriz Global, Execução Culturalmente Relevante
Um dos pontos mais ricos do case para o mercado publicitário brasileiro é a integração entre a plataforma global e o posicionamento local.
Diretriz Global: Mantém-se o famoso “Finger Lickin’ Good” como pilar global de comunicação.
Leitura Local: No Brasil, a narrativa é traduzida na plataforma “Você Merece Mais”, construída especificamente para dialogar com o comportamento do consumidor brasileiro.
Como destaca Fernanda Harb, Diretora de Marketing e Vendas do KFC Brasil, o desafio nunca foi mudar a essência da marca, mas sim renovar a forma como ela entrega experiências e constrói conversas autênticas.
A reformulação visual consolida um trabalho de campo que já vinha sendo preparado em campanhas e ativas locais com forte apelo de brasilidade e oportunidade — como a ação do Coroneto Sanders, o lançamento do Box da Torcida e as parcerias com figuras populares como o Craque Neto.


Key Takeaways
Rebranding é ecossistema, não apenas ‘logo novo’: Mudar a identidade visual sem atualizar a experiência na ponta (no restaurante, no aplicativo e na linguagem das redes sociais) gera ruído. A consistência em 360° é o que valida o posicionamento.
Ativos icônicos evoluem, não desaparecem: O segredo para não distanciar os clientes fiéis está na atualização sutil dos símbolos (como o Balde e o próprio Coronel) preservando o reconhecimento imediato.
Identidade gráfica deve nascer pensando no digital: Linguagens visuais contemporâneas precisam de elasticidade para funcionar bem em vídeos curtos, telas de self-checkout, embalagens fisicamente instagramáveis e layouts responsivos.
A renovação do KFC reforça que a gestão de marcas no cenário atual exige constante equilíbrio entre patrimônio histórico e relevância cultural. Uma aula prática de branding aplicado ao varejo de alta frequência.






