O alerta do Disco de Newton para as marcas

Na década de 70, americanos fizeram um estudo que já mostrava como o aumento do número de estímulos ao nosso redor embaralha nossa percepção.
Diagrama da rota óptica de Newton com círculo cromático Diagrama da rota óptica de Newton com círculo cromático

Na década de 70, americanos fizeram um estudo que já mostrava como o aumento do número de estímulos ao nosso redor embaralha nossa percepção.

E tendemos a misturar as nossas percepções e torná-las pouco diferenciadas uma das outras. Tudo é atingido por isso: as escolhas ficam muito mais difíceis, tamanha é a quantidade de opções à nossa disposição no mercado.
Minha herança de engenheiro evocou uma lembrança de um dispositivo criado por Isaac Newton, em meados do século 17.

Trata-se do Disco de Newton. E é como funciona nossa percepção e atenção mental hoje diante dessa complexidade de opções que consumidores e nós mesmos enfrentamos. 

É mais do que uma metáfora ou uma comparação ingênua. 

Um disco com as sete cores do Arco Íris:  vermelho, laranja, amarelo, verde, azul, anil e violeta. Olhando para o disco ou girando com baixa velocidade, você identifica cada uma das sete cores.

Experimente girar o disco depressa. Sabe o que acontece?

Você vê tudo branco e não distingue as cores. Aliás, como é a luz branca que recebemos do Sol durante o dia.

É isto que está acontecendo no mercado e com as marcas.

Um volume indigesto de comunicação, de alternativas entre marcas nem sempre tão diferentes umas das outras. 

O que isso provoca? Uma ameaça constante à força das marcas individualmente.

Isto não é aula de física. É a “física mercadológica”, 400 anos depois de Isaac Newton.

É ou não é isso que anda acontecendo?
Estive na APAS há uma semana. O megaevento da Associação Paulista de Supermercados, aqui em SP no Center Norte.

Dizem que 70.000 pessoas estiveram lá, com centenas de expositores com seus stands.

A cabeça gira com tantas informações, alternativas, produtos, empresas, marcas e pessoas pelos corredores. 

Se você não planejar essa visita com o foco determinado em algumas empresas e marcas, é muito  provável que você saia de lá com a sensação a luz branca do Disco.

Você precisa fazer uma visita ao evento com alguns focos. Caso contrário, você sai de lá muito cansado e embaralhando o que você viu.

O desafio para as marcas, num ambiente de mercado como o atual, exige muito mais compromisso com a “cor” que a define,  muito mais consistência, muito maior clareza de qual é a promessa autêntica e se possível, única da marca.

Há bem pouco tempto, fizemos um estudo para medir o quanto os consumidores conseguem associar corretamente as marcas às celebridades que apoiam essas marcas.

Para nossa surpresa, em somente 15% das vezes os consumidores acertam. Porque eles embaralham mentalmente as duas coisas: as celebridades e as respectivas marcas que elas apoiam. É o Disco girando depressa novamente!
Newton nos alertou para o problema. Mas encaminhou também  é a solução.

Na mesma ocasião, meados do século XVII, e nos ensinou como decompor a mistura de cores e identificá-las individualmente. Aliás, não é exatamente isso que procuramos incessantemente para não sermos confundidos com os competidores. 

Newton mostrou que quando a luz atravessa um prisma triangular transparente de superfícies polidas, as sete cores se separam por refração, porque elas têm diferentes frequências de onda.

Volto ao século 21.Tudo indica que o mercado não vai parar, nem desacelerar. A complexidade só aumenta. Pense religiosamente naquilo que a sua marca tem de único, de especial e não abandone esse caminho, que é a promessa da sua marca. Com licença da comparação: o que ela tem de único é o seu “índice de refração”. Ou então, contente-se em vê-la misturada com as demais na luz branca do Disco que não para de girar. 

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